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Estudo científico apresenta dados sobre Lipedema

Estudo científico apresenta dados sobre Lipedema
Estudo científico apresenta dados sobre Lipedema

Um artigo científico publicado recentemente na base internacional PubMed Central, intitulado Lipedema: Características Clínicas, Diagnóstico e Tratamento, apresenta uma revisão ampla e detalhada sobre o lipedema, condição crônica do tecido adiposo ainda pouco reconhecida e frequentemente subdiagnosticada na prática clínica.

Segundo os dados apresentados no estudo, o lipedema é caracterizado pelo acúmulo progressivo e desproporcional de gordura subcutânea, principalmente nos membros inferiores e, em parte dos casos, nos membros superiores, poupando pés, mãos e tronco. Conforme informado na publicação, trata-se de uma doença de natureza progressiva, cuja fisiopatologia envolve fatores hormonais, genéticos e inflamatórios, exigindo maior atenção clínica e científica.

O relatório aponta dados epidemiológicos relevantes ao destacar que o lipedema afeta predominantemente mulheres, com início mais comum entre a puberdade e a terceira década de vida. De acordo com os autores, fatores hormonais, eventos estressantes, traumas físicos e procedimentos cirúrgicos podem atuar como gatilhos para o surgimento da doença.

Outro estudo publicado, intitulado Standard of Care for Lipedema in the United States, cita que os genes associados ao lipedema seguem um padrão de herança autossômica dominante com limitação por sexo. A publicação aponta ainda a identificação do gene AKR1C1, relacionado ao metabolismo da progesterona, cujo aumento decorrente de mutações pode favorecer a adipogênese, mecanismo considerado compatível com a fisiopatologia do lipedema.

Conforme informado na publicação científica, o diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico e depende de anamnese detalhada e exame físico minucioso. O estudo ressalta que o atraso diagnóstico pode chegar a até 10 anos, sobretudo pela confusão com obesidade e linfedema. Entre os critérios mais relevantes estão o envolvimento bilateral e simétrico dos membros, a ausência de resposta significativa a dietas e exercícios físicos, a dor à palpação e a facilidade para formação de hematomas. Esses elementos são fundamentais para diferenciar o lipedema de outras condições que também envolvem alterações do tecido adiposo.

Ao analisar os dados do estudo, o cirurgião plástico Dr. Fernando Zeraik avalia que a revisão científica reforça a necessidade de uma mudança estrutural na forma como o lipedema é reconhecido e conduzido na prática clínica. Segundo o especialista, “o grande valor desse trabalho está na consolidação de critérios objetivos e na demonstração de que o lipedema é uma doença distinta, com base clínica e fisiopatológica própria, o que exige condutas baseadas em evidência e não em soluções simplificadas”. O médico destaca ainda que abordagens hormonais devem ser consideradas experimentais e sempre conduzidas com critério científico, avaliação individualizada e dentro dos limites éticos e legais. Ele ressalta também a importância de diferenciar corretamente condições clínicas distintas que envolvem tecido adiposo, como a ginecomastia, evitando interpretações ou extrapolações terapêuticas inadequadas.

Os dados estatísticos apresentados evidenciam ainda a associação frequente do lipedema com sobrepeso e obesidade. Um dos estudos citados indica que cerca de 88% das pacientes avaliadas apresentavam índice de massa corporal (IMC) superior a 30 kg/m². No entanto, a revisão também aponta que até 40% das pacientes podem apresentar IMC dentro da normalidade, mas com desproporção significativa entre membros inferiores e a parte superior do corpo, reforçando que o IMC isolado não é suficiente para excluir o diagnóstico.

O relatório aborda também o impacto do lipedema na saúde física e mental das pacientes. A condição está associada a dor crônica, fadiga, redução da mobilidade e prejuízo funcional, especialmente nos estágios mais avançados. Estudos analisados indicam prevalência de depressão variando entre 31% e 59%, além de relatos frequentes de ansiedade, estigmatização social e sofrimento psicológico decorrente da falta de diagnóstico e tratamento adequados.

No que se refere às abordagens terapêuticas, o artigo científico destaca que não há cura para o lipedema, sendo recomendada uma estratégia multimodal. O tratamento conservador inclui terapia descongestiva complexa, uso de vestimentas de compressão, exercícios físicos orientados e educação do paciente, com redução limitada do volume dos membros. Em casos selecionados, a cirurgia de lipedema, por meio de técnicas específicas de lipoaspiração, é descrita como opção capaz de reduzir dor e melhorar a função, desde que indicada com critério técnico e realizada por profissionais qualificados.

Encerrando a análise, o Dr. Fernando Zeraik ressalta que o avanço da cirurgia para lipedema também envolve o uso de tecnologias de retração tecidual, fundamentais para reduzir a flacidez pós-lipoaspiração e otimizar os resultados funcionais e estéticos. Para o especialista, “estudos como esse pavimentam o caminho para protocolos mais seguros, éticos e eficazes, permitindo que o tratamento evolua com responsabilidade científica, sem promessas irreais, sempre priorizando o bem-estar do paciente”.

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