O último debate presidencial antes do primeiro turno das eleições de 2026 foi cancelado pela TV Globo na noite desta quinta-feira (1º), após decisões judiciais alterarem regras previstas para o encontro. Lula (PT), que já havia informado que não participaria, concedeu entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro (PL) desistiu horas antes e realizou uma live, enquanto Renan Santos (Missão) protestou em frente aos Estúdios Globo, no Rio. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), que estavam no local, também criticaram o cancelamento.
O debate estava previsto para começar às 21h30. A sequência que antecedeu o cancelamento envolveu decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), além das ausências dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.
Horas antes, a ministra Estela Aranha, do TSE, havia determinado que a Globo não poderia manter no cenário um púlpito vazio identificado com o nome de Lula. A decisão também impediu que os demais candidatos fizessem perguntas direcionadas ao presidente ausente. A medida atendeu a um pedido da coligação de Lula.
As regras acertadas anteriormente previam a manutenção do púlpito do candidato ausente e a possibilidade de os participantes formularem as perguntas que fariam a ele. A decisão do TSE modificou essa dinâmica poucas horas antes do início previsto para o programa.
Outra mudança ocorreu com Renan Santos. O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a emissora incluísse o candidato do Missão no debate. Renan não estava entre os participantes inicialmente confirmados e conseguiu a inclusão por decisão judicial na noite de quinta-feira.
Flávio Bolsonaro anunciou a desistência pouco antes do debate. Em publicação nas redes sociais, atribuiu sua decisão ao que chamou de “censura” imposta ao evento pelo TSE. Posteriormente, afirmou que não concordava com a interferência do Judiciário nas regras eleitorais e realizou uma live às 21h30, horário em que começaria o debate.
A Globo anunciou o cancelamento pouco antes das 21h. A emissora afirmou que as decisões recebidas nas horas anteriores alteravam regras acordadas previamente com os partidos e provocavam insegurança jurídica para a realização do encontro.
Lula no Flow, Flávio em live e candidatos reagem
Enquanto o debate não aconteceu, Lula participou do Flow Podcast. Durante a entrevista, o presidente justificou a ausência e classificou o modelo de debate com vários candidatos como “infrutífero”. Lula também abordou temas da campanha, do governo e do cenário político nacional.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, reuniu aliados em uma transmissão pela internet. Durante a live, voltou a criticar a decisão do TSE e a ausência de Lula no debate. O candidato afirmou que sua equipe estava preparada para comparecer à Globo, mas que decidiu substituir a participação pela transmissão on-line.
Renan Santos, que havia conseguido no STF o direito de participar do debate, foi para a frente dos Estúdios Globo após o cancelamento. Diante de apoiadores, criticou a ausência dos adversários e convidou Flávio Bolsonaro para realizar um debate em outro local.
Os candidatos Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, que já estavam nos estúdios, também se manifestaram. Caiado classificou o cancelamento como um “atentado à democracia brasileira” e criticou Lula e as decisões judiciais. Zema afirmou que o episódio representava desrespeito aos eleitores e também questionou a atuação do Judiciário. Cury criticou as ausências de Lula e Flávio e defendeu mudanças nas regras relacionadas aos mandatos dos ministros do STF. As declarações representam as avaliações dos próprios candidatos sobre o episódio.
O cancelamento também provocou reação de entidades representativas dos veículos de comunicação. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram uma nota conjunta manifestando “profunda indignação” com a intervenção judicial nas regras do debate.
Na manifestação, as entidades classificaram o episódio como uma “agressão à liberdade de imprensa” e afirmaram que as decisões modificaram regras que haviam sido acertadas anteriormente entre a Globo e os partidos. A avaliação é das três associações.
Com o cancelamento, o último debate televisivo previsto antes do primeiro turno, marcado para domingo (4), não foi realizado. Lula e Flávio optaram por formatos digitais naquela noite, enquanto os demais candidatos que participariam do encontro se manifestaram sobre a suspensão do programa.



