A ex-vereadora de Búzios Gladys Pereira Rodrigues Nunes deixou a prisão, mas não o radar da Justiça. A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro concedeu habeas corpus e determinou uma série de medidas cautelares que mantêm a ex-parlamentar sob monitoramento.
A decisão impõe o uso de tornozeleira eletrônica, com instalação obrigatória em até cinco dias, além de comparecimento mensal em juízo, proibição de contato com testemunhas e outros investigados e restrição para sair da comarca sem autorização. Também está vedado o exercício de qualquer função pública relacionada aos fatos apurados.
A Prensa acompanha o caso desde o início. A prisão preventiva, em 24 de fevereiro, foi decretada no âmbito de investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que apura suspeitas de peculato e organização criminosa. No centro da apuração está um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete da então vereadora, entre 2017 e 2020.
Segundo a denúncia, de 18 servidores nomeados no período, ao menos 11 seriam obrigados a devolver parte dos salários. O mecanismo teria sido revelado por um ex-assessor, que apresentou comprovantes de depósitos e descreveu a prática como recorrente.
A decisão do habeas corpus não analisa o mérito da acusação. Trata da liberdade durante o processo. Ainda assim, reconfigura o caso no plano político e institucional. A saída da prisão reduz a pressão imediata, mas mantém o vínculo da ex-vereadora com o processo — agora sob vigilância contínua.
O processo tramita na 2ª Vara Criminal da comarca de Búzios. A fase é de instrução. Testemunhas ainda serão ouvidas, e provas analisadas.
Nos bastidores, a decisão expõe um padrão recorrente: prisões preventivas que dão lugar a medidas cautelares mais brandas, sem encerrar o alcance das investigações. Na prática, a tornozeleira substitui o cárcere, mas não reduz o peso das acusações.
Para a cidade, o caso segue produzindo efeitos. A investigação atinge diretamente a estrutura de um mandato e levanta dúvidas sobre o uso de recursos públicos em nível local — tema que a Prensa vem acompanhando de forma contínua.
A liberdade, neste caso, não encerra a história. Apenas muda o cenário em que ela se desenrola.



