Um extravasamento de esgoto na Rua Cachoeiras de Macacu, no Recreio, em Rio das Ostras, levou a Prefeitura a realizar uma operação conjunta na manhã desta sexta-feira (2). Segundo o município, o problema persiste há mais de uma semana, atingiu imóveis e cisternas de moradores e provocou impacto ambiental. A administração municipal atribui a ocorrência a uma falha no sistema operado pela Rio+ Saneamento e anunciou novas autuações e multas contra a concessionária.
A operação reuniu equipes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Vigilância Sanitária, Procon, Guarda Ambiental e das secretarias municipais de Segurança Pública e de Licenciamento, Habitação e Urbanismo.
Segundo o presidente do SAAE, Maycon Prata, moradores enfrentam acúmulo de esgoto, dificuldades de mobilidade e problemas em cisternas. Ele afirmou que, após testes e sondagens realizados na região, foi identificado um extravasamento no coletor-tronco operado pela concessionária.
De acordo com Prata, a solução deverá exigir uma intervenção de maior porte envolvendo as regiões do Recreio, Costazul e Jardim Mariléa. O município informou ainda que acionou o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa).
Fiscalização aponta dano ambiental
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que a Fiscalização Ambiental já havia emitido auto de constatação e auto de intimação no início da semana, determinando que a Rio+ adotasse providências para solucionar o problema. Como o extravasamento continuou, uma nova atuação foi realizada, com determinação para ampliação das equipes e do maquinário empregados no local.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Ricardo Torres, a fiscalização constatou que o esgoto atingiu um corpo hídrico, com reflexos no ambiente da região da Lagoa de Iriry. O município informou que o caso continuará sendo acompanhado para apuração dos danos e eventual responsabilização.
A Vigilância Sanitária também alertou para riscos à saúde dos moradores. Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde, Nirvana Braga, o contato com o esgoto pode representar risco de contaminação e outros problemas de saúde.
Moradores relataram impactos diretos na rotina. A terapeuta Nathalie Leão e Silva, que trabalha em casa, afirmou que o mau cheiro e o esgoto prejudicam tanto a atividade profissional quanto a convivência da família e relatou contaminação de cisternas. Já Paulo Roberto Coelho, cadeirante e morador da rua há seis anos, disse que o acúmulo de esgoto comprometeu sua mobilidade e o acesso à residência.
O Procon de Rio das Ostras também participou da fiscalização. A chefe-geral do órgão, Michele Mansur, afirmou que já foram aplicados mais de R$ 1 milhão em multas à Rio+ Saneamento e que novas penalidades poderão ser impostas. Segundo ela, consumidores afetados podem procurar o órgão para solicitar abatimento da tarifa de esgoto e buscar reparação por eventuais prejuízos.






