Três mulheres morreram em circunstâncias violentas em um intervalo de cinco dias na Região dos Lagos, entre 23 e 27 de outubro. Duas mortes foram registradas no bairro Vila Verde, em Armação dos Búzios, e a terceira em Rio das Ostras. As vítimas são Valéria Matos Ribeiro, de 48 anos, Emanoelly Caroline Gomes de Oliveira, de 19, e Taís de Souza Santana, de 24. A sequência de ocorrências traz de volta o debate sobre a violência contra mulheres, enquanto a Polícia Civil investiga as circunstâncias dos casos.
Em Búzios, o primeiro ataque ocorreu na manhã de sexta-feira (23), quando Valéria foi esfaqueada pelo ex-companheiro enquanto acompanhava o filho de 8 anos a caminho da escola, no bairro Vila Verde. A criança também ficou ferida durante a agressão.
Valéria foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal Dr. Rodolpho Perissé, onde passou por cirurgia de emergência e permaneceu internada em estado grave. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de domingo (25).
O homem apontado como responsável pelo ataque foi encontrado morto após o crime. Com a morte de Valéria, o caso passou a ser tratado como feminicídio consumado. Após o ataque contra Valéria, a Secretaria Municipal da Mulher de Búzios informou que ela não estava em acompanhamento pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) nem pela Patrulha Maria da Penha. A pasta afirmou ter mobilizado sua equipe técnica para oferecer acolhimento e assistência à família.
Na madrugada de terça-feira (27), o mesmo bairro voltou a registrar uma morte violenta. Emanoelly Caroline Gomes de Oliveira, de 19 anos, foi encontrada sem vida dentro de uma residência na Rua 35, com ferimento no pescoço.
A Polícia Militar isolou o imóvel para o trabalho da perícia, e a ocorrência foi encaminhada à 127ª Delegacia de Polícia de Búzios. A investigação busca esclarecer quem foi responsável pela morte e qual teria sido a motivação. A possibilidade de feminicídio está entre as hipóteses investigadas, mas ainda não há confirmação dessa classificação nas informações divulgadas até o fechamento deste texto.
Em Rio das Ostras, a terceira ocorrência foi registrada na manhã de segunda-feira (26). O corpo de Taís de Souza Santana, de 24 anos, que estava desaparecida desde a semana anterior, foi encontrado às margens de um curso d’água no bairro Âncora.
A vítima foi encaminhada ao Instituto Médico Legal de Macaé, onde teve a identidade confirmada por familiares. A 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras investiga o caso.
Até o momento, a causa da morte, a autoria e a motivação não foram esclarecidas oficialmente. A hipótese de feminicídio também é considerada nas investigações, mas depende de confirmação.
Em Búzios, o CEAM e a Patrulha Maria da Penha integram a rede municipal de proteção. O CEAM oferece acolhimento e orientação pelo WhatsApp (22) 2350-6069, enquanto a Patrulha Maria da Penha disponibiliza atendimento pelo (22) 99103-9695, segundo informações da Prefeitura.
Violência contra mulheres exige respostas além das investigações
Embora os três casos tenham ocorrido em um curto intervalo, não há informação que indique ligação entre as mortes. Também é necessário distinguir as classificações policiais: o assassinato de Valéria é tratado como feminicídio, enquanto as circunstâncias das mortes de Emanoelly e Taís ainda estão sendo apuradas.
A sequência de ocorrências, no entanto, chama atenção para a necessidade de fortalecer os mecanismos de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres na Região dos Lagos.
Os episódios também provocaram manifestações de preocupação de entidades da região. O Sindipetro-RJ, em posicionamento divulgado na quarta-feira (28), prestou solidariedade às famílias e cobrou o fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra mulheres.
O debate envolve não apenas a responsabilização dos autores, mas também a identificação de situações de risco, a garantia de atendimento especializado e a capacidade dos serviços públicos de agir antes que ameaças e agressões resultem em mortes.
Em todo o país, mulheres em situação de violência podem buscar orientação e registrar denúncias pelo Ligue 180. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
As investigações sobre as mortes de Emanoelly, em Búzios, e Taís, em Rio das Ostras, seguem em andamento. O esclarecimento da autoria e da motivação será fundamental para determinar as circunstâncias de cada caso e eventual enquadramento como feminicídio.



