A pesca na Lagoa de Araruama registrou crescimento de 19,4% nos primeiros oito meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O volume acumulado de pescados e crustáceos passou de 381,4 toneladas para 455,4 toneladas, segundo dados do projeto Estatística Pesqueira da Lagoa de Araruama, desenvolvido pela Universidade Veiga de Almeida (UVA) em parceria com a Prolagos.
O levantamento acompanha a atividade pesqueira nos municípios do entorno da laguna e permite observar a evolução dos desembarques ao longo do ano. Os números de 2026 mostram São Pedro da Aldeia na liderança da produção acumulada até agosto.
No município, foram registradas mais de 231 toneladas de peixes e 11,4 toneladas de camarão. Arraial do Cabo aparece com 89,7 toneladas, enquanto Cabo Frio contabilizou 82,8 toneladas de camarão e Iguaba Grande, 60,5 toneladas, conforme os dados divulgados pelo projeto.
O camarão-rosa manteve participação importante na produção em agosto. Em São Pedro da Aldeia, o desembarque da espécie passou de 2,7 toneladas em julho para 3,3 toneladas em agosto, aumento de 20,8% em um mês. Cabo Frio registrou outras 17 toneladas no período.
Os dados de agosto foram registrados durante o período de defeso para a pesca de peixes em Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande. A restrição não impediu a continuidade da captura de camarão nas condições previstas para a atividade.
Crescimento é associado à condição ambiental
Para Eduardo Pimenta, coordenador do projeto e do Grupo de Estudos da Pesca da UVA, o crescimento dos desembarques é um indicador da condição ambiental da Lagoa de Araruama.
“O avanço constante nos índices de captura mostra a boa saúde ambiental da laguna. Esse cenário permite a rápida recuperação dos estoques pesqueiros após os períodos de defeso”, afirmou.
Essa interpretação é uma avaliação do pesquisador responsável pelo levantamento. O aumento do volume capturado, isoladamente, não permite concluir que houve melhora ambiental, já que a produção pesqueira também pode ser influenciada por fatores como esforço de pesca, número de pescadores e embarcações, condições climáticas, espécies capturadas e períodos de defeso.
A Prolagos relaciona ainda a evolução dos resultados aos investimentos em saneamento básico realizados no entorno da laguna, incluindo ampliação de sistemas de coleta e tratamento de esgoto. O material divulgado, entretanto, não apresenta uma análise estatística que estabeleça relação direta de causa e efeito entre essas intervenções e o crescimento de 19,4% registrado nas capturas.
Além da dimensão ambiental, os números mostram o peso econômico da atividade. Segundo os dados do projeto, a pesca artesanal na Lagoa de Araruama movimenta aproximadamente R$ 3 milhões por ano na primeira comercialização do pescado e beneficia diretamente cerca de 1.200 famílias.
Os resultados chegam durante o período de defeso da Lagoa de Araruama, iniciado em 1º de agosto e previsto até 31 de outubro, quando há restrições à captura para favorecer a reprodução e recuperação dos estoques pesqueiros.



