A procuradora municipal Renata Pimentel Ribeiro foi afastada provisoriamente do cargo por 30 dias após a repercussão de publicações nas redes sociais com ataques ao PT e a seus eleitores, incluindo declarações de teor xenofóbico contra nordestinos e mineiros. A medida foi publicada no Diário Oficial de Macaé na quarta-feira (28), por meio da Resolução nº 03/2026 da Procuradoria-Geral do Município (PGM).
Além do afastamento, a procuradora será submetida a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), destinado a apurar possíveis infrações funcionais relacionadas ao caso. A resolução tem como fundamento o artigo 80 da Lei Complementar Municipal nº 092/2007 e estabelece a vigência da medida a partir de 26 de outubro de 2026.
O procedimento, vinculado ao processo administrativo nº 20926/2026, será acompanhado pelo Conselho da Procuradoria, conforme o artigo 71 da mesma lei. A Prefeitura informou que a servidora terá garantidos o contraditório e a ampla defesa.

As declarações nas redes sociais
O caso veio à tona após a confirmação do resultado das eleições e da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma publicação nas redes sociais, Renata, que se identifica como autoridade pública municipal, fez críticas ao PT e afirmou que não trabalharia com petistas nem desenvolveria políticas públicas destinadas a “esse tipo de gente”.
As declarações avançaram para ataques a grupos sociais e regionais. A procuradora recomendou que empresários e microempresários não contratassem artistas, “pobres nordestinos” e mineiros. Também sugeriu que mineiros deixassem Macaé e escreveu: “Já basta o Espírito Santo que vocês invadem feito tralha”.
Em outros trechos, afirmou que seus filhos teriam acesso a uma vida confortável porque ela “ganha bem”, enquanto petistas dependeriam do Bolsa Família. As publicações também incluíram expressões de teor homofóbico e ataques à população LGBTQIA+.
O conteúdo provocou reações nas redes sociais e ganhou ampla repercussão. Posteriormente, a procuradora publicou um pedido de desculpas, no qual atribuiu as declarações ao calor do período eleitoral e afirmou ter deixado a emoção falar mais alto.
“Peço desculpas, de coração, ao povo nordestino, aos mineiros, artistas, aos trabalhadores, às pessoas em situação de vulnerabilidade social e a todos aqueles que se sentiram atingidos por minhas palavras”, escreveu.
O afastamento e a abertura do processo disciplinar não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade funcional. A apuração administrativa deverá examinar a conduta da servidora, assegurando seu direito de defesa.



