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Hemorroidas: tratamento evolui com técnicas menos invasivas

Hemorroidas: tratamento evolui com técnicas menos invasivas
Hemorroidas: tratamento evolui com técnicas menos invasivas

A doença hemorroidária (DH) ocorre quando as hemorroidas, veias localizadas ao redor do ânus e no reto, se inflamam ou dilatam, provocando sintomas como coceira, dor, sangramento e ardor durante a evacuação. A condição pode ser interna, quando as veias permanecem dentro do ânus, ou externa, quando formam pequenas protuberâncias na borda anal.

O tratamento da DH inclui técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como ligadura elástica, laqueação das artérias hemorroidárias guiada por doppler e associada à mucopexia (LAH-GD+MP, ou desarterialização hemorroidária transanal – THD), além do uso de laser, como reitera o documento da Sociedade Portuguesa de Coloproctologia.

Dr. Rodrigo Barbosa, médico e cirurgião do aparelho digestivo, especialista no tratamento da doença hemorroidária, com atuação em coloproctologia e no tratamento cirúrgico da DH  por técnicas minimamente invasivas no Instituto Medicina em Foco, destaca que, nas últimas duas décadas, houve uma mudança importante no tratamento cirúrgico da doença.

"A transição de abordagens exclusivamente excisionais para técnicas que priorizam a preservação anatômica, menor trauma tecidual e recuperação mais rápida, como a ligadura elástica, a desarterialização hemorroidária transanal (THD) e o uso do laser, que passaram a ocupar papel central, sobretudo em pacientes selecionados", conta o cirurgião.

De acordo com o coloproctologista especialista em hemorróidas, esses avanços impactam a qualidade de vida tanto no curto prazo — reduzindo dor pós-operatória, tempo de afastamento das atividades e complicações associadas às cirurgias tradicionais —, quanto no longo prazo — bom controle dos sintomas, melhora significativa da qualidade de vida e redução da necessidade de procedimentos mais agressivos.

A definição da técnica mais adequada deve ser feita por um especialista em doença hemorroidária, considerando o grau da doença, os sintomas predominantes e o perfil clínico do paciente, especialmente nas hemorroidas grau IV, com prolapso volumoso, fibrose ou trombose recorrente. Já as técnicas minimamente invasivas são preferidas nos estágios iniciais e intermediários da doença, com foco no controle de sintomas como sangramento e prolapso, com menor agressão cirúrgica.

"O grau da doença hemorroidária é um dos principais fatores na escolha do tratamento. A evolução das técnicas cirúrgicas ampliou o arsenal terapêutico e permitiu abordagens mais personalizadas, seguras e eficazes. Nenhuma técnica é universal, e o sucesso depende de avaliação individualizada, indicação correta e acompanhamento adequado", orienta o especialista.

Especialista em doença hemorroidária

A condução adequada da doença hemorroidária exige avaliação criteriosa, conhecimento das diferentes técnicas disponíveis e experiência na indicação individualizada de cada abordagem. "O acompanhamento com um especialista em doença hemorroidária permite definir a melhor estratégia terapêutica conforme o grau da doença, os sintomas predominantes e o perfil clínico do paciente, priorizando controle eficaz dos sintomas, menor agressão cirúrgica e recuperação mais rápida", explica Dr. Rodrigo Barbosa.

Abordagens terapêuticas

A ligadura elástica consiste na aplicação de pequenos anéis de borracha na base da hemorroida interna, interrompendo seu suprimento sanguíneo. Com isso, ocorre necrose controlada do tecido, que é eliminado espontaneamente após alguns dias. A técnica costuma ser indicada principalmente para hemorroidas internas grau I e II, e em alguns casos selecionados de grau III.

"Trata-se de um procedimento ambulatorial, seguro e eficaz para hemorroidas internas de baixo grau, com taxas de controle de sintomas elevadas quando bem indicada", acrescenta o Dr. Rodrigo Barbosa.

O cirurgião explica que a Transanal Hemorrhoidal Dearterialization (THD, ou Desarterialização Hemorroidária Transanal, em português) utiliza Doppler para identificar e ligar as artérias responsáveis pela irrigação das hemorroidas, reduzindo o fluxo sanguíneo e, consequentemente, o volume e o sangramento. Segundo ele, em muitos casos, a técnica é associada a pexia — reposicionamento — da mucosa para correção do prolapso.

"A THD apresenta melhores resultados nos estágios intermediários da doença, especialmente nas hemorroidas grau II e III, quando o sintoma predominante é o sangramento associado ao prolapso, e apresenta bons resultados funcionais e menor dor pós-operatória", revela o médico.

Para o Dr. Rodrigo Barbosa, o laser é outra tecnologia minimamente invasiva que pode ser utilizado como alternativa ou complemento em diferentes graus, dependendo da técnica empregada e do perfil do paciente. A ferramenta atua promovendo coagulação e retração do tecido hemorroidário por meio de energia térmica controlada.

"Dependendo da técnica, pode ser utilizado para tratar hemorróidas internas ou externas, isoladamente ou em associação a outros métodos. Entre os benefícios estão menor sangramento intraoperatório e menor agressão aos tecidos adjacentes, embora a indicação deva ser criteriosa e baseada em evidências e experiência do cirurgião", ressalta o especialista.

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