A presença de Búzios no cenário cultural do Rio de Janeiro ganha destaque com o ator Francisco Paz, nome ligado diretamente à história do cinema na cidade, em cartaz com a peça “O Talentoso Ripley”, no Teatro Gláucio Gil, em Copacabana.
Mais do que um novo trabalho nos palcos, a participação de Francisco carrega uma trajetória construída dentro de Búzios. Filho de Mario Paz, responsável pelo Gran Cine Bardot e pelo tradicional Búzios Cine Festival, ele cresceu entre sessões de cinema, bastidores e público — uma formação que moldou sua relação com a arte desde cedo.
Hoje diretor do Cine Bardot, um dos últimos cinemas de rua do estado e referência cultural em Búzios, Francisco mantém viva a tradição que ajudou a construir. Ao mesmo tempo, segue ampliando sua atuação nos palcos, levando consigo a identidade cultural da cidade.
Na montagem de “O Talentoso Ripley”, ele interpreta Richard “Rickie” Greenleaf, personagem central na narrativa baseada na obra de Patricia Highsmith. A peça é conduzida pelo ponto de vista do protagonista, em uma trama marcada por tensão psicológica e jogos de manipulação.
“O talentoso Ripley é um projeto meu. Em 2019 eu estava procurando textos e minha mãe, que é produtora, tinha este texto na biblioteca dela. Quando li a peça, não pensei duas vezes: “esse é o projeto que tenho que fazer”. Por tudo que envolve essa história”, revela.
Paz diz que o seu personagem gosta dos bons prazeres que a vida pode oferecer, algo que ele vê em comum com ele, mas as similaridades terminam aí.
“A parte mais complicada foi encontrar as dores deste homem. A vida que ele leva é uma vida invejada por quase todo mundo. O desafio está em encontrar a humanidade por trás de tantos recursos financeiros e dessa vida sem limites que ele tem”, ressalta ele sobre a construção de Richard.
O ator ainda lembra do primeiro contato com a obra e como a história foi bem adaptada para os palcos, fazendo com que os atores tenham um trabalho bastante consistente e potente.
“A história permite diversas interpretações. Trazer ela aos palcos só mostra a potencialidade e a profundidade de Patrícia Highsmith, autora da série de livros focada no seu personagem Tom Ripley. O trabalho que a Phylis Nagy, que adaptou o texto para o teatro, é digno dessa grande autora. Nos permite jogar em cena permanentemente. Essa é a riqueza deste trabalho. O texto se sustenta nos atores. Na fuga e presença permanente do personagem tom Ripley”, diz.
Francisco e Hugo começaram esse projeto há dois anos e com o tempo eles ficaram além de parceiros de produção, também colegas de cena e amigos na vida.
“Estamos juntos há quase 2 anos trabalhando nesse projeto. Hugo é sem dúvida um dos maiores presentes que este projeto me deu. Não vou ficar rasgando a seda para ele aqui (rs), mas ficar com a amizade e a parceria do Hugo é sem dúvida aqueles retornos eternos que este tipo de projeto proporciona. Hugo é um cara fora de série. Apesar de muitas vezes pensarmos diferentes. Sempre conseguimos nos entender. O que é muito valioso”, conta.


A história, já conhecida por adaptações no cinema e no streaming, ganha nova leitura no teatro, com foco na atuação e na presença dos personagens em cena.
Com temporada até o dia 27 de abril, o espetáculo reúne elenco e direção que transitam entre diferentes linguagens, enquanto nomes como Francisco Paz reforçam a conexão entre a produção cultural da capital e a cena artística de Búzios.
Serviço
Espetáculo: O Talentoso Ripley
Local: Teatro Gláucio Gil – Copacabana, Rio de Janeiro
Temporada: até 27 de abril
Sessões: sábados, domingos e segundas, às 20h
Ingressos: a partir de R$ 35
Duração: 2h
Classificação: 18 anos



