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Justiça suspende comissão da Alerj criada para conter gastos do Estado

Liminar aponta falta de finalidade específica na criação do colegiado; Assembleia informa que recorrerá da decisão ao Tribunal de Justiça
Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro durante sessão legislativa.
Justiça suspende comissão criada pela Alerj para analisar gastos públicos. Assembleia informa que recorrerá da decisão ao TJ-RJ I Imagem: Divulgação Alerj

A Justiça do Rio de Janeiro determinou a suspensão da Comissão Especial de Contenção dos Gastos Públicos, criada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para analisar as despesas do governo estadual. A decisão liminar foi proferida pela juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital.

Na avaliação da magistrada, a comissão foi instituída sem definir um objeto específico de atuação, requisito considerado essencial para a criação de comissões parlamentares temporárias. Para a Justiça, a ausência dessa delimitação pode levar o colegiado a exercer atribuições que já pertencem a órgãos permanentes de fiscalização, como a Comissão de Orçamento da própria Alerj e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

A decisão suspende os trabalhos da comissão até nova deliberação judicial.

Entenda o que motivou a decisão

A Comissão Especial foi criada em maio deste ano por ato do presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), com a finalidade de elaborar um relatório sobre as últimas cinco execuções orçamentárias do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Assembleia, o objetivo era identificar quais órgãos apresentaram crescimento das despesas acima da arrecadação desde 2022 e, ao final dos trabalhos, propor medidas para restabelecer o equilíbrio fiscal das contas estaduais.

No entanto, uma Ação Popular questionou a legalidade da criação do colegiado, alegando que a comissão teria sido instituída sem um fato determinado a ser investigado e poderia representar um desvio de finalidade.

Ao analisar o pedido, a juíza entendeu que a finalidade prevista no ato de criação era genérica e permitia uma atuação ampla, sem os limites exigidos para uma comissão temporária.

Contexto político envolve disputa entre os Poderes

A criação da comissão ocorreu em meio à disputa institucional envolvendo a sucessão do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Após a vacância dos cargos de governador e vice-governador, o presidente da Alerj buscou assumir interinamente o comando do Executivo. O Supremo Tribunal Federal (STF), entretanto, decidiu que a chefia provisória do Estado caberia ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Ricardo Couto.

Na ação, o autor sustentou que a comissão teria sido criada em um contexto de tensão política entre os Poderes e poderia ser utilizada como instrumento de pressão sobre integrantes do Executivo e do Judiciário.

Embora tenha mencionado esse contexto, a magistrada destacou que a suspensão foi fundamentada principalmente nos aspectos jurídicos da criação do colegiado, especialmente na ausência de um objeto específico para sua atuação.

Alerj afirma que recorrerá

Em nota, a Assembleia Legislativa informou que a Procuradoria da Alerj recorrerá da decisão ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Casa, a Comissão Especial foi criada para elaborar um estudo detalhado sobre as últimas cinco execuções orçamentárias do Estado, identificar áreas com aumento de despesas e apresentar propostas voltadas ao equilíbrio fiscal.

A Alerj também afirmou que pretende defender a continuidade dos trabalhos da comissão e a preservação da autonomia do Poder Legislativo.

O que acontece agora

Como a decisão foi concedida em caráter liminar, a suspensão da comissão permanece válida até nova manifestação da Justiça ou eventual reforma da decisão pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Caso o recurso da Alerj seja aceito, os trabalhos poderão ser retomados. Se a liminar for mantida, a discussão seguirá durante o julgamento do mérito da ação.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

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