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Firjan lança Anuário do Petróleo em Macaé e aponta nova fase de crescimento no Norte Fluminense; valores se aproximam de R$ 3 bilhões

Publicação mostra avanço da produção na Bacia de Campos, enquanto município projeta chegar a 400 mil barris por dia em 2026 e prepara fundo para receitas do petróleo
Lançamento do Anuário do Petróleo no Rio 2026 realizado pela Firjan em Macaé.
Firjan lançou em Macaé a 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio, com recorte dedicado ao Norte Fluminense. Foto: Moises Bruno

Macaé voltou ao centro das discussões sobre o futuro da indústria de petróleo e energia no estado nesta quinta-feira (3), com o lançamento da 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio, realizado pela Firjan na sede da entidade no município. A publicação ganhou um recorte específico do Norte Fluminense e reúne indicadores que mostram a retomada da produção na Bacia de Campos e os reflexos desse movimento na economia regional.

Os números apresentados pela Firjan mostram que a Bacia de Campos alcançou produção média de 741 mil barris de petróleo por dia em 2025, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Nos primeiros sete meses de 2026, a média diária ficou 11% acima da registrada em 2025, reforçando, segundo a entidade, a trajetória de recuperação de uma bacia que se aproxima de cinco décadas de atividade.

Macaé aparece nesse cenário não apenas como base histórica da indústria offshore, mas também como município que se prepara para uma nova expansão do setor. Durante o lançamento, o prefeito Welberth Rezende afirmou que a produção associada à cidade está atualmente em cerca de 370 mil barris por dia, com previsão de alcançar 400 mil até o fim deste ano.

Segundo Rezende, em reunião com a Petrobras, a estatal apresentou uma perspectiva de chegar a 1 milhão de barris nos próximos cinco anos, sem considerar a produção das operadoras independentes.

“Estamos muito otimistas com o crescimento de Macaé. Este anuário com o recorte Norte Fluminense traz a análise disso. É um retrato deste momento positivo, de avanço, um momento de investimento na cidade”, afirmou o prefeito.

Firjan aponta transformação da Bacia de Campos

O Anuário mostra também uma mudança estrutural na indústria que sustenta parte importante da economia de Macaé e do Norte Fluminense.

De acordo com a Firjan, em 2010 cerca de 90% dos campos da porção fluminense da Bacia de Campos eram operados pela Petrobras. Em 2026, a estatal responde por pouco mais de 40%, enquanto os outros quase 60% estão divididos entre quatro empresas independentes.

A entidade relaciona o crescimento recente à revitalização dos campos maduros, à entrada de novos operadores e aos investimentos realizados na região.

Mais de 75% da produção da Bacia de Campos teve origem no estado do Rio em 2025. Na comparação com 2024, a produção do Norte Fluminense cresceu 4%. Nos primeiros sete meses deste ano, as médias diárias ficaram 5% acima das registradas em 2025, segundo o levantamento.

Os efeitos chegam diretamente às receitas dos municípios. As cidades do Norte Fluminense receberam quase R$ 3 bilhões em royalties e participações especiais em 2025, alta de 0,4% mesmo diante da redução do preço médio do petróleo naquele ano. Até junho de 2026, a arrecadação regional já correspondia a 56% de todo o valor recebido no ano passado.

No estado do Rio, a produção chegou a aproximadamente 1,2 bilhão de barris em 2025, média de cerca de 3,3 milhões de barris por dia. Segundo o Anuário, o volume representa crescimento de 13% em relação a 2024, enquanto a participação fluminense na produção nacional chegou a 88%.

Durante o encontro em Macaé, a Firjan também colocou em debate como transformar o novo ciclo de investimentos em desenvolvimento de longo prazo. Participaram das discussões representantes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Prefeitura e especialistas da Federação.

O analista de Pesquisa Energética da EPE, Carlos Augusto Pacheco, afirmou que o Norte Fluminense ocupa hoje uma posição estratégica também diante das mudanças no mercado energético.

“O Norte Fluminense está no centro da geopolítica energética, com várias oportunidades de reconfigurar ativos energéticos”, afirmou.

Para a gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, Macaé tem potencial para ampliar seu papel para além da produção de óleo e gás, integrando diferentes fontes e atividades ligadas à energia.

“Mais do que o município da energia, Macaé é o município da integração energética”, afirmou, ao citar perspectivas envolvendo geração eólica e outros projetos industriais.

A Prefeitura também apresentou durante o evento seus planos para aproveitar o atual ciclo econômico sem ampliar a dependência das receitas petrolíferas. Entre eles está a criação de um fundo municipal relacionado aos royalties, proposta que, segundo o município, já foi aprovada em audiência pública do Plano Diretor.

Welberth afirmou ainda que dois projetos devem ter peso relevante no novo ciclo de investimentos: o Raia, estimado pelo prefeito em US$ 9 bilhões, e investimentos relacionados à revitalização de campos maduros por meio do Promar. Os valores foram apresentados pelo prefeito durante o lançamento.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Silvio Mussi Lopes, Macaé tem previsão orçamentária de R$ 5,1 bilhões para este ano e atualmente cerca de 30% de sua receita tem origem nos royalties, enquanto 70% vêm de impostos e taxas.

A estratégia apresentada pelo município inclui ainda ampliação da atividade aeroportuária, termelétricas, produção agropecuária, turismo, instalação de fábrica de fertilizantes e investimentos na formação técnica e superior.

Para a Firjan, infraestrutura, inovação e tecnologia e a manutenção da relevância do setor de óleo e gás estão entre os pilares para o desenvolvimento regional. No lançamento, o coordenador da Comissão Intermunicipal da Firjan em Macaé, João Carlos da Silva, afirmou que a entidade pretende atuar para que o município avance como referência em inovação e tecnologia.

Além do recorte regional, o Anuário do Petróleo no Rio 2026 reúne análises da equipe técnica da Firjan e contribuições de instituições e empresas como EPE, Rystad Energy, Petrobras, PPSA, Siemens Energy, ABPIP, ONIP e outras organizações ligadas à indústria.

A Firjan também disponibilizou um painel dinâmico com os dados da publicação, permitindo consultar indicadores do setor e acompanhar o desempenho da indústria de petróleo e gás no estado.

Acesse os dados do Anuário do Petróleo no Rio 2026 da Firjan

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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