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Fenaj critica debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band e cobra medidas contra a desinformação

Federação Nacional dos Jornalistas questiona formato e responsabilidade editorial da emissora após confronto marcado por ataques pessoais e defende debates com informações verificáveis e respostas objetivas
Lula e Flávio Bolsonaro durante debate presidencial da Band, realizado em 18 de outubro de 2026.
Debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro motivou críticas da Fenaj sobre o papel do jornalismo e o combate à desinformação. | Foto: Reprodução

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e seus sindicatos filiados criticaram o formato e a condução do debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Bandeirantes no domingo (18). Em nota divulgada nesta segunda-feira (19), as entidades afirmam que o confronto deu espaço a provocações, ataques pessoais e afirmações sem o devido questionamento, em prejuízo da apresentação de propostas e do direito dos eleitores à informação de qualidade.

Intitulado “Debate eleitoral não é espetáculo. Jornalismo exige compromisso com a verdade e a democracia!”, o documento questiona a responsabilidade editorial da emissora e defende mudanças nas regras dos debates eleitorais.

A manifestação ocorre na última semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O encontro promovido pela Band foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos nesta etapa da disputa.

Para a Fenaj, a função jornalística de um debate não se limita a oferecer espaço para que os concorrentes se enfrentem. Também envolve apresentar informações relevantes, confrontar versões e assegurar que os eleitores tenham elementos para avaliar propostas e declarações.

Fenaj questiona responsabilidade editorial da Band

Na nota, a Fenaj reconhece a trajetória profissional dos jornalistas responsáveis pela mediação, mas direciona suas críticas às regras do programa e às decisões editoriais da Band.

A entidade considera insuficiente garantir apenas igualdade de tempo entre os candidatos. Defende que os debates tenham mecanismos capazes de estimular respostas às perguntas e permitir intervenções diante de informações comprovadamente falsas.

A crítica também alcança o uso dos confrontos eleitorais como material para redes sociais. Segundo a Federação, a busca por frases de efeito, provocações e vídeos curtos pode deslocar a atenção de temas diretamente relacionados à vida da população.

Saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais estão entre os assuntos que, na avaliação da entidade, deveriam ocupar espaço central nas discussões entre candidatos à Presidência.

Imparcialidade jornalística não significa ausência de questionamento

Um dos principais argumentos do documento é que a obrigação jornalística de ouvir diferentes posições não elimina o dever de verificar informações e questionar declarações sem sustentação factual.

Para a Federação, a imparcialidade jornalística exige tratamento responsável dos fatos, e não a reprodução de todas as afirmações como se tivessem o mesmo grau de comprovação.

A nota sustenta que o jornalismo deve perguntar, confrontar versões, contextualizar acontecimentos e exigir esclarecimentos. A entidade alerta que a ausência de intervenção diante da desinformação pode contribuir para conferir legitimidade a afirmações falsas.

A discussão encontra respaldo na cobertura posterior ao debate. Uma checagem publicada pela Folha de S.Paulo identificou declarações incorretas, imprecisas ou exageradas feitas por ambos os candidatos, incluindo afirmações sobre economia e gastos do governo.

A Fenaj não propõe impedir o confronto político. O que defende é a adoção de regras que preservem o contraditório sem abrir mão da verificação de fatos e da responsabilidade editorial.

Jornalistas da Band destacam participação dos mediadores

A avaliação apresentada pela Fenaj contrasta com manifestações de profissionais da Band após o debate.

O diretor de jornalismo da emissora, Fernando Mitre, afirmou que as perguntas formuladas pelos jornalistas foram responsáveis por trazer conteúdo programático ao encontro. Em sua análise, o confronto direto entre os candidatos foi marcado por ataques mútuos, enquanto as intervenções da imprensa permitiram abordar questões de interesse público.

Mitre também destacou que o programa combinou um bloco de confronto com banco de tempo e rodadas tradicionais de perguntas, respostas, réplicas e tréplicas.

A jornalista Adriana Araújo, uma das mediadoras, avaliou após a transmissão que a emissora cumpriu sua missão ao proporcionar o confronto entre os candidatos. Ela reconheceu os momentos de tensão e ressaltou o trabalho de controle da plateia e de condução do programa.

Essas manifestações foram feitas após o debate e não representam uma resposta específica à nota da Fenaj, divulgada posteriormente.

Debate eleitoral deve informar, não apenas gerar audiência

Ao cobrar mudanças nos formatos adotados pelas emissoras, a Federação Nacional dos Jornalistas coloca em discussão os limites entre liberdade de expressão dos candidatos, autonomia editorial e responsabilidade jornalística.

A entidade defende regras que favoreçam respostas objetivas, intervenções diante de informações comprovadamente falsas e consequências para o descumprimento das normas estabelecidas para os debates.

O documento também sustenta que a busca por audiência não deve se sobrepor à finalidade informativa de um debate eleitoral.

A discussão ganha relevância na reta final da campanha, quando os debates televisivos oferecem aos eleitores uma das últimas oportunidades de acompanhar os candidatos em confronto direto.

Para a Fenaj, preservar esse espaço como instrumento de informação pública é parte da responsabilidade dos veículos de comunicação no processo democrático.

Leia a nota completa da Fenaj: https://fenaj.org.br/debate-eleitoral-nao-e-espetaculo-jornalismo-exige-compromisso-com-a-verdade-e-a-democracia/

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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