O gesto chamou atenção antes mesmo de qualquer palavra. Ao se apresentar na 12ª Delegacia de Polícia, em Copacabana, na última quarta-feira (4), Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, investigado por participação em um estupro coletivo contra uma adolescente de 17, entrou vestindo uma camiseta com a frase em inglês: “regret nothing” — “não me arrependo de nada”.
A imagem rapidamente se espalhou nas redes sociais. O que poderia parecer apenas uma provocação foi interpretado por muitos usuários como um sinal de algo mais profundo: a possível ligação simbólica com ambientes digitais que disseminam discursos de ódio contra mulheres.
A expressão, segundo observadores do tema, aparece com frequência em fóruns e comunidades ligadas à chamada “machosfera” — um conjunto de grupos online que propagam ideias de superioridade masculina, ressentimento contra mulheres e normalização de comportamentos violentos ou humilhantes.
O episódio ocorre em meio a um crime que já provocava forte indignação pública. O caso envolve a investigação de um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, e mobiliza a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Mais do que um detalhe visual, a camiseta acabou ampliando o debate sobre o ambiente cultural que cerca a violência de gênero. Especialistas em comportamento digital alertam que comunidades misóginas na internet têm funcionado como espaços de radicalização, onde jovens são expostos a narrativas que tratam mulheres como inimigas ou objetos de dominação.
Esse tipo de discurso, quando migra do ambiente virtual para a vida real, encontra terreno fértil em uma sociedade que ainda enfrenta altos índices de violência contra mulheres e meninas.
Desde sua fundação, o Prensa de Babel se posiciona ao lado das lutas contra o machismo e a misoginia. Casos como este exigem não apenas investigação rigorosa e responsabilização, mas também reflexão coletiva sobre os discursos que circulam nas redes e influenciam comportamentos.
Quando alguém atravessa a porta de uma delegacia investigado por um crime dessa gravidade vestindo uma mensagem que afirma “não me arrependo de nada”, a sociedade é obrigada a olhar além do gesto.
A frase, mais do que um slogan, revela o tamanho do desafio cultural que ainda precisa ser enfrentado.


