Processo aguarda manifestações de órgãos federais, enquanto canal “Exército do Dudu” amplia campanha por nova votação; deputada eleita Ana Paula Mendes também se posicionou
A ação apresentada pelo PSD para garantir a realização do segundo turno da eleição para governador do Rio de Janeiro teve nova movimentação no Supremo Tribunal Federal (STF). Sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, o processo avançou para a etapa de manifestações dos órgãos federais, enquanto apoiadores de Eduardo Paes intensificaram a mobilização por uma nova votação. Nas redes sociais, a campanha ganhou força com a criação do canal de WhatsApp “Exército do Dudu”.
A movimentação processual mais recente, divulgada nesta terça-feira (27), envolve o encaminhamento da ação à Advocacia-Geral da União (AGU). A Procuradoria-Geral da República (PGR) também deverá se manifestar. Até o momento, o Supremo não determinou a realização do segundo turno.
Fora dos tribunais, a pressão política também aumentou. Criado por apoiadores de Paes, o canal “Exército do Dudu” passou a reunir eleitores e lideranças favoráveis à continuidade da disputa eleitoral. Na manhã desta quarta-feira (28), o canal já havia ultrapassado 220 mil seguidores no WhatsApp.
A mobilização inclui manifestações de representantes políticos que questionam o encerramento da eleição estadual no primeiro turno. Entre eles está a deputada estadual eleita Ana Paula Mendes, que publicou um vídeo nas redes sociais sobre o assunto.
A campanha digital busca ampliar a repercussão da ação judicial e manter em debate a possibilidade de uma segunda votação. A decisão, no entanto, depende do julgamento do STF.
Entenda a disputa que chegou ao Supremo
O PSD acionou o Supremo após a retotalização dos votos da eleição para governador do Rio de Janeiro, determinada em razão do indeferimento do registro de candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos).
Na apuração inicial, Douglas Ruas (PL) havia recebido 49,27% dos votos atribuídos aos candidatos, enquanto Eduardo Paes somava 42,76%. Com a exclusão dos 274.411 votos recebidos por Garotinho, o percentual de Ruas passou a 50,88% dos votos válidos, índice suficiente para sua eleição em primeiro turno.
O partido de Paes questiona os efeitos da exclusão sobre o cálculo da maioria absoluta. A legenda argumenta que a anulação posterior dos votos não deveria afastar a necessidade de uma segunda votação entre os dois candidatos mais votados.
Identificada como ADPF 1362, a ação foi apresentada em 14 de outubro. Dois dias depois, o ministro Cristiano Zanin solicitou informações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em resposta, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, apontou obstáculos técnicos para a realização do segundo turno na data originalmente prevista, 25 de outubro. O PSD também apresentou um pedido alternativo para que a votação ocorra em outra data, antes da diplomação ou da posse dos eleitos.
Com o prazo original ultrapassado, o processo continua em tramitação e aguarda novas manifestações e a análise do relator.
Enquanto não houver decisão judicial que altere o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, Douglas Ruas permanece como governador eleito do Rio de Janeiro.



