Clovis Eduardo, conhecido como Clovis Batebola, prepara uma série especial de charges para a Prensa de Babel. A iniciativa nasce de uma vontade pessoal do artista de voltar a expressar opiniões por meio do desenho, usando o humor gráfico para comentar acontecimentos, comportamentos e questões sociais.
Não se trata de uma retomada de carreira. Clovis continua desenvolvendo seu trabalho no circuito independente internacional e está próximo de concluir a graduação em antropologia, prevista para menos de um ano. As charges surgem, portanto, como outra possibilidade de manifestação artística e de participação no debate público.
Natural de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, Batebola tem uma trajetória que atravessa o ativismo cultural, a comunicação, a fotografia e os quadrinhos. Seu trabalho ganhou projeção internacional com O Kingdom Come, HQ ambientada no antigo Império Núbio africano. A produção foi incluída pelo portal americano Comic Book Resources (CBR) entre as 35 melhores histórias em quadrinhos independentes e rendeu ao artista o prêmio Glyph Comics Awards, na categoria Melhor Artista (Best Comic Artist).
A relação entre arte, identidade e memória também aparece em A Glória Manifesta – O Conto da Faísca, obra dedicada à história e à cultura quilombola de São Pedro da Aldeia. É uma dimensão importante de sua produção, marcada pelo interesse em personagens, territórios e narrativas que frequentemente ficam à margem dos espaços tradicionais de representação.
Antes de conquistar reconhecimento no universo dos quadrinhos, Clovis já era conhecido na Região dos Lagos por sua atuação na comunicação independente e no ativismo cultural. Também transitou pela música, em projetos ligados à black music.
A parceria com a Prensa de Babel aproxima o público regional de uma produção autoral que não se limita à ilustração de acontecimentos. A proposta é que as charges funcionem como comentários independentes sobre o cotidiano, a cultura e a sociedade, com a liberdade de abordagem própria do desenho de opinião.
Para o portal, a chegada de Batebola amplia o espaço dedicado ao humor gráfico e à produção cultural independente. Para o artista, é uma oportunidade de colocar novamente suas opiniões no papel — desta vez, em uma série concebida especialmente para a publicação.






