Uma decisão tomada em meio ao luto poderá dar uma nova chance de vida a pacientes que aguardam por transplantes. A família de um paciente internado no Hospital Municipal Rodolpho Perissé (HMRP), em Búzios, autorizou a doação de órgãos após a confirmação da morte encefálica, na segunda-feira (10).
A autorização desencadeou a mobilização necessária para o processo de doação. A estrutura estadual responsável pela captação de órgãos foi acionada e, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, avaliou que o hospital reúne condições técnicas e estruturais para participar do procedimento dentro dos protocolos do sistema de transplantes.
A participação do HMRP envolve desde o suporte assistencial e a manutenção clínica do potencial doador até o acolhimento dos familiares e a articulação com as equipes especializadas.
Decisão da família abre possibilidade para transplantes
A doação de órgãos após a morte depende da autorização familiar. Neste caso, os parentes decidiram autorizar o procedimento mesmo diante do momento de perda.
O secretário municipal de Saúde, Leonidas Heringer, destacou a dimensão da decisão.
“Em um momento de tanta dor, essa família teve a sensibilidade de pensar em outras vidas. É um gesto de generosidade que merece todo o nosso respeito e agradecimento. A doação de órgãos é uma decisão que pode transformar uma perda em esperança para outras famílias”, afirmou.
A destinação dos órgãos segue critérios técnicos do sistema de transplantes e é conduzida pelas equipes especializadas responsáveis pelo processo.
Hospital passa por avaliação para dar suporte ao procedimento
O episódio também mobilizou uma estrutura pouco visível para quem acompanha apenas o momento final de uma doação.
Após a comunicação do caso, a equipe estadual de captação avaliou as condições do Hospital Rodolpho Perissé para participar do processo.
Segundo a diretora da unidade, Carolina Reis, diferentes etapas precisam funcionar de maneira coordenada.
“Esse tipo de procedimento exige uma atuação integrada, desde a identificação e condução do protocolo de morte encefálica até a manutenção clínica do potencial doador, o acolhimento da família e a articulação com a equipe estadual de captação”, explicou.
Para a diretora, a avaliação também representa um reconhecimento da capacidade assistencial da unidade.
“O fato de o Estado reconhecer que o Rodolpho Perissé possui condições para dar suporte a esse processo demonstra a capacidade técnica e assistencial da nossa equipe e a estrutura que o hospital vem consolidando para atender demandas de maior complexidade”, acrescentou.
Como funciona o processo
A doação envolve uma série de protocolos e não fica exclusivamente sob responsabilidade do hospital onde o potencial doador está internado.
O processo integra o Sistema Nacional de Transplantes e, no Rio de Janeiro, envolve a estrutura estadual responsável pela organização dos transplantes.
No HMRP, a equipe participa das etapas assistenciais, incluindo os procedimentos relacionados ao protocolo de morte encefálica, manutenção clínica do potencial doador e acolhimento dos familiares.
As equipes especializadas do sistema de transplantes são responsáveis pelas etapas relacionadas à captação e destinação dos órgãos, seguindo os critérios estabelecidos para o procedimento.
Uma decisão tomada no momento da despedida
Apesar do significado do episódio para a estrutura hospitalar de Búzios, a decisão que tornou todo o processo possível partiu da família.
Ao autorizar a doação depois da confirmação da morte encefálica, os familiares permitiram que órgãos potencialmente viáveis possam ser destinados a pessoas que aguardam na fila por um transplante.
Para essas pessoas, uma decisão tomada durante a despedida pode representar a possibilidade de continuar vivendo.



