A proposta de cobrança da nova taxa de turismo em Angra dos Reis foi alvo de críticas durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (14) pela Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O encontro aconteceu na Vila do Abraão, na Ilha Grande, e reuniu representantes do setor turístico, empresários e parlamentares.
A partir de 1º de junho de 2026, visitantes passarão a pagar uma taxa fixa de R$ 50 por pessoa, válida por até 30 dias, para acessar tanto o continente quanto as ilhas do município. A medida vem provocando reações entre moradores e empresários ligados ao turismo local, principal atividade econômica da região.
Durante a audiência, representantes do setor questionaram os impactos da cobrança no fluxo de visitantes e na economia da Ilha Grande. Segundo empresários e associações, o valor pode tornar a viagem mais cara e afastar turistas, especialmente famílias e visitantes de baixa renda.
O deputado estadual Marcelo Dino (PL), membro da comissão, afirmou que a taxa pode gerar prejuízos econômicos e impactos diretos para trabalhadores ligados ao turismo.
“Essa taxa cria transtornos, prejudica o turismo e afeta quem gera emprego. Nós vamos lutar contra essa cobrança, seja na Justiça ou no Tribunal de Contas”, declarou o parlamentar durante a audiência.
Representando a Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande (AMHIG), Frederico Britto classificou a medida como prejudicial para o setor turístico da região. Segundo ele, os custos adicionais podem reduzir o número de visitantes e comprometer a atividade econômica local.
“Um casal com um filho gastará quase R$ 750 apenas com barco e taxa, sem contar o translado até Angra dos Reis. Isso é incentivo ao turismo?”, questionou.
Outro ponto debatido durante a audiência foi um estudo técnico elaborado pela Prefeitura e utilizado como base para discussão da medida. Segundo representantes do setor, o documento indicaria uma taxa estimada em cerca de R$ 2,70, com destinação exclusiva para preservação ambiental da Ilha Grande.
A legislação aprovada, no entanto, prevê arrecadação para os cofres municipais, o que também gerou questionamentos por parte de empresários e entidades ligadas ao turismo sustentável.
“Ordenamento se faz com gestão, não com taxação. A Associação é contra essa medida e vai continuar lutando por um turismo realmente sustentável na Ilha Grande”, afirmou Frederico Britto.
A discussão sobre taxas de turismo vem crescendo em cidades turísticas do estado do Rio de Janeiro, especialmente em municípios com grande fluxo de visitantes e áreas de preservação ambiental.



