O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) encerrou a última semana com uma série de operações e decisões judiciais em diferentes regiões do estado. Entre quarta-feira (19) e sábado (22), a atuação envolveu uma investigação contra uma das principais milícias da Baixada Fluminense, apreensões de drogas, celulares e dinheiro dentro de presídios, o fechamento de um galpão clandestino de combustíveis e medidas judiciais em casos de maus-tratos a animais, estupro de vulnerável e homicídio.
Uma das maiores ações ocorreu na quinta-feira (20), quando o MPRJ e a Polícia Federal cumpriram 23 mandados de busca e apreensão contra investigados por integrar uma milícia com atuação em Nova Iguaçu. Batizada de Operação Fora de Ordem, a investigação identificou, segundo o Ministério Público, movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões.
As apurações apontam que empresas e pessoas ligadas ao grupo teriam utilizado atividades como provedores de internet e venda de gás para movimentar recursos. O MPRJ investiga a existência de uma estrutura dividida em núcleos de comando, financeiro, operacional, territorial e político, além de possíveis vínculos com agentes públicos e infiltração no aparato estatal. Os mandados foram cumpridos em Nova Iguaçu e na capital.
Também na Baixada Fluminense, uma fiscalização conjunta fechou, em Duque de Caxias, um galpão com capacidade para armazenar mais de 550 mil litros de combustíveis. Cerca de 14 mil litros de gasolina, etanol e resíduos de diesel foram encontrados no local sem documentação fiscal. O proprietário e três funcionários foram presos e autuados por associação criminosa, furto e crime contra o setor de combustíveis. A operação reuniu MPRJ, Operação Foco, Receita Estadual, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Polícia Civil.
No dia anterior, quarta-feira (19), uma fiscalização do MPRJ no Complexo Penitenciário de Guaxindiba, em São Gonçalo, encontrou drogas, celulares, roteadores de Wi-Fi e mais de R$ 12 mil em espécie dentro das unidades prisionais.
Em uma das celas da Cadeia Pública Patrícia Acioli, onde estavam 42 detentos, foram apreendidos R$ 12 mil, cerca de 500 gramas de cocaína bruta, 340 papelotes de maconha, 530 de cocaína, 61 de haxixe e dois celulares. Em outro presídio do complexo, foram encontrados mais 12 celulares, três roteadores portáteis de Wi-Fi e 80 papelotes de entorpecentes.
Maus-tratos, violência sexual e morte em Copacabana também mobilizaram o MP
A proteção animal apareceu em diferentes atuações do Ministério Público durante a semana. Em Araruama, o MPRJ conseguiu a conversão em preventiva da prisão de um homem investigado por maus-tratos contra um cão.
Segundo o auto de prisão em flagrante, o animal foi encontrado preso por uma corrente curta, sem água ou comida e com restrição de movimentos. Filmagens anexadas ao procedimento mostram, de acordo com o MPRJ, o homem atingindo o cachorro com uma vassoura e dando chutes enquanto o animal permanecia acorrentado.
No Recreio dos Bandeirantes, o Ministério Público recorreu da decisão que concedeu liberdade provisória a uma mulher presa após ser filmada sacudindo repetidamente um cão da raça chihuahua. O MPRJ pede que a liberdade seja revogada e que seja decretada a prisão preventiva. O recurso aguarda análise do Tribunal de Justiça.
A atuação ocorre em meio ao crescimento das denúncias de violência contra animais no estado. Dados do Linha Verde, programa do Disque Denúncia citados pelo MPRJ, registraram 10.473 denúncias de maus-tratos no primeiro semestre de 2026, contra 8.051 no mesmo período de 2025 — alta de aproximadamente 30%.
Em outro caso, a 2ª Promotoria de Justiça junto à Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente conseguiu no Tribunal de Justiça a prisão preventiva de um homem denunciado por estupro de vulnerável contra a enteada. Segundo a denúncia, os abusos teriam começado quando a vítima tinha 11 anos e ocorrido reiteradamente durante cerca de quatro anos.
A semana terminou com a atuação do MPRJ no caso da morte de Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, ocorrida em Copacabana. No sábado (22), o Ministério Público obteve a manutenção da prisão temporária de dois homens envolvidos no caso.
Segundo o MPRJ, um segurança de rua atacou Cláudio com socos, chutes e pauladas por acreditar que ele praticava roubos no bairro. A vítima estava conduzindo a bicicleta da irmã. Outro segurança teria retirado a bicicleta à força. Imagens de câmeras de segurança registraram as agressões. Outros dois homens também foram presos pela Polícia Civil por participação nas agressões que levaram à morte.
As ações envolveram diferentes estruturas especializadas do Ministério Público e mostram uma semana de atuação distribuída entre combate ao crime organizado, fiscalização do sistema prisional, crimes econômicos e ambientais, proteção animal e enfrentamento à violência contra crianças e adultos.



