Uma reportagem da jornalista Roberta de Souza, publicada nesta semana por O Globo, revelou um esquema de extorsão praticado por integrantes do crime organizado contra comerciantes de Armação dos Búzios. Com base em denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o texto mostra que o grupo criminoso impunha preços para a venda de galões de água, determinava os fornecedores autorizados de botijões de gás e ameaçava comerciantes que descumprissem as ordens. A reportagem, no entanto, não informa em qual bairro de Búzios os fatos ocorreram. A fotografia utilizada para ilustrar a publicação mostra a Praia de Tucuns, o que sugere, sem confirmação no texto, uma associação com aquele bairro.
Segundo a denúncia do Ministério Público, quatro suspeitos foram presos após investigação conduzida pela 127ª Delegacia de Polícia (Armação dos Búzios). De acordo com a Polícia Civil, o grupo mantinha um esquema de cobrança ilegal sobre produtos considerados essenciais.

Na comercialização de água mineral, os criminosos determinavam que os comerciantes acrescentassem R$ 2 ao preço de cada galão. Esse valor deveria ser repassado à organização criminosa. Quem se recusasse a cumprir a determinação era ameaçado e informado de que não poderia continuar exercendo a atividade na região.
As investigações também apontaram o controle sobre a revenda de botijões de gás. Conforme os depoimentos reunidos pela polícia, os comerciantes eram obrigados a adquirir os produtos exclusivamente de um fornecedor indicado pelo grupo.
Um dos revendedores contou que decidiu comprar botijões em Cabo Frio para reduzir custos, já que, segundo seu relato, cada unidade em Búzios chegava a R$ 150. Ao retornar ao município, teve sete botijões levados pelos criminosos, que alegaram que ele não poderia revendê-los por terem sido adquiridos em outra cidade. Depois do episódio, afirmou ter recebido mensagens determinando de quais fornecedores poderia comprar gás.
Outros dois comerciantes também relataram à polícia terem sido vítimas de ameaças semelhantes. Em um dos casos, os criminosos citaram a apreensão dos sete botijões como forma de intimidar o revendedor.
Durante a operação da Polícia Civil, três suspeitos foram presos inicialmente. Os agentes apreenderam sete celulares, cerca de R$ 10 mil em dinheiro e anotações contendo chaves Pix e dados relacionados a comerciantes da região. As investigações prosseguiram e levaram à prisão de um quarto integrante apontado como participante do esquema.
Ao decretar a prisão dos investigados, o juiz responsável pelo caso afirmou que os elementos reunidos apontam para uma “estrutura organizada para dominar, mediante intimidação violenta, um setor essencial da economia local”. O magistrado também ressaltou que as vítimas eram trabalhadores que dependem da revenda de gás para garantir sua subsistência.
A reportagem de O Globo relaciona o caso de Búzios a uma expansão da atuação das facções criminosas sobre atividades econômicas no estado do Rio de Janeiro. No último domingo, o jornal mostrou que organizações criminosas passaram também a controlar a distribuição de alimentos, produtos de limpeza e materiais de construção em outras regiões fluminenses, impondo fornecedores e restringindo a concorrência.
Embora detalhe o funcionamento do esquema e as investigações policiais, a reportagem de Roberta de Souza não identifica a localidade específica onde os crimes ocorreram em Armação dos Búzios. A única referência geográfica visual é a imagem que acompanha a publicação, retratando a Praia de Tucuns, sem que o texto confirme se o bairro foi, de fato, o cenário dos fatos investigados.



