Celebrado em 29 de janeiro, o Dia Nacional da Visibilidade Trans volta a colocar no centro do debate público a luta por direitos, respeito e inserção digna de pessoas trans e travestis no mercado de trabalho. Mais do que uma data simbólica, o dia também evidencia os desafios enfrentados por uma população que segue entre as mais vulneráveis à exclusão social, ao desemprego e à violência no Brasil.
No Rio de Janeiro, a empresa pública RioSaúde destacou nesta semana a trajetória de Ana Flávia Pereira, de 35 anos, maqueira da rede municipal, como exemplo de inclusão institucional no serviço público. Segundo a RioSaúde, sua história representa resistência e a possibilidade de atuar em ambientes onde a identidade de gênero é reconhecida e respeitada.
Ana Flávia relata que assumiu responsabilidades familiares ainda na adolescência, como irmã mais velha de cinco irmãos, e que sua transição ocorreu em um contexto social marcado por silenciamentos e preconceito. “O mundo era bem diferente. Não havia entendimento sobre nós; o que existia era agressão”, afirmou em depoimento divulgado pela instituição.
Um dos pontos centrais de sua trajetória, segundo o relato, foi a dificuldade de acesso ao emprego. Durante anos, Ana Flávia conta que precisou esconder sua identidade em entrevistas, usando roupas masculinas por medo da rejeição. “Eu chegava à porta da empresa e via candidatos rindo. Era uma humilhação”, disse.
A entrada na rede pública municipal marcou uma mudança decisiva. Atuando hoje como maqueira, ela afirma que encontrou um ambiente de trabalho onde o reconhecimento profissional caminha junto com a dignidade cotidiana. Para Ana Flávia, ser chamada pelo nome e respeitada pela equipe representa uma conquista que vai além da estabilidade.
A data da Visibilidade Trans é considerada um marco para a construção de políticas públicas de proteção, combate à discriminação e garantia de cidadania plena. Organizações de direitos humanos apontam que a presença de pessoas trans em espaços institucionais ainda é limitada, e que avanços dependem de ações concretas de inclusão e respeito no mundo do trabalho.
Ao trazer histórias como a de Ana Flávia, iniciativas públicas buscam ampliar o debate e reforçar que diversidade no serviço público não é apenas representatividade, mas também compromisso com direitos fundamentais.


