O debate sobre o consumo de suplementos alimentares por crianças ganhou repercussão após uma influenciadora fitness afirmar em um podcast que adicionava whey protein na mamadeira da filha de três anos. O tema motivou um alerta divulgado nesta quarta-feira (6) pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre o uso indiscriminado de whey protein e creatina na infância e adolescência.
Segundo especialistas da entidade, a popularização da cultura fitness e a influência das redes sociais vêm estimulando cada vez mais o consumo precoce desses produtos entre crianças e adolescentes, mesmo sem necessidade clínica.
De acordo com a pediatra Elisabeth Fernandes, da SBP, uma alimentação equilibrada normalmente já fornece toda a proteína necessária para crianças saudáveis. A médica afirma que o excesso de proteína pode gerar sobrecarga nos rins e no fígado, órgãos que ainda estão em desenvolvimento na infância.

A especialista também chama atenção para a composição de muitos suplementos disponíveis no mercado, que além da proteína podem conter aromatizantes, adoçantes artificiais, emulsificantes e outros aditivos químicos.
Outro ponto destacado pela SBP envolve os impactos emocionais e comportamentais relacionados à associação precoce entre alimentação, estética e desempenho físico. Segundo a entidade, crianças podem desenvolver relação inadequada com a comida e preocupação excessiva com aparência corporal desde cedo.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que whey protein e creatina sejam utilizados apenas em situações específicas, sempre com indicação e acompanhamento profissional.



