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As placas

Da sinalização funcional ao retrato social: como placas expõem hábitos e contradições do dia a dia
Placas que proíbem, permitem e tentam educar, o cotidiano revela mais sobre o comportamento humano do que qualquer regra escrita - Imahgem ilustrativa gerada por IA.
Placas que proíbem, permitem e tentam educar, o cotidiano revela mais sobre o comportamento humano do que qualquer regra escrita - Imahgem ilustrativa gerada por IA.

A proibitiva

A história das placas informativas remetem ao Império Romano, e começou na verdade em colunas de pedras colocadas as longo das estrada informando a distância em relação a cidade de Roma – o centro do mundo à época.

Com o tempo, elas evoluíram e passaram a ter características próprias, como as placas regulamentação, advertência, indicação, promoção, vendas, etc.Em geral, as placas são usadas como ferramentas de comunicação ráppida e ess
2⁰enciais para sinalizar, orientar e identificar.

Gosto muito de ler e leio de tudo. De bulas de remédios à placas informativas e algumas não esqueço.

Lembro bem o dia em que, acompanhando do ilustre Cabelada, conheci o tradicional Bar Petisco da Vila, na esquina da Avenida 28 de Setembro com a Rua Visconde de Abaeté no bairro de Vila Isabel, onde morei por uns meses.

Vila Isabel, terra de Noel Rosa com suas calçadas de pedras portuguesas com partituras musicais. E bares como o Petisco eram lugares preferidos de cantores, compositores e amantes da boa música.

Enquanto sorvia um geladissimo chope Brahma escuro, olhavam curioso o entorno em busca de alguém famoso, como Martinho da Vila, velho frequentador da casa. Enquanto alimentava minha curiosidade e matava minha sede, Cabelada seguia falando com todos que passavam. Ele era uma espécie de astro do lugar pois havia vencido por dez anos seguido o Concurso do 171 do bairro. Era tão favorito que virou Hors- concours, ou seja, proibido de concorrer. Não, ser 171 no caso, não era ser literalmente estelionatário, mas apenas um sujeito experto, um malandro carioca que dava um jeito em tudo.

Enquanto o Cabelada contava suas histórias eu seguia olhando tudo e qual não foi minha surpresa ao ver no perfil inferior da mão francesa que sustentava o toldo uma pequena placa retangular de madeira onde se lia: proibido batucar nas mesas.

Cabelada.

Confesso que achei estranho. Ora, aquele era um templo sagrado da boêmia e da música carioca. A maior referência de um dos bairros mais musicais do Rio de Janeiro. Um lugar perfeito para puxar um sambinha numa roda de amigos. Segurei minha curiosidade a esperei meu companheiro de mesa e de copo parar de falar.
Quando enfim ele ficou sozinho, eu revelei minha curiosidade.
Cabelada virou o copo de chope, levantou a mão para um garçom pedindo mais dois e como se falasse para uma criança, me explicou em voz baixa e quase que separando as silabas.
” Nesse bairro todo mundo canta, todo mundo toca algum instrumento, todos têm motivos para comemorar seja o que for. Se liberar, isso aqui vai virarvum inferno”.

O garçom chehou e colocou os chopes na mesa. Peguei o meu, dei um belo gole e concluir que eu era um idiota.

A Liberal

Outra placa inesquecível eu vi no saudoso Restaurante Brigitta’s , que ficava na Rua das Pedras , quando a famosa rua ainda tinha Glamour. Para quem não teve o privilégio de comer naquele templo gastronômico, vou tentar traduzir o ambiente.
Originalmente havia um bar na parte que dava frente pra rua e na calçada, umas 4 ou 5 mesas onde sentavam pessoas que queriam ver, e serem vistas. O restaurante na verdade, ficava na parte interna, acessada por um estreito corredor que se abria para um salão com vista para o mar.

Brigitta’s, no centro da foto, a propietário do restauranre épico

Uma churrasqueira espalhava cheiros de lagostas, peixes e churrasco pelo ambiente e uma imensa cama de ferro numa área mais reservada e meio protegida por cortinas de voil completava a caótica e ao mesmo tempo singular, decoração ambiente.
Detalhe: se um casal desejasse, podiam serem servidos na cama e se a mulher ficasse de topless, a conta teria 50% de desconto. E sim, algumas mulheres ousaram pagar menos.

O salão principal era composto de mesas e cadeiras coloridas, quadros floridos pelas paredes, plantas tipo trepadeiras nas colunas e lâmpadas de cores psicodélicas completavam o cenário. E lá no fundo, rente a janela que dava vista para o mar, uma mesa de tipo bristô, para apenas um casal, era uma das mais concorrida da casa. Tudo porque havia uma placa onde se lia “PERMITIDO FUMAR”.

A inútil

Uma noite, fui convidado por um amigo para jantar na Pizzaria Lumberjack, que ficava no bairro dos Ossos. Não gosto de pizza, por escolha, jamais comeria alguma mas no caso, eu tinha que ir. O amigo era fraterno e a pizza, uma das melhores de Búzios.

A noite estava perfeita e as margens da lagoa ao lado, barracas de madeira ofereciam vários tipos de comida. Estávamos no segundo final de semana do Festival de Gastronomia e a Pizzaria estava lotada. Pedimos umas cervejas, uma pizza brotinho cortada a francesa e a conversa começou.

Minutos depois, tive vontade de ir ao banheiro. Chegando lá, o mesmo estava ocupado e com calma, esperei minha vez. A porta abriu e saiu um amigo. Nos cumprimentamos com um boa noite e fui me aliviar.
Ao terminar,esperei com calma o último pingo que sempre cai na cueca e vi a placa que me trouxe até aqui. Era uma placa até bonita. Fundo branco com letras azuis e em três idiomas. Português, espanhol e inglês. Oʻe
Dava um recado simples, mas ao meu modo de ver, inútil.

CUIDE BEM DESSE BANHEIRO. LEMBRE-SE QUE DEPOIS DE VOCÊ, OUTRA PESSOA O USARÁ.

Quase rindo cometei comigo mesmo.
E desde quando o ser humano se preocupa com os outros?
Mesmo sabendo que vai voltar naquele lugar, a pessoa nem se preocupa consigo mesmo, que dirá com estranhos que virão depois. Xixi no chão mais que na privada é a regra nos banheiros masculinos. E nem descargas a maioria dá.

Penso que uma placa mais simples,ao menos nos banheiros dos homens, faria mais sentido. Bastava escrever assim:

Chegue mais perto, ELE não é tão grande quanto você imagina.

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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