Uma fala do vereador Amaro Luiz (PV) sobre “macho estrutural” voltou ao centro do debate político em Macaé nesta terça-feira (18), depois de repercutir nas redes sociais e provocar manifestações de duas mulheres ligadas à política local: a secretária de Ensino Superior, Iza Vicente, e a vereadora Leandra Lopes (PT).
O episódio começou a partir de um vídeo publicado por um veículo de imprensa com um recorte de uma fala anterior de Amaro. No trecho, o vereador ironiza a expressão “macho estrutural” ao comentar uma referência feita a ele.
“Obrigado pela nomenclatura de macho estrutural. Ainda bem que não é gay estrutural. Nada contra gay, adoro essas pessoas. Mas não sou gay. Macho estrutural está muito bem colocado para mim. Porque eu sou estruturado sim. Uma estrutura de 65 anos que para derrubar é difícil”, afirmou.
A declaração provocou uma manifestação de Iza Vicente. Segundo ela, que já foi vereadora de Macaé e teve debates políticos com Amaro, o parlamentar não teria compreendido o conceito utilizado na discussão sobre machismo estrutural.
Na sessão desta terça, Amaro voltou ao assunto para contestar a repercussão do vídeo. O vereador afirmou que a fala havia sido retirada de um contexto mais amplo e lembrou projetos e discussões da Câmara relacionados à proteção das mulheres.
“Eu sei muito bem o que é macho estrutural, mas eu não queria entender. Para não dar volume à discussão. E aí eu falei de maneira descontraída sobre macho estrutural e isso foi suficiente para que eles esquecessem todas as ações que fizemos aqui em defesa da mulher”, afirmou.
Amaro também disse ter sido alvo de ataques políticos e criticou setores da esquerda. Foi nesse ponto que Leandra Lopes pediu a palavra para fazer uma distinção entre as críticas dirigidas ao vereador e a atuação de todo um campo político.
“Não generalize a esquerda. Existem inúmeras pessoas nesse movimento e até por muito respeito que eu tenho a você”, disse Leandra.
A vereadora afirmou que a generalização também a atingia diretamente por ser uma mulher, vereadora e militante do PT.
“Sou vereadora de esquerda e do PT. Falo, não escondo e não deixo de declarar as minhas opiniões. Mas acho que precisamos fazer essa separação pessoal”, afirmou.
A intervenção de Leandra deslocou o debate. Em vez de responder apenas à crítica feita ao vídeo, a vereadora tratou da necessidade de separar a responsabilidade individual de manifestações políticas de uma caracterização coletiva de quem atua na esquerda.
Amaro voltou à tribuna e disse que a generalização havia ocorrido porque, segundo ele, as críticas partiram de um grupo numeroso. O vereador também afirmou que sua posição não está alinhada integralmente nem à direita nem à esquerda.
Ao final, pediu desculpas a Leandra caso a fala tivesse sido interpretada como uma ofensa pessoal.
O episódio deixou em segundo plano a disputa partidária que havia motivado a reação inicial de Amaro e recolocou no plenário uma discussão recorrente na política local: como o debate sobre machismo e defesa das mulheres é interpretado quando atravessado por disputas políticas.
A fala que deu origem ao episódio, no entanto, continua sendo o ponto de partida da controvérsia. Para Iza, o conceito de “macho estrutural” utilizado na discussão não foi compreendido por Amaro. Para o vereador, o recorte da declaração produziu uma leitura que desconsiderou sua atuação parlamentar em pautas relacionadas às mulheres.



