Estrutura das pirâmides do “Novo Egito” começa a ruir

Empresas de investimento fecham as portas em Cabo Frio

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As pirâmides do “Novo Egito” começaram a apresentar rachaduras desde a propagação das investigações da Polícia Federal (PF), Ministério Público (MP) e Receita Federal. O apelido faz referência a cidade de Cabo Frio, por virar um centro de instalação de investidores. Nesta quarta-feira (15) faz um mês que as apurações de ofertas sedutoras de lucros altos e rápidos em pelo menos dez empresas da Região dos Lagos vieram a público em uma matéria do Fantástico, da Rede Globo.

As investigações estão sob sigilo e não se sabe ao certo o nome das empresas que estão na mira da polícia, exceto a GAS Consultaria Bitcoin, do empresário Glaidson Acácio dos Santos, preso no dia 25 de agosto em uma operação batizada de “Kryptos” na Zona Oeste do Rio.

Mas apesar de se tratar apenas de investigações e ainda não obter comprovação da prática do sistema de pirâmide financeira, algumas empresas de investimentos estão fechando as portas, o que deixa a população intrigada e também preocupada pelos que investiram suas economias. A empresa Investing Lagos, que fazia consultoria de investimentos, e a Alphabets, especializada no mercado de apostas esportivas, ambas com sede em Cabo Frio, anunciaram o término das atividades na quarta-feira (8), um dia antes da segunda operação.

Uma outra empresa havia fechado as portas antes mesmo de estourar o escândalo, a Black Warrior Consultoria (BW). O fechamento foi em junho e deixou muitos clientes no prejuízo. A empresa prometia lucro de 30% por mês sobre investimentos e agia nos municípios de Cabo Frio e Búzios.

Investigações GAS

O empresário Glaidson Acácio dos Santos é suspeito de chefiar o sistema de pirâmides ou “esquemas ponzi” na Região dos Lagos com promessa de lucro de 10% nos investimentos em criptomoedas. Mas na realidade foi apurado que a maior parte dos investimentos eram direcionados para contas pessoais. A polícia encontrou evidências de que ele tentava fugir do país.

De acordo com a PF, nos últimos seis anos, a movimentação financeira das empresas envolvidas nas fraudes apresentou cifras bilionárias, de R $38 bilhões, sendo certo que aproximadamente 50% dessa movimentação ocorreu nos últimos 12 meses. Mesmo com Glaidson preso, as operações continuam ocorrendo normalmente, segundo a empresa. Mesmo assim, cerca de 13 ações tramitam no Tribunal de Justiça do Rio para o bloqueio dos bens do empresário. Após a prisão do ex-garçom, clientes foram às ruas em carreata para protestar em favor do suspeito. Ao som de buzinas e faixas, os clientes indignados com acusações exaltavam o comprometimento da empresa em pagar corretamente.  

Glaidson também foi pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e, de acordo com a instituição, doou R $72,3 milhões ao longo de 14 meses, entre 4 de maio de 2020 e 14 de junho de 2021 para o ministério. A Igreja entrou com uma liminar pedindo que Glaidson apresentasse, com urgência, documentos que explicassem a origem do dinheiro temendo ser envolvida em escândalo, mas foi negada pela justiça, que entendeu que “não constam nos autos elementos que evidenciem o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo”.    

A primeira fase da operação “Kryptos”, no dia 25 de agosto, os investigadores cumpriram 15 mandados de busca e apreensão e cinco pessoas foram presas. Os policiais encontraram R $13,8 milhões em espécie e 591 bitcoins, que equivalem, na cotação atual, a quase R $150 milhões, 21 carros de luxo, dólares, euros, barras de ouro, joias, celulares, aparelhos eletrônicos e documentos.

A segunda fase da força-tarefa foi no dia 9 de setembro com dois mandados de prisão preventiva e outros dois de busca e apreensão. Uma das equipes realizou a investigação em Cabo Frio, enquanto a outra na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os dois homens procurados seriam os operadores financeiros do chefe da quadrilha, mas não foram encontrados e estão foragidos, assim como a mulher e sócia de Glaidson, Mirelis Zerpa, que está fora do país.

Criptomoedas x pirâmides financeiras x esquemas Ponzi

Na Região dos Lagos nunca se ouviu tanto falar em criptomoedas como no último mês. Mas, assim como todo investimento, a aplicação apresenta duas faces: o risco e o retorno, e, por isso, tem que ser consciente. As criptomoedas são moedas/ativos digitais armazenados em carteiras virtuais e comercializadas por meio da tecnologia de blockchain e da criptografia. Os registros apontam para o surgimento em 2009.

O bitcoin permanece como a principal criptomoeda, mas existem mais de duas mil plataformas em operação no mercado atualmente, como Ethereum, USDT, Litecoin, XRP, Cardano, Stellar, Dogecoin, Bitcoin Cash, Monero, NEM, Tezos, por exemplo, incluindo iniciativas brasileiras como B2U Coin, Bitblocks, Niobiocash, WibX e CriptoBRL.

Diferente do mercado lícito das criptomoedas, as pirâmides financeiras são consideradas crimes contra a economia popular e deve ser comunicado ao Ministério Público. Os membros são pagos com aportes a partir da entrada de novos participantes. À medida que a pirâmide cresce, diminui o número de pessoas para aderir a base e consequentemente a entrada de dinheiro, o que torna o esquema insustentável. Já o esquema Ponzi, apesar de ser pago com recursos de novos investidores, o dinheiro é entregue a uma única pessoa que promete restituir os valores com maior rentabilidade.

Segundo o empresário e investidor, Lucas Brandão, primeiro é preciso “investir em conhecimento, depois em aumento patrimonial ou receita”.

“O mais importante antes de investir em criptomoedas, imóveis, bolsa de valores, é investir em conhecimento. O conhecimento não pode ser tirado de você. Com isso você vai poder entender qual o seu perfil investidor, se é mais audacioso, se é mais conservador… Tudo isso deve ser levado em consideração para fazer aportes financeiros”.

A Prensa conversou com o influencie sobre desconfiar de ofertas milagrosas de investimentos . Veja a matéria na íntegra clicando aqui.

Saiba mais sobre o assunto também no artigo do consultor empresarial e analista do mercado de capitais, José Carlos Alcântara no artigo abaixo.

OPINIÃO E ANÁLISE

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