Gustavo Trindade tem 12 anos e um mapa mental preciso do mar. Sabe horários, rotas, nomes e detalhes técnicos de navios como quem decora versos. O foco é claro: os transatlânticos da MSC. Sempre que pode, ele vai ao cais. Fotografa. Observa. Em casa, recria o que viu com bonecos, gestos e narrativas próprias. O mundo dele navega.
Morador de 100 Braças, aluno do Colégio Nicomedes, filho de Genivaldo Trindade e Gisele, Gustavo construiu sua relação com os navios sem imaginar que um dia pisaria em um deles. Conhecer um transatlântico por dentro era um desejo constante, quase íntimo. Parecia distante demais para virar plano.
A virada começou em família. A tia Dani percebeu que aquele sonho não era passageiro. Procurou Aurélio Barros — o “tio Aurélio”, como Gustavo o chama — e fez um pedido simples: tentar. Aurélio levou a ideia a Cesar Fernandes, empresário e proprietário da Tourshop, empresa que atua com receptivo turístico, passeios e experiências ligadas ao turismo local. Coube a ele fazer a ponte com a MSC.

A autorização veio. E o que seria uma visita pontual ganhou outra dimensão assim que Gustavo subiu a bordo.
No navio, a família foi recebida por um comandante que entendeu rápido o tamanho daquele momento. Sem pressa, sem protocolo rígido. Explicou detalhes, mostrou áreas, respondeu perguntas com paciência genuína. Incluiu a mãe, acolheu o menino, transformou o espaço técnico em território de afeto.
Não foi apenas uma visita guiada. Foi um encontro entre um sonho bem guardado e alguém disposto a escutá-lo.
Gustavo circulou por corredores que antes só existiam nas fotos e nas maquetes improvisadas de casa. Viu de perto aquilo que já conhecia de memória. O brilho nos olhos não era de surpresa, mas de confirmação: o mundo que ele construiu fazia sentido.
Histórias assim não nascem de grandes campanhas ou discursos. Nascem de gestos objetivos, de gente que entende que realizar um sonho também é trabalho — talvez o mais importante deles. Para Gustavo, o navio agora tem cheiro, som e lembrança. Algo que ninguém tira.
Alguns sonhos não precisam ser explicados. Só precisam de passagem autorizada.





