Fundado em 2018, o bloco e fanfarra Não Tem Água na Moringa se firmou como uma das expressões mais consistentes do carnaval de rua em Armação dos Búzios. Criado inicialmente como uma reunião de amigos, o grupo cresceu sem perder a espontaneidade e hoje arrasta moradores e visitantes em apresentações que misturam tradição, experimentação musical e ocupação cultural dos espaços públicos.
Com formação instrumental baseada em percussão e sopro, o bloco mantém um repertório que parte das marchinhas clássicas e avança por versões carnavalizadas de canções consagradas da música popular brasileira, incorporando ritmos como funk, xote, baião, ijexá e samba. A proposta é clara: manter o carnaval vivo ao longo de todo o ano, não apenas nos dias oficiais da folia.
Em 2026, o Não Tem Água na Moringa reforça essa identidade com uma agenda que combina rituais tradicionais e eventos próprios. Um dos momentos mais simbólicos ocorre no domingo, 8 de fevereiro, com o Banho de Mar, marcado para as 10h, na Praia dos Ossos. A atividade, que une música, fantasia e mar, se consolidou como um dos pontos altos do calendário do bloco e como gesto de celebração coletiva do carnaval de rua.

A programação segue na quinta-feira, 12 de fevereiro, com o Baile de Carnaval da Feirinha da Ferradura, às 19h, e no domingo, 15 de fevereiro, com a participação no 2º Carnavarrai do Cabine Bar, às 20h. O cortejo principal acontece na terça-feira de carnaval, 17 de fevereiro, com concentração às 16h, quando o bloco volta às ruas em formato de arrastão.
O grupo também chega ao carnaval deste ano com um reconhecimento institucional importante: em 2025, o Não Tem Água na Moringa foi oficialmente reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, um marco na trajetória do coletivo.
Segundo Leandro Araujo, um dos fundadores do bloco, a proposta sempre foi ir além do desfile. “Desde o começo, a ideia foi fazer do carnaval uma prática permanente, um espaço de encontro. A gente cresceu, mas manteve a energia de quem toca para os amigos e para a cidade”, afirma.
A identidade do bloco em 2026 também se expressa na marchinha autoral que embala o cortejo, construída a partir do tema “Caiu na rede, nem sempre é peixe”. A letra propõe uma leitura simbólica das redes — digitais, sociais e comunitárias — como espaços ambíguos, capazes de aprisionar ou de fortalecer laços.
“A rede pode confundir, poluir ou desorientar, mas também pode unir, proteger e alimentar. No nosso arrastão, a gente quer ser a trama que puxa pra cima tudo que há de bom”, diz Leandro Araujo.
Entre festa e reflexão, o Não Tem Água na Moringa reafirma sua presença como bloco popular, tradicional e contemporâneo, consolidando-se como um dos principais símbolos culturais do carnaval independente de Búzios.











LETRA DA MARCHINHA“CAIU NA REDE, NEM SEMPRE É PEIXE” 🟡🔵
Jogar uma rede é fazer uma pergunta aberta ao acaso: cada lance encerra mais mistérios que certezas. E do que a rede traz, cabe a nós escolher o que guardar e o que soltar.
Vamos refletir sobre as redes que aprisionam, poluem ou desorientam – e celebrar as redes que unem: comunitárias, culturais, de solidariedade. Porque rede pode ser armadilha, mas também pode ser laço, proteção, alimento e festa.
No nosso arrastão a gente quer ser a trama que puxa pra cima tudo que há de bom.


