A Barra da Tijuca voltou ao centro do debate urbano do Rio. Com trânsito cada vez mais congestionado e crescimento acelerado, a região será alvo de um novo pacote de intervenções viárias que promete atacar gargalos históricos. Lançado pelo Poder Executivo, o Plano de Mobilidade da Barra da Tijuca prevê seis obras prioritárias até 2028, com investimento estimado entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões.
O plano abrange Barra da Tijuca, Barra Olímpica e Recreio dos Bandeirantes — áreas que concentram grande parte da expansão imobiliária da Zona Sudoeste. A proposta é simples no papel e complexa na execução: reorganizar fluxos, ampliar capacidade das vias e reduzir retenções que hoje fazem parte da rotina de quem mora ou trabalha na região.
A primeira obra deve sair do papel mais rápido. Trata-se da implantação de uma nova rotatória no encontro das avenidas Ayrton Senna e Lúcio Costa, ponto crítico principalmente nas manhãs, quando o fluxo do Recreio em direção à Barra se intensifica. A intervenção busca ordenar quem segue para a orla, para a Avenida das Américas ou retorna da Praia da Reserva.
Outro gargalo antigo está no Recreio. Para quem sai pela Avenida Alfredo Baltazar da Silveira, não é raro enfrentar filas que chegam a dois quilômetros em direção à praia. O plano prevê a construção de uma passagem inferior exclusiva para motoristas que seguem direto para a Avenida das Américas, evitando a rotatória e redistribuindo o tráfego.
Também está prevista a conclusão da Avenida Sobral Pinto, ao longo do Canal de Marapendi. A via passará a funcionar como alternativa à orla no sentido Recreio, criando uma nova opção de deslocamento em uma região hoje excessivamente dependente da Avenida Lúcio Costa.
Na mesma lógica de ampliar escolhas, o plano inclui a criação de uma ligação viária pela margem oposta do Canal de Marapendi, conectando a região à Avenida Armando Lombardi. A proposta dialoga com a reorganização do sistema no eixo Ayrton Senna–Lúcio Costa e tenta reduzir a pressão sobre a Avenida das Américas.

Outro ponto sensível é a Avenida Ayrton Senna, um dos principais corredores da Barra. O projeto prevê a reorganização das chamadas “agulhas” entre a Cidade das Artes e a Linha Amarela, garantindo continuidade da terceira faixa, mais segurança e maior fluidez. No mesmo eixo, será construída uma nova ponte sobre o Canal do Arroio Fundo, ampliando de quatro para seis faixas no sentido Linha Amarela e atacando um dos estrangulamentos mais antigos da região.
Fechando o pacote, está prevista a construção de uma nova passarela de pedestres na altura da estação Asa Branca, na chegada da Transolímpica à Avenida Salvador Allende. Além de melhorar a segurança de quem atravessa a via, a obra inclui ajustes em retornos e semáforos, com impacto direto na circulação de veículos.
O financiamento das intervenções vem, em parte, de um fundo municipal alimentado por contrapartidas urbanísticas. São recursos pagos por construtoras para obter autorização de construir acima dos parâmetros originais da região. Leis recentes também destinaram verbas semelhantes ao Fundo de Mobilidade Urbana Sustentável, inclusive a partir de projetos como a reforma de São Januário e a criação do Autódromo de Guaratiba.
No Legislativo, a mobilidade tem sido tratada como pauta estrutural. A Câmara aprovou normas que abrem caminho para substituir corredores do BRT por VLT ou VLP e regulamentou o transporte aquaviário na Zona Sudoeste, com o credenciamento de barqueiros na Lagoa da Tijuca e nos canais da região.
No lançamento do plano, na Cidade das Artes, o prefeito Eduardo Paes afirmou que o projeto é um compromisso com os moradores da região que mais cresceu na cidade. O vice-prefeito Eduardo Cavaliere destacou que há respaldo financeiro e apoio legislativo para a execução até 2028.
O secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos, reconheceu que, apesar dos investimentos já feitos, os problemas persistem. Segundo ele, mais de 22 intervenções estão mapeadas para a Zona Sudoeste, mas esta primeira fase concentra seis pontos considerados críticos.
Para quem enfrenta diariamente engarrafamentos na Barra e no Recreio, o plano ainda é promessa. Mas, se sair do papel no prazo anunciado, pode representar a primeira tentativa mais consistente, em anos, de fazer o crescimento da região andar no mesmo ritmo da mobilidade.


