A morte de uma mulher e de seu filho após um acidente com ônibus na Tijuca, zona norte do Rio, rompeu o limite da tolerância. O caso, que envolveu uma bicicleta elétrica em meio ao tráfego pesado, acelerou uma resposta do poder público. Na capital, ciclomotores e motos elétricas foram empurrados para fora das ciclovias e passaram a ser tratados como veículos motorizados, com exigência de habilitação e placa.
A medida tenta impor ordem onde ela deixou de existir
Em Búzios, o problema já ganhou outra escala. A principal via da cidade, a Avenida José Bento Ribeiro Dantas, se transformou em um corredor de risco contínuo. O aumento das motos — sobretudo elétricas — alterou o comportamento do trânsito e eliminou fronteiras básicas entre os modais.
Não há separação. Não há previsibilidade
Na prática, motos elétricas circulam onde não deveriam: ciclovias, calçadas, acostamentos. Cruzam acessos sem reduzir, avançam sobre pedestres e disputam espaço com bicicletas. Sem ruído, muitas passam despercebidas até o momento do impacto.
O cenário não é teórico. Ele se materializa em ocorrências cada vez mais frequentes
Em janeiro, uma mulher ficou ferida após colidir com um carro ao trafegar em uma moto elétrica pela ciclovia na RJ 102, trecho conhecido como Reta da Marina, em Búzios. O veículo fazia uma conversão para acessar um condomínio. O ponto reúne fluxo contínuo e entradas laterais — combinação que exige regra clara e fiscalização constante. Não há nenhum dos dois.
O resultado se repete: conflito
Dados recentes mostram que o problema deixou de ser pontual. A frota de motocicletas cresceu acima dos demais veículos, enquanto os atendimentos por acidentes graves praticamente dobraram no Hospital Municipal Rodolpho Perissé em um ano. A maioria envolve motos.
O que antes era concentrado nas rodovias migrou para dentro da cidade
A diferença entre Búzios e a capital está menos no tipo de problema e mais na resposta. Enquanto o Rio de Janeiro endurece regras e tenta separar fluxos, Búzios segue sem diretriz clara. Não há regulamentação específica para motos elétricas. Não há fiscalização contínua. Não há alternativa viária.
A cidade funciona sobre um único eixo. E esse eixo já não comporta o volume nem o comportamento que se impôs.
Especialistas em mobilidade apontam que a expansão dos veículos elétricos exige definição imediata de onde cada um pode circular. Sem isso, o espaço urbano deixa de organizar o trânsito e passa a amplificar o risco.
É o que já acontece.



