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Três nomes tradicionais da política regional ficam sem mandato em 2027

Lívia de Chiquinho não conseguiu vaga na Câmara, Paulo Melo ficou fora da Alerj na totalização atual e Franciane Motta encerra o mandato sem disputar a eleição
Lívia de Chiquinho Paulo Melo e Franciane Motta ficam sem mandato eletivo a partir de 2027
Lívia de Chiquinho, Paulo Melo e Franciane Motta estarão sem mandato eletivo em 2027 em um novo cenário político na Região dos Lagos I Foto: Divulgação

As eleições de 2026 produziram uma mudança no cenário político da Região dos Lagos. Três nomes com trajetórias construídas em Araruama e Saquarema estarão sem mandato eletivo a partir de 2027: a ex-prefeita de Araruama Lívia de Chiquinho (Republicanos), o ex-presidente da Assembleia Legislativa Paulo Melo (União Brasil) e a atual deputada estadual Franciane Motta, que decidiu não disputar um novo cargo neste ano.

As situações são diferentes. Lívia tentou chegar à Câmara dos Deputados, mas recebeu 4.967 votos e ficou como suplente. Paulo Melo buscou retornar à Alerj e recebeu 35.548 votos, sem conquistar uma das 70 cadeiras na atual totalização. Franciane, por sua vez, não colocou o nome nas urnas em 2026 e encerrará o atual mandato de deputada estadual no início do próximo ano.

O resultado de Lívia de Chiquinho chama atenção pela diferença em relação às votações que obteve quando disputou a Prefeitura de Araruama. Ela comandou o município por dois mandatos consecutivos, após ser eleita em 2016 e reeleita em 2020.

Na segunda eleição municipal, Lívia recebeu 40.620 votos em Araruama. Seis anos depois, na tentativa de ampliar sua atuação política para Brasília, terminou a disputa para deputada federal com 4.967 votos em todo o Estado do Rio, equivalentes a cerca de 0,06% dos votos válidos para o cargo.

A comparação envolve eleições de naturezas diferentes — uma disputa majoritária municipal e outra proporcional estadual — e, por isso, os números não podem ser interpretados como uma transferência direta de votos. Ainda assim, o resultado mostra que a força eleitoral construída durante os oito anos à frente da Prefeitura de Araruama não se converteu, nesta eleição, em votação suficiente para garantir uma cadeira na Câmara.

Lívia também disputou a eleição em um cenário político diferente em sua principal base. Em Araruama, a prefeita Daniela Soares (PL) apoiou outros nomes para as eleições proporcionais. Entre os candidatos ligados à atual gestão estava Carlos Russo (DC), eleito deputado estadual com 27.447 votos. A prefeita também apoiou Manoela Peres (PL), eleita deputada federal com 117.648 votos.

Mudança de cenário

Em Saquarema, o resultado envolve duas das figuras que durante décadas ocuparam posições de destaque na política municipal e estadual.

Paulo Melo tentou retornar à Assembleia Legislativa, instituição na qual construiu parte significativa de sua carreira política. Ex-vereador de Saquarema, ele chegou à Alerj em 1991 e acumulou sucessivos mandatos como deputado estadual, além de ter presidido a Casa.

Em eleições anteriores, Paulo Melo chegou a superar a marca de 100 mil votos. Foram 109.408 votos em 2006, 121.684 em 2010 e 125.391 em 2014. Em 2026, recebeu 35.548 votos na tentativa de voltar ao Legislativo estadual.

A situação de Paulo Melo, porém, exige uma ressalva. Seu registro de candidatura foi indeferido pelo TRE-RJ, e a candidatura aparece nas bases eleitorais com recurso. Por isso, a composição definitiva da Alerj ainda depende do julgamento dos votos de candidatos que concorreram em situação sub judice. Na totalização atual, Paulo Melo não aparece entre os 70 deputados estaduais eleitos.

A mudança em Saquarema envolve também Franciane Motta, esposa de Paulo Melo. Diferentemente do marido e de Lívia, ela não foi derrotada nas urnas porque não disputou a eleição de 2026.

Franciane é atualmente deputada estadual e está no segundo mandato consecutivo na Alerj. Foi eleita em 2018 com 45.123 votos e reeleita em 2022 com 37.873. Antes de chegar ao Legislativo estadual, construiu sua trajetória política em Saquarema, onde foi vice-prefeita e posteriormente governou o município por dois mandatos, entre 2009 e 2016.

A decisão de não concorrer em 2026 significa que Franciane deixará a Alerj com o encerramento da atual legislatura. Com Paulo Melo fora da relação atual de eleitos, o casal poderá iniciar 2027 sem mandato eletivo, cenário diferente daquele que marcou grande parte de sua trajetória política.

Em 2024, Paulo Melo havia tentado retornar ao Executivo municipal ao disputar a Prefeitura de Saquarema, mas não foi eleito. Dois anos depois, voltou às urnas buscando uma cadeira na Alerj.

As eleições de 2026, portanto, alteram a representação de grupos que tiveram peso na política da Região dos Lagos durante diferentes períodos. Em Araruama, Lívia não conseguiu transformar a trajetória de oito anos à frente da Prefeitura em uma cadeira federal. Em Saquarema, Paulo Melo não aparece entre os eleitos na totalização atual, enquanto Franciane deixa voluntariamente a disputa eleitoral depois de dois mandatos consecutivos na Alerj.

Os resultados não significam necessariamente o encerramento das trajetórias políticas dos três, mas colocam Lívia de Chiquinho, Paulo Melo e Franciane Motta fora de cargos eletivos a partir de 2027, considerando a atual totalização da Justiça Eleitoral.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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