Antes de virar lei, o Festival Gastronômico de Búzios já ocupava um lugar estável na vida da cidade. Nasceu do encontro entre cozinhas, ruas e gente, cresceu com o turismo e se consolidou como um dos momentos mais aguardados do calendário local. Agora, essa trajetória ganha reconhecimento formal, a lei nº 2.165, sancionada nesta quarta-feira (14), declara o evento Patrimônio Cultural Imaterial, Turístico e Gastronômico de Búzios.
O texto legal reconhece o festival como uma prática cultural que ultrapassa o caráter de evento pontual. Trata-se de um conjunto de saberes, encontros e modos de fazer que ajudou a moldar a identidade contemporânea do município, conectando restaurantes, produtores, trabalhadores do setor e o público que ocupa mesas, praças e ruas durante os dias de programação.
Ao estabelecer o reconhecimento como patrimônio imaterial, a lei deixa claro que não há criação de encargos ou restrições adicionais para a realização do festival. O foco está na preservação simbólica e na valorização cultural, abrindo caminho para ações de proteção, divulgação e fortalecimento do evento, inclusive por meio de parcerias com a iniciativa privada e organizações da sociedade civil.
Mais do que pratos e receitas, o festival construiu um modo de viver Búzios, a ocupação do espaço urbano, o diálogo entre gastronomia, arte e música, e a valorização de ingredientes, histórias e identidades que se misturam à mesa. Esse reconhecimento inscreve a gastronomia no mesmo campo da memória coletiva que abriga outras expressões culturais da cidade.
Ao entrar no rol do patrimônio imaterial, o festival deixa de ser apenas um acontecimento anual e passa a integrar, de forma permanente, a narrativa cultural do município. Um gesto que reconhece o papel da comida como linguagem, encontro e história viva de Búzios.


