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MPRJ cobra mais transparência da Agenersa na fiscalização das concessionárias de saneamento

Recomendação aponta falhas na divulgação de dados, processos regulatórios e metas das empresas; agência tem dez dias para informar se adotará as medidas
Logomarca da Agenersa em matéria sobre recomendação do Ministério Público para ampliar a transparência na fiscalização das concessionárias de saneamento.
MPRJ recomenda que a Agenersa amplie a transparência na fiscalização das concessionárias de saneamento I Imagem: Divulgação

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) recomendou que a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) adote uma série de medidas para ampliar a transparência na fiscalização das concessionárias responsáveis pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

A recomendação foi expedida pelo Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA/MPRJ) após o órgão identificar dificuldades de acesso a informações públicas relacionadas aos contratos de concessão, aos processos regulatórios e ao acompanhamento das metas das empresas fiscalizadas.

Segundo o Ministério Público, a transparência é um dos principais instrumentos para garantir o controle social sobre serviços considerados essenciais, permitindo que cidadãos, órgãos públicos e pesquisadores acompanhem o desempenho das concessionárias e a atuação da própria agência reguladora.

Falhas apontadas envolvem documentos, indicadores e acesso aos dados

Na recomendação, o GAEMA afirma ter identificado diferentes problemas relacionados à divulgação de informações pela Agenersa.

Entre eles estão a indisponibilidade de documentos relevantes em processos regulatórios, a classificação considerada inadequada de informações como sigilosas, limitações no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), atraso na atualização de indicadores de desempenho e baixa oferta de dados em formatos abertos.

Para o Ministério Público, essas falhas dificultam o acompanhamento das ações de fiscalização e reduzem a transparência sobre a execução dos contratos de saneamento firmados pelo Estado.

A recomendação também orienta que a agência mantenha atualizados os estudos produzidos pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), identifique os responsáveis técnicos pelas análises e disponibilize os indicadores utilizados na fiscalização em formato aberto e processável.

Lei estadual sobre metas também entrou na mira do Ministério Público

Outro ponto abordado pelo GAEMA envolve a Lei Estadual nº 9.370/2021, que determina a divulgação acessível de informações sobre o cumprimento das metas contratuais pelas concessionárias e pela própria agência reguladora.

Segundo o Ministério Público, foram encontradas irregularidades no acompanhamento dessa legislação.

Por isso, a recomendação orienta que a Agenersa conclua os procedimentos de fiscalização relacionados à norma e, caso seja confirmado o descumprimento das obrigações previstas, aplique as sanções cabíveis às concessionárias.

Na avaliação do órgão, a fiscalização da lei é um dos mecanismos para fortalecer a transparência e garantir que a população tenha acesso às informações sobre a qualidade dos serviços prestados.

Tema ganha importância após episódios recentes na Região dos Lagos

A recomendação do Ministério Público ocorre poucos dias após a atuação das concessionárias de saneamento voltar ao centro do debate público na Região dos Lagos. Na última semana, a Prefeitura de Cabo Frio aplicou multas que somam aproximadamente R$ 1,32 milhão à Prolagos, alegando falhas na operação do sistema de comportas durante as chuvas registradas no município.

De acordo com laudos da Defesa Civil e do Procon, o sistema automático não teria funcionado como previsto, contribuindo para alagamentos em bairros como Jardim Excelsior, Palmeiras e Jardim Caiçara.

Embora a recomendação do MPRJ não tenha sido motivada por esse episódio específico, ambos os casos têm como ponto em comum a discussão sobre fiscalização, transparência e acompanhamento dos serviços públicos de saneamento prestados pelas concessionárias.

O que pode mudar na prática

Se a Agenersa acolher a recomendação, a expectativa é que haja maior disponibilidade de informações sobre contratos, indicadores de desempenho, processos administrativos e metas assumidas pelas concessionárias.

Na prática, isso pode facilitar o acompanhamento da prestação dos serviços por parte da sociedade, dos órgãos de controle e dos próprios municípios atendidos pelas concessões.

A medida também pode ampliar a transparência sobre a atuação da agência reguladora, responsável por fiscalizar empresas que operam serviços essenciais em diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro.

Próximos passos

O Ministério Público concedeu prazo de dez dias para que a Agenersa informe oficialmente se acolherá ou não as recomendações apresentadas.

A partir da resposta da agência, o GAEMA poderá acompanhar a implementação das medidas ou adotar outras providências caso entenda que as falhas identificadas permanecem sem solução.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

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