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Silêncio no Fishbone

Beach club histórico da Praia de Geribá interrompe atividades após 26 anos para reavaliar o negócio; expectativa no mercado local é de que o espaço volte a operar ainda em 2026
A espinha de peixe de ferro,logpo do Fishbone, virou um dos símbolos mais reconhecíveis da Praia de Geribá — um totem informal da noite buziana  - Divulgação
A espinha de peixe de ferro,logpo do Fishbone, virou um dos símbolos mais reconhecíveis da Praia de Geribá — um totem informal da noite buziana - Divulgação

As portas doFishbone estão fechadas. Depois de mais de duas décadas de música, encontros e histórias atravessando noites na Praia de Geribá, o beach club mais emblemático de Búzios interrompeu suas atividades. A decisão, tomada pelos proprietários nas últimas semanas, pegou a cidade de surpresa e se tornou rapidamente o assunto da semana. Mas é possível que o lugar não tenha serrado as portas de vez e que seja apenas uma pausa para reavaliar o negócio.

Fontes ouvidas pela Prensa indicam que existe a expectativa de reabertura ainda este ano — embora ainda não esteja claro se a operação seguirá sob o mesmo grupo.

Fundado em 2000, o Fishbone se transformou rapidamente em um dos endereços mais conhecidos da noite brasileira. Mais que um bar de praia, virou uma espécie de praça informal de Geribá: palco de shows memoráveis, festas que atravessaram gerações e encontros que misturavam turistas, moradores e artistas sem muita cerimônia.

Por ali passaram temporadas inteiras de música ao vivo, DJs e eventos que viraram parte da memória afetiva da península. O último grande movimento foi neste verão, com o festival Verão Enel, que levou ao palco nomes como Xande de Pilares, Marcelo Falcão, Nando Reis e Toni Garrido.

O lugar nasceu da visão de Sebald, personagem quase folclórico da história recente de Búzios. Natural de Liechtenstein — um pequeno estado democrático sob monarquia constitucional — ele chegou jovem a Geribá e fez da praia seu território afetivo. Em fevereiro de 1993, o jornal O Perú Molhado, na verve irreverente de Marcelo Lartigue, o apelidou de “Príncipe de Búzios”. A brincadeira pegou.

Na época, Sebald tinha 28 anos. Décadas depois, já na casa dos 60, segue associado à construção de um dos espaços mais reconhecíveis da vida social buziana.

Entre as muitas tradições criadas ali, nenhuma foi tão simbólica quanto o Porquinho do Fishbone. O evento acontecia no meio da semana — já foi às terças, depois às quintas — e ajudou a mudar a rotina de uma cidade que, nos anos 1990 e início dos 2000, praticamente adormecia fora dos finais de semana.

O pretexto era simples: um porco assado. A ideia veio de um costume que Sebald mantinha com amigos em sua terra natal, quando assavam carne em fogueiras após caçadas nas florestas. Em Geribá, virou festa. O porquinho era só o motivo. O que importava era juntar gente numa noite que antes seria vazia.

Durante anos, funcionou.

O fechamento agora não é apenas a pausa de um negócio. Ele revela algo maior: a mudança do próprio ritmo da noite em Búzios. A cidade que, nos anos 2000, vivia uma explosão de bares e clubes voltados para um público jovem e noturno passou por transformações profundas.

O turismo ficou mais distribuído ao longo do dia. Restaurantes ganharam protagonismo. Hotéis investiram em experiências internas. Eventos migraram para formatos sazonais, festivais curtos ou programações concentradas no verão. Ao mesmo tempo, a pressão imobiliária, os custos operacionais e as novas dinâmicas de consumo mudaram o cálculo de manter casas grandes abertas o ano inteiro.

Há também um deslocamento geracional. Parte do público que cresceu dançando em pistas como a do Fishbone hoje busca outros formatos de lazer. E os mais jovens já chegam a Búzios com hábitos diferentes — menos fixos a um único lugar, mais fragmentados entre música, gastronomia, praia e eventos pontuais.

Nesse cenário, o silêncio atual pode significar apenas estratégia.

Se voltar, o Fishbone provavelmente não será apenas o que foi. Mas a própria história do lugar mostra que ele sempre soube se reinventar.

Porque, em Búzios, poucos espaços conseguiram fazer da areia de Geribá um ponto de encontro tão duradouro quanto aquele deck de madeira voltado para o mar.

E memória, na noite de uma cidade, costuma ser o primeiro passo para recomeçar.

Sebald aos 28 anos na capa do jornal Perú Molhado, em fevereiro de 1993, quando foi apelidado de “Príncipe de Búzios” pela verve irreverente de Marcelo Lartigue — um título em tom de brincadeira que atravessou décadas da história da cidade.

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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