A primavera começa às 21h05 desta terça-feira (22), pelo horário de Brasília, trazendo dias mais longos e mudanças no regime de chuvas em parte do Brasil. A chegada da estação é marcada pelo equinócio, fenômeno astronômico que encerra o inverno no Hemisfério Sul. Enquanto a luz do dia ganha espaço, o aumento da umidade vinda da Amazônia favorece a retomada das chuvas no Sudeste, principalmente a partir de outubro, com possibilidade de temporais e períodos de calor intenso.
A mudança tem hora marcada, mas não acontece de uma só vez na paisagem. O equinócio ocorre quando o Sol, em seu movimento aparente, cruza o equador celeste de norte para sul. Nesse mesmo instante, começa o outono no Hemisfério Norte.
A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, explica que as estações do ano resultam da inclinação do eixo da Terra e do movimento do planeta ao redor do Sol. Essa combinação altera a distribuição da luz solar entre os hemisférios ao longo do ano.
No equinócio, dias e noites têm duração aproximadamente igual. A partir daí, no Hemisfério Sul, os dias ficam progressivamente mais longos e as noites, mais curtas. O processo continua até 21 de dezembro, às 18h50, quando começa o verão e ocorre o dia mais longo do ano nessa metade do planeta.
A mudança também pode ser observada no horizonte. Nos equinócios, o Sol nasce aproximadamente na direção leste e se põe na direção oeste. Ao longo dos meses, esses pontos se deslocam, acompanhando a posição aparente do Sol no céu.
Chuva e calor
Além de transformar a duração dos dias, a primavera marca a transição entre os períodos seco e chuvoso, especialmente no centro do Brasil. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que a circulação de umidade da Amazônia se intensifica durante a estação, contribuindo para o aumento das chuvas no Centro-Oeste, no Sudeste e em parte da Região Norte.
A mudança deve se tornar mais perceptível a partir de outubro. De acordo com o meteorologista Fabio Pinto da Rocha, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o tempo seco característico do outono e do inverno em parte dessas regiões tende a dar lugar a pancadas de chuva, que podem ser acompanhadas de raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo.
A primavera também pode registrar os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema que favorece períodos prolongados de chuva em áreas do Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia.
O calor é outra característica da estação. A elevação gradual das temperaturas pode intensificar ondas de calor, aumentar o desconforto térmico e favorecer a formação de tempestades quando massas de ar quente encontram frentes frias. Durante períodos de temperaturas elevadas, a orientação é reforçar a hidratação, usar proteção solar e evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, com atenção especial a crianças, idosos e animais domésticos.
A retomada das chuvas também influencia a agricultura, permitindo o início do plantio das principais culturas de verão em grande parte do país.
Associada ao florescimento e à renovação da paisagem, a primavera se estende até dezembro. Entre o aumento das horas de luz, o retorno gradual das chuvas e os contrastes de temperatura, a estação anuncia a chegada do verão sem que as mudanças no tempo ocorram de forma uniforme em todo o território brasileiro.



