A prisão do empresário Rodrigo dos Santos de Araújo, conhecido como Digão, investigado por encomendar o assassinato de Emanuelly Caroline Gomes de Oliveira, de 19 anos, foi seguida por uma série de invasões e saques a estabelecimentos comerciais ligados a ele em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos.
Os ataques ocorreram principalmente na quarta-feira (4), um dia depois de Rodrigo ser preso em uma operação da Polícia Civil. Também foi detido o homem apontado pelas investigações como autor dos disparos que mataram a jovem, ex-cunhada do empresário.
Na Rasa, dois estabelecimentos — o Mercado do Digão e o Mercado e Padaria Quilombo — foram arrombados e saqueados. Segundo o comando do 25º BPM, equipes em patrulhamento constataram que os imóveis haviam sido invadidos. Produtos foram retirados durante a madrugada e ao longo do dia, incluindo bebidas e alimentos.
A movimentação também foi registrada nos bairros Cruzeiro e Alto da Boa Vista. Imagens que circularam nas redes sociais mostram pessoas deixando os estabelecimentos com sacolas e mercadorias. Em alguns registros, crianças aparecem em meio aos grupos.
Em Manguinhos, a retirada de bebidas do depósito Los Amigos gerou uma disputa comercial. A atual companheira de Rodrigo foi vista transportando produtos com a ajuda de outra mulher. Em áudios enviados à reportagem, um dos sócios do estabelecimento contestou a retirada das mercadorias. Segundo ele, a negociação com o empresário ainda não havia sido concluída e a propriedade integral do comércio não tinha sido transferida.
A Polícia Militar informou que nenhum suspeito foi conduzido à delegacia pelas equipes e que não havia confirmação de registro de ocorrência pelos responsáveis pelos estabelecimentos. Durante a fiscalização na Rasa, os policiais também encontraram um caixa eletrônico em um dos depósitos. O equipamento não apresentava sinais de violação.
O 25º BPM mantém o patrulhamento na região para evitar novas invasões e proteger o terminal bancário. A empresa responsável pelo caixa eletrônico foi acionada.
Rodrigo é investigado como mandante do assassinato de Emanuelly. Ele também responde a um processo por estupro contra a mesma jovem, crime que teria ocorrido em 2020. O julgamento estava previsto para os próximos dias.
Observação editorial: mantive a distinção entre investigação, acusação e fatos confirmados pela PM. Também retirei expressões como “colapso dos negócios” e “queda do investigado”, que acrescentavam dramaticidade sem informação. A referência ao processo por estupro foi mantida com atribuição jurídica, sem antecipar culpa.



