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Consultista usa IA para apoiar diálogo de pessoas atípicas

Consultista usa IA para apoiar diálogo de pessoas atípicas
Consultista usa IA para apoiar diálogo de pessoas atípicas

De acordo com o Censo Demográfico 2022, cerca de 1,2% da população brasileira (2,4 milhões de pessoas) possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ainda segundo a publicação do site Agência de Notícias IBGE, a ocorrência do transtorno foi mais elevada entre os homens, com taxa de 1,5%, enquanto entre as mulheres o índice foi de 0,9%.

Diante desse cenário, surgiu o Consultista, uma iniciativa brasileira dedicada ao uso estruturado de inteligência artificial (IA) como suporte à interpretação social de pessoas autistas e neurodivergentes. A plataforma funciona como uma tecnologia assistiva e tem como objetivo ampliar o uso da IA como ferramenta de apoio reflexivo, autonomia comunicacional e inclusão social.

Déborah Ribeiro de Carvalho, fundadora e idealizadora do Consultista, explica que o projeto nasceu a partir da observação clínica e da própria experiência em relação à necessidade constante de mediação social. Déborah é autista nível 1 de suporte.

Segundo ela, em muitos contextos, a interpretação de situações sociais depende da presença contínua de uma pessoa de suporte, que auxilie na compreensão do que ocorreu, do significado implícito da interação e de como agir de forma proporcional e adequada.

"A dificuldade de interpretação social impacta amplamente a vida acadêmica, profissional e familiar da pessoa autista. Parte significativa dessa sobrecarga decorre da ambiguidade das interações humanas e da ausência de um mecanismo estruturado que permita organizar, compreender e avaliar essas situações com autonomia", afirma.

Estrutura analítica para interpretação social

O Consultista opera a partir de um modelo proprietário de decodificação social estruturada, organizado em sete campos analíticos:

  1. Sentido literal: identificação objetiva do que foi dito ou ocorreu, delimitando os fatos concretos da interação sem inferências implícitas;
  2. Sentido figurado: análise de possíveis significados não literais, incluindo ironias, metáforas, indiretas ou variações implícitas de linguagem;
  3. Tom provável: avaliação da possível intenção comunicativa e da carga emocional envolvida, considerando contexto, escolha de palavras e dinâmica relacional;
  4. Interpretação social contextual: leitura da situação considerando fatores como hierarquia, ambiente, expectativas sociais e padrões comuns de interação;
  5. Exemplos comparativos: apresentação de situações semelhantes para auxiliar na identificação de padrões e ampliação de repertório interpretativo;
  6. Pergunta de checagem: sugestão de formulação clara e segura que o usuário pode utilizar para confirmar entendimento e reduzir risco de mal-entendidos;
  7. Passos de autorregulação rápida: orientações práticas e objetivas para reduzir sobrecarga interpretativa e emocional antes de qualquer resposta, como pausas estratégicas, técnicas breves de respiração ou organização cognitiva.

"Essa estrutura transforma interações ambíguas em um mapa organizado de possibilidades, permitindo que a pessoa autista reduza respostas reativas decorrentes de sobrecarga interpretativa e desenvolva autonomia progressiva na leitura social", enfatiza a idealizadora da plataforma.

Tecnologia assistiva aplicada à mediação social

De acordo com informações do GOV.BR, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) define tecnologia assistiva como um conjunto de produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços destinados a ampliar a funcionalidade de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

No cotidiano, o Consultista visa auxiliar na análise de situações sociais recorrentes, como mensagens ambíguas em aplicativos ou e-mails; conflitos interpessoais em ambientes escolares ou profissionais; interações com figuras de autoridade; dificuldades na leitura de ironias, indiretas ou mudanças de tom; dúvidas sobre limites sociais e adequação de respostas; interpretação de reações inesperadas; e processamento pós-interação para compreender o que ocorreu.

A ferramenta também pode ser utilizada de forma preventiva, ajudando a organizar pensamentos antes de reuniões, apresentações, entrevistas ou conversas relevantes.

Em contextos acadêmicos e profissionais, isso pode contribuir para:

  • Maior segurança em interações
  • Redução da ansiedade social
  • Melhor desempenho em reuniões e debates
  • Ampliação da autonomia decisória

Privacidade e proteção de dados

Deborah Ribeiro de Carvalho ressalta que o Consultista foi estruturado com foco prioritário em privacidade, segurança e responsabilidade no tratamento de dados.

Entre as medidas adotadas estão a possibilidade de uso gratuito sem necessidade de login ou armazenamento de dados pessoais, processamento das consultas com uso de criptografia, armazenamento mínimo de informações (apenas quando necessário para funcionalidades específicas), separação entre funcionalidades gratuitas e recursos pagos com autenticação e a garantia de não compartilhamento de dados com terceiros.

"A plataforma observa os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), preservando o controle do usuário sobre suas informações e priorizando confidencialidade e transparência", informa.

O futuro do Consultista

O próximo passo, segundo a executiva, é o desenvolvimento do Módulo de Antecipação Social, que permitirá que a pessoa autista se prepare para situações que ainda irão acontecer. A ferramenta deverá oferecer uma preparação estruturada para reduzir incertezas, sobrecarga interpretativa e risco de desregulação.

"A visão de longo prazo é consolidar o Consultista como uma infraestrutura digital de apoio à mediação social estruturada — uma tecnologia assistiva formal, escalável e focada na promoção de autonomia social estruturada e na redução de sobrecarga interpretativa no cotidiano", conclui.

Para conhecer o Consultista, basta acessar: https://www.consultistaoficial.com/

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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