Morreu aos 74 anos o jornalista e produtor cultural Gil Castelo Branco, figura central na consolidação de Búzios como destino gastronômico. Ele faleceu no dia 18 de maio de 2026. O velório será realizado nesta sexta-feira (20), das 11h às 14h, na Capela Real Grandeza, sala 9, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Nascido em 5 de novembro de 1951, no Rio de Janeiro, Gil frequentava Búzios desde 1972. Em 1986, construiu sua casa no bairro da Marina, consolidando um vínculo que, anos depois, se tornaria definitivo.
Do jornalismo à virada de vida
Formado em jornalismo, com pós-graduação em jornalismo cultural e comunicação empresarial, Gil viveu uma transição marcante ao decidir mudar de vida pouco depois dos 40 anos.
Foi quando se mudou de vez para Búzios. Durante seis meses, dedicou-se a um período quase contemplativo:
“De manhã, lia o jornal, depois fazia longas caminhadas pela praia, dormia na rede à tarde e à noite escrevia, pois sou noturno.”
Na época em que atuou como editor do jornal PH, viveu intensamente o cenário político local, transitando entre diferentes realidades da cidade — das mansões da Ferradura ao antigo lixão na divisa com Cabo Frio.
A encruzilhada que criou “O Produtor”
Ao deixar o jornalismo, enfrentou um momento de incerteza. Sem emprego e sem concluir o mestrado, se viu, como ele próprio dizia, “à toa na vida”.
Mas foi justamente desse ponto que nasceu sua maior contribuição.
Naquele período, Búzios contava com dois grandes eventos: o festival de jazz, ligado ao grupo Chez Michou, e o festival de cinema, de Mario José. Foi então que Gil criou o terceiro — e o mais duradouro deles:
O Festival Gastronômico de Búzios.
A iniciativa não apenas consolidou o calendário turístico da cidade, como ajudou a projetar Búzios nacional e internacionalmente como destino gastronômico.
Um legado construído com gente
Gil costumava dizer que aprendeu tudo na prática — errando, testando e construindo.
Ao lado do grupo Búzios Gourmet, mergulhou no universo da gastronomia e da produção de eventos, tornando-se referência.
Em um relato marcante, lembrava de uma previsão feita por uma cartomante ainda na juventude:
“Seu destino é trabalhar com gente.”
Décadas depois, reconhecia:
“Encontrei meu caminho lidando com gente, muita gente.”
Despedida
A morte de Gil Castelo Branco encerra um capítulo importante da história recente de Búzios, especialmente no campo da cultura e do turismo. Seu legado permanece vivo nas ruas, nos restaurantes e, sobretudo, na memória de uma cidade que ajudou a transformar.


