Parei o rejunte da Rua das Pedras

Um repórter no lugar certo e na hora certa enxergou a pauta ao ver a medida esdruxula de rejuntar uma rua

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Projetada por Octavio Raja Gabaglia, em 1971, a Rua das Pedras está mais uma vez no centro das discussões em Búzios. Cada prefeito que entra sabe que ela estará na pauta. Como hoje, em que a Prefeitura acabou de realizar a aplicação de uma mistura de pó de pedra e areia para cobrir buracos sem, de acordo com sua equipe técnica, prejudicar a capacidade de absorção da água. A polarização entre favoráveis e contrários já está armada.

Em 2013 a gestão da época também se debatia com as críticas e reclamações de acidentes. Então tiveram uma ideia: rejuntar com cimento os blocos de pedra.

O serviço começou bem cedo. Mas um repórter estava no lugar certo e na hora certa.

Eu era o repórter. Com três expedientes a cumprir, corria para gravar minhas notas na rádio que tinha estúdio ali. Depois seguiria para outra função em um jornal diário e ao fim do dia fechamento da edição semanal do periódico satírico O Perú Molhado. Enxerguei logo a pauta, e perguntei aos operários sobre o objetivo da empreitada. Me explicaram. Anotei, fotografei e sai correndo.

Capa da edição de O Perú Molhado em que primeiro saiu a matéria escrita após a notícia ser dada em primeira mão via rádio

A notícia em primeira mão foi para 15 cidades do interior fluminense via rádio. Com o mesmo áudio encaminhei para emissoras da capital que, via rádio, também ficou informada. Escrevi também a matéria que publiquei com foto no blog que o Perú Molhado tinha na época para publicações mais urgentes e que não poderiam esperar a publicação impressa.

Ela serviu de release para praticamente tudo que saiu na imprensa da época, foi notícia nacional, e as fotos circularam até eu perder o controle da minha autoria. Ali descobri que eu era um bom assessor de imprensa também, sabia movimentar os veículos em torno de uma pauta.

Assim, antes do fim do dia, a obra estava parada. E por mais que os responsáveis se explicassem e defendessem aquela inusitada ideia, nunca mais ela foi retomada.

O assunto foi à Câmara de vereadores, recebeu atenção das associações. E o Perú Molhado, por meio da minha matéria, chegou a ser citado como o veículo que parou o rejunte da Rua das Pedras.

O arquiteto Otávio Raja Gabaglia ( Otavinho), arquiteto que participou do projeto da Rua das Pedras e ex-secretário municipal do Governo Toninho Branco, disse que seu celular não parou de tocar quando começaram  as obras de rejunte do piso da Rua das Pedras e, em declaração dada ao Perú, classificou a obra de assustadora  O ex secretário de Turismo de Búzios no governo Mirinho Braga, Isaac Tillinger, estranhou o fato de que, segundo ele, ninguém foi consultado. – trecho da matéria original publicada em O Perú Molhado.

Victor Viana é jornalista, assessor de imprensa e escritor – Autor de A Criança Debaixo do Guarda-Chuva pela editora Ubook

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