O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 22 pessoas por integrar uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro para diferentes facções criminosas que atuam no país. A operação, deflagrada nesta quarta-feira (15), cumpre 10 mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), em conjunto com a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) da Polícia Civil. Segundo o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura financeira sofisticada voltada à ocultação da origem de recursos provenientes de atividades criminosas.
De acordo com a denúncia, os investigados utilizavam empresas de fachada, muitas delas recém-criadas, além de “laranjas”, depósitos fracionados, cooptação de contadores e outras estratégias para inserir recursos ilícitos no sistema financeiro e dificultar o rastreamento dos valores.
Durante a investigação, o GAECO analisou centenas de movimentações bancárias e a atividade financeira de diversas empresas ligadas aos denunciados. O Ministério Público afirma que foram identificadas movimentações de dezenas de milhões de reais, incompatíveis com a capacidade financeira dos investigados e das empresas utilizadas no esquema.
Entre os principais alvos da denúncia está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, apontada como uma das principais operadoras financeiras da organização. Segundo o MPRJ, ela administrava empresas que movimentaram valores milionários sem justificativa econômica compatível.
A denúncia também destaca a atuação de um núcleo formado por empresários de nacionalidade libanesa, entre eles os irmãos Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, apontados como integrantes da estrutura de lavagem de dinheiro.
Além deles, foram denunciados Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Yago Jorge de Souza Daniel, Samuel Morais da Hora, Ali Alfakih, Lucas Gabriel Vidal, Bárbara de Oliveira Rosa, Matheus Victor Duarte Borba, Alax Francesco Bigonha, Bruno Fabio Gonçalves Valiengo, Pablo Leonardo Gonçalves Valiengo, Robson Teles de Farias, Yussef Awad, Rafael Moraes de Melo, Wanderson dos Santos Viana, Luana da Silva Batista, Fouad Mohamad Dib, Kassem Mohamad Diab e Manoel Simão Reinaldo Gomes Filho.
Segundo o Ministério Público, o grupo atuava oferecendo suporte financeiro a diferentes organizações criminosas, permitindo que recursos obtidos por atividades ilícitas fossem incorporados ao mercado formal por meio de operações aparentemente legais.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes da rede e ampliar o rastreamento do patrimônio movimentado pelo grupo.
O espaço permanece aberto para manifestação das defesas dos denunciados.



