Armação dos Búzios voltou ao centro da disputa nacional pelos royalties do petróleo após registrar um salto explosivo nos repasses ligados às participações especiais da indústria offshore. Dados divulgados em relatório técnico da Prefeitura de São João da Barra mostram que o município saiu de R$ 16,6 mil recebidos em fevereiro para R$ 975,7 mil em maio de 2026, crescimento de 5.775,6%.
Embora a comparação parta de uma base muito baixa, o avanço reforça uma mudança importante no peso político e financeiro que o petróleo voltou a ter para Búzios. O salto acontece poucos dias após o município conquistar na Justiça o reconhecimento de valores retroativos ligados aos royalties, em uma vitória considerada estratégica pelo governo municipal.
A decisão garantiu a entrada de milhões de reais nos cofres da prefeitura e recolocou Búzios dentro do grupo de cidades fluminenses que passaram a acompanhar diretamente o julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a redistribuição nacional dos royalties. Historicamente associada ao turismo de luxo, Búzios sempre ocupou uma posição secundária no mapa político do petróleo fluminense quando comparada a cidades como Macaé, Campos ou Maricá.
O cenário começou a mudar
Com crescimento populacional acelerado, aumento da pressão urbana e expansão dos custos públicos, o município passou a enxergar as receitas petrolíferas como instrumento cada vez mais importante para investimentos em infraestrutura, mobilidade, saneamento e serviços urbanos. Nos bastidores do estado, prefeitos tratam o julgamento do STF como uma disputa de sobrevivência fiscal.
A Corte analisa a constitucionalidade da lei de 2012 que amplia a divisão dos royalties para estados e municípios não produtores. Municípios fluminenses afirmam que a mudança pode provocar perdas bilionárias e desorganizar as finanças locais.
Em Búzios, o tema ganhou dimensão política após a recente vitória judicial envolvendo royalties atrasados. O caso fortaleceu o discurso de que o município também sofre impactos diretos da cadeia offshore e precisa ampliar participação nas compensações financeiras do petróleo. Hoje, a discussão deixou de ser apenas técnica. Ela envolve diretamente o modelo econômico da cidade.
Búzios segue dependente do turismo, mas enfrenta desafios crescentes ligados à sazonalidade, superlotação, mobilidade urbana e pressão ambiental. Dentro do governo municipal, a avaliação é que receitas extraordinárias ligadas ao petróleo ajudam a ampliar capacidade de investimento sem elevar ainda mais a dependência da atividade turística. Por trás da disputa jurídica no STF, o que cidades como Búzios tentam garantir é espaço em uma das maiores engrenagens financeiras do estado do Rio de Janeiro.
Interior do Rio amplia pressão sobre royalties
- Cabo Frio saltou de R$ 105,7 mil para R$ 4 milhões em participações especiais entre fevereiro e maio de 2026, alta de 3.728%.
- Rio das Ostras passou de R$ 1,67 milhão para R$ 3,95 milhões no mesmo período. O município virou um dos mais ativos politicamente na defesa dos royalties no interior fluminense.
- Macaé, principal base operacional offshore do país, saiu de R$ 1,16 milhão para R$ 2 milhões em três meses.
- Arraial do Cabo recebeu R$ 445 mil em maio após praticamente zerar os repasses em fevereiro.



