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Cidades

Reportagem divulgada na capa do jornal norte-americano The New York Times em 2015 que aborda naturalização da letalidade policial na sociedade brasileira acaba por exemplificar uma imagem típica dos grandes jornais brasileiros, o negro sempre, de alguma forma, em uma cena de violência ou de pobreza. No caso é bem sociológica a imagem, policiais negros atrás de bandidos negros entre uma população de negros das favelas do Rio.
Reportagem divulgada na capa do jornal norte-americano The New York Times em 2015 que aborda naturalização da letalidade policial na sociedade brasileira acaba por exemplificar uma imagem típica dos grandes jornais brasileiros, o negro sempre, de alguma forma, em uma cena de violência ou de pobreza. No caso é bem sociológica a imagem, policiais negros atrás de bandidos negros entre uma população de negros das favelas do Rio.

Por Victor Viana

19-11-pele-marca-o-1000-gol
Durante anos Pelé era o único negro que aparecia em capas do Jornal do Brasil.

“O que os jornais precisam é de um contraponto da imagem do negro”. Essa foi a frase que o professor de literatura, rapper e ativista das causas de igualdade racial, Fábio Emecê, me disse quando conversarmos sobre o meu projeto, que começou intuitivo, de buscar incluir nos veículos de comunicação em que atuo os três “grupos” que inclui em um sistema simples, e em construção contínua, a que chamei de TRIPÉ – Ato pratico para fazer jornalismo ativo em redações passivas (não é uma sigla). Pra explicar rapidamente se trata da busca, através da forçação da pauta, por inserir de forma afirmativa; a MULHER, O NEGRO, O HOMOSSEXUAL, na imprensa.

O contraponto do qual Fábio falava estava relacionado ao fato de que o negro ainda surge em maior destaque em veículos de comunicação nas paginas policiais, fortalecendo o estereotipo preconceituoso e racista de que “todo preto é bandido”. Nesse sentido os jornais impressos (e hoje as pragas desses programas policiais da TV), na maioria veículos pragmáticos, prestam um desserviço ao progresso social, fazem uma espécie de “evangelização” perversa no inconsciente coletivo. É a imagem do negro na viatura, de cabeça baixa exposto para a imprensa. Fábio é um intelectual, um artista, por acaso é negro, mas não por acaso luta pela causa do negro no Brasil. Fábio é um contraponto. O desafio, neste caso especifico,é abrir os espaços secularmente fechados dos veículos para que o intelectual negro tenha espaço para expor seu pensamento, e que também esteja ali a sua foto, a sua imagem, imagem de homem negro.

Assim se dá com a mulher. Ela tem espaço na imprensa? Talvez com o tempo esse espaço tenha sido em pequeno grau, de alguma forma, um pouco ocupado. Mas o ambiente da imprensa também é machista. Os veículos, em sua grande maioria, ainda querem “vender” o corpo da mulher, por exemplo. Fato. Aqui também é preciso buscar o contraponto.

O homossexual. Como eles estão sendo apresentados, que espaço tem sido dado durante anos a eles nos jornais e na TV? Que imagem, que mensagem quer ou se precisa passar do homossexual na imprensa? Assim como a mulher e o negro, é o homossexual que tem que dizer. Mas como dizer? Como dizer em um sistema que não tem a preocupação de escutar e de publicar o contraponto que forma esse tripé de seres humanos excluídos e perseguidos ao longo da história? Em primeiro lugar é preciso partir deles mesmos. Mas só desejo não basta, porque as engrenagens para impedir uma mudança nesse cenário de exclusão nos meios de comunicação são pesadas e também mantidas por forças politicas e econômicas reacionárias que financiam a maioria dos veículos existentes. É assim nas capitais e no interior. Então é preciso que alguém que esteja dentro dessa engrenagem seja o “terrorista”, o subversivo. E esse só pode ser o jornalista.

É o jornalista consciente de seu papel social, o aliado. Como? Forçando a pauta. Já que nem todos podem viver da função dentro de veículos progressistas, onde a busca por essa inclusão social viria da própria direção, que sejamos dentro dos veículos pragmáticos e conservadores o câncer silencioso que se espalha pela redação pauta a pauta, até que o espaço dado a Mulher, ao negro e ao homossexual seja cada vez maior objetivando a retratar nos jornais e outros veículos a pluralidade social que existe.

Essa ação é possível evidentemente em um estado democrático, porque a arma que temos para revidar a diretoria reacionária, ou mesmo os patrões, é o constrangimento. Porque estamos falando de direitos conquistados com luta pelos membros do tripé. Caso haja indagação: “Senhor Patrão, por que não há negros no jornal?”,”Mas a união civil foi um direito conquistado pelos homossexuais. É lei”,”O número de estupros é muito grande. E não é a mulher a culpada”. Pode parecer fácil essa ação para os menos informados da pressão dos grupos reacionários sobre as redações. Mas não é. O jornalista que buscar a inserção do tripé de forma disciplinada e ativa (é um ativismo mesmo) pode sofrer retaliações que não raro culminam na perda do emprego, por exemplo.

Esse é só o primeiro artigo sobre algo que venho exercitando de forma intuitiva e prática há alguns anos. Agora é abrir a discussão e buscar nela, em especial, os personagens que compõe o tripé para serem os protagonistas desse processo. Continua.

Leia mais artigos e crônicas de Victor Viana no LINK 

Artigo publicado originalmente em Brasil 247 

Um contraponto

Reportagem divulgada na capa do jornal norte-americano The New York Times em 2015 que aborda naturalização da letalidade policial na sociedade brasileira acaba por exemplificar uma imagem típica dos grandes jornais brasileiros, o negro sempre, de alguma forma, em uma cena de violência ou de pobreza. No caso é bem sociológica a imagem, policiais negros atrás de bandidos negros entre uma população de negros das favelas do Rio.
Reportagem divulgada na capa do jornal norte-americano The New York Times em 2015 que aborda naturalização da letalidade policial na sociedade brasileira acaba por exemplificar uma imagem típica dos grandes jornais brasileiros, o negro sempre, de alguma forma, em uma cena de violência ou de pobreza. No caso é bem sociológica a imagem, policiais negros atrás de bandidos negros entre uma população de negros das favelas do Rio.

Por Victor Viana

19-11-pele-marca-o-1000-gol
Durante anos Pelé era o único negro que aparecia em capas do Jornal do Brasil.

“O que os jornais precisam é de um contraponto da imagem do negro”. Essa foi a frase que o professor de literatura, rapper e ativista das causas de igualdade racial, Fábio Emecê, me disse quando conversarmos sobre o meu projeto, que começou intuitivo, de buscar incluir nos veículos de comunicação em que atuo os três “grupos” que inclui em um sistema simples, e em construção contínua, a que chamei de TRIPÉ – Ato pratico para fazer jornalismo ativo em redações passivas (não é uma sigla). Pra explicar rapidamente se trata da busca, através da forçação da pauta, por inserir de forma afirmativa; a MULHER, O NEGRO, O HOMOSSEXUAL, na imprensa.

O contraponto do qual Fábio falava estava relacionado ao fato de que o negro ainda surge em maior destaque em veículos de comunicação nas paginas policiais, fortalecendo o estereotipo preconceituoso e racista de que “todo preto é bandido”. Nesse sentido os jornais impressos (e hoje as pragas desses programas policiais da TV), na maioria veículos pragmáticos, prestam um desserviço ao progresso social, fazem uma espécie de “evangelização” perversa no inconsciente coletivo. É a imagem do negro na viatura, de cabeça baixa exposto para a imprensa. Fábio é um intelectual, um artista, por acaso é negro, mas não por acaso luta pela causa do negro no Brasil. Fábio é um contraponto. O desafio, neste caso especifico,é abrir os espaços secularmente fechados dos veículos para que o intelectual negro tenha espaço para expor seu pensamento, e que também esteja ali a sua foto, a sua imagem, imagem de homem negro.

Assim se dá com a mulher. Ela tem espaço na imprensa? Talvez com o tempo esse espaço tenha sido em pequeno grau, de alguma forma, um pouco ocupado. Mas o ambiente da imprensa também é machista. Os veículos, em sua grande maioria, ainda querem “vender” o corpo da mulher, por exemplo. Fato. Aqui também é preciso buscar o contraponto.

O homossexual. Como eles estão sendo apresentados, que espaço tem sido dado durante anos a eles nos jornais e na TV? Que imagem, que mensagem quer ou se precisa passar do homossexual na imprensa? Assim como a mulher e o negro, é o homossexual que tem que dizer. Mas como dizer? Como dizer em um sistema que não tem a preocupação de escutar e de publicar o contraponto que forma esse tripé de seres humanos excluídos e perseguidos ao longo da história? Em primeiro lugar é preciso partir deles mesmos. Mas só desejo não basta, porque as engrenagens para impedir uma mudança nesse cenário de exclusão nos meios de comunicação são pesadas e também mantidas por forças politicas e econômicas reacionárias que financiam a maioria dos veículos existentes. É assim nas capitais e no interior. Então é preciso que alguém que esteja dentro dessa engrenagem seja o “terrorista”, o subversivo. E esse só pode ser o jornalista.

É o jornalista consciente de seu papel social, o aliado. Como? Forçando a pauta. Já que nem todos podem viver da função dentro de veículos progressistas, onde a busca por essa inclusão social viria da própria direção, que sejamos dentro dos veículos pragmáticos e conservadores o câncer silencioso que se espalha pela redação pauta a pauta, até que o espaço dado a Mulher, ao negro e ao homossexual seja cada vez maior objetivando a retratar nos jornais e outros veículos a pluralidade social que existe.

Essa ação é possível evidentemente em um estado democrático, porque a arma que temos para revidar a diretoria reacionária, ou mesmo os patrões, é o constrangimento. Porque estamos falando de direitos conquistados com luta pelos membros do tripé. Caso haja indagação: “Senhor Patrão, por que não há negros no jornal?”,”Mas a união civil foi um direito conquistado pelos homossexuais. É lei”,”O número de estupros é muito grande. E não é a mulher a culpada”. Pode parecer fácil essa ação para os menos informados da pressão dos grupos reacionários sobre as redações. Mas não é. O jornalista que buscar a inserção do tripé de forma disciplinada e ativa (é um ativismo mesmo) pode sofrer retaliações que não raro culminam na perda do emprego, por exemplo.

Esse é só o primeiro artigo sobre algo que venho exercitando de forma intuitiva e prática há alguns anos. Agora é abrir a discussão e buscar nela, em especial, os personagens que compõe o tripé para serem os protagonistas desse processo. Continua.

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Artigo publicado originalmente em Brasil 247 

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