Aos 6 anos, Coral Rajzman se prepara para participar pela terceira vez do North Shore Menehune Surfing Championships, tradicional campeonato de surfe infantil realizado no North Shore de Oʻahu, no Havaí. Filha do carioca Phil Rajzman, de 44 anos, tricampeão mundial de longboard, a menina retorna ao evento que marcou sua estreia em competições, quando tinha apenas três anos.
O campeonato está previsto para outubro, com datas indicadas para 17, 18 e 25, no Haleʻiwa Aliʻi Beach Park. Coral participará da Kokua Division, categoria recreativa destinada a crianças de três a seis anos, na qual os pais podem acompanhar os pequenos surfistas dentro d’água. Sem classificação final ou definição de campeões, a modalidade busca proporcionar uma primeira experiência com a dinâmica das competições, incentivando a escolha das ondas, o contato com o oceano e a convivência entre as crianças.

Para Phil, o retorno tem um significado que vai além do esporte. Foi nesse campeonato que a filha começou a conhecer o ambiente competitivo do surfe, ainda muito pequena. Enquanto ele estreou em competições aos sete anos, na escolinha de Rico de Souza, Coral já participou de mais de dez eventos, entre apresentações individuais e provas de Tandem, modalidade em que pai e filha surfam juntos na mesma prancha.
A dupla conquistou o primeiro lugar na categoria Tandem Kids do Duke’s OceanFest, outro evento tradicional realizado no Havaí.
“O Menehune foi o primeiro campeonato de surfe da Coral, quando ela tinha três anos. Esse evento marcou um momento muito especial para mim como pai: ver minha filha dentro d’água, participando com outras crianças e descobrindo esse universo. Ficamos impressionados com a quantidade de crianças e com o encontro de famílias de diferentes partes da ilha”, conta Phil.
Desde as primeiras participações, Coral demonstra desenvoltura sobre a prancha. No início, costumava aproveitar as ondas até a beira da praia. Com o tempo, passou a entrar nas ondas mais afastadas da areia, experimentar mudanças de base e desenvolver maior controle dos movimentos. Agora, começa a praticar o cruzamento dos pés ao caminhar sobre a prancha, técnica característica do longboard.
A modalidade também é uma das preferências da menina, que encontra nas caminhadas sobre a prancha e na fluidez dos movimentos uma aproximação com o estilo praticado pelo pai.
Apesar da evolução e dos resultados já conquistados, Phil procura manter o esporte como uma atividade espontânea na vida da filha, sem antecipar expectativas sobre uma possível carreira profissional.
“Para a Coral, estar no surfe é algo natural. Eu procuro seguir as vontades dela, sem forçar nada. O mais especial é ver como transforma os desafios em diversão e adora participar. O pedido para treinar surfe partiu dela. Me perguntou por que tinha horário para a escola e para o jiu-jítsu, mas não para o surfe. Expliquei que uma possível carreira competitiva seria uma escolha dela e respondeu que queria treinar também. Foi aí que me comprometi a dedicar dois dias por semana à evolução dela. O surfe nunca foi uma obrigação”, relata o tricampeão.
Atualmente, Coral divide sua rotina entre o surfe, o jiu-jítsu e o tecido acrobático. As atividades trabalham habilidades como coordenação motora, equilíbrio, força e concentração. A preparação, segundo o pai, acompanha o ritmo e os interesses da menina. Nos fins de semana, a rotina é mais livre, embora a praia continue entre os programas preferidos da família.
Aprendizado dentro e fora d’água
A convivência com o North Shore, região reconhecida internacionalmente pela tradição no surfe, também aproxima Coral da história e da cultura do esporte. Entre praias e campeonatos, ela tem contato com atletas, campeões mundiais e nomes do surfe havaiano, construindo referências por meio das experiências e amizades.
“Acredito que a compreensão mais profunda do que o North Shore representa vai chegar com o tempo. Por enquanto, ela está vivendo tudo isso como criança: fazendo amigos, pegando ondas e se divertindo. Acho muito positivo que essa ligação com a cultura do surfe esteja se construindo de maneira tão natural”, afirma Phil.
O tricampeão também procura transmitir à filha os aprendizados acumulados durante a carreira. Antes de entrar no mar, os dois observam as condições das ondas, avaliam os melhores pontos para se posicionar e conversam sobre segurança. O objetivo é desenvolver a autonomia de Coral e mostrar que cada experiência pode ensinar algo, independentemente do resultado.
“Perder faz parte, e sempre existe algo para aprender. Ela é competitiva e gosta de ganhar. Eu incentivo que dê o melhor dela, mas que entenda que uma derrota também faz parte do caminho”, explica.
Embora participe de uma categoria sem classificação, Coral já demonstra curiosidade sobre as disputas que têm pontuação e premiação. Ela costuma perguntar ao pai quando poderá competir em uma modalidade na qual seja possível ganhar ou perder.
“Eu gosto de pegar onda com meu pai e encontrar outras crianças. Quero aprender mais manobras e, também, participar de um campeonato que tenha primeiro lugar!”, afirma Coral.
A experiência da menina também dá continuidade a uma história familiar ligada ao esporte. Phil Rajzman conquistou títulos mundiais de longboard em 2004, 2007 e 2016, incluindo os campeonatos do circuito ASP/WSL em 2007 e 2016 e o Oxbow Soul & Style, realizado em Puerto Escondido, no México, em 2004. Em 2007, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar um título mundial profissional de surfe reconhecido pela então Association of Surfing Professionals (ASP), atual World Surf League, segundo sua trajetória apresentada pela assessoria.
Com cerca de 25 anos de atuação na elite mundial do longboard, o atleta também reúne títulos pan-americanos, sul-americanos e brasileiros. É filho de Bernard Rajzman, medalhista olímpico de vôlei e integrante do Comitê Olímpico Internacional, e da ex-patinadora profissional Michelle Wollens.
Além das competições, Phil atua como empresário e desenvolve pranchas da marca Phil Rajzman Surfboards. Apresentou o programa 9 Pés, do Canal Off, participou dos filmes Surf Adventures 1 e 2 e é padrinho do projeto Surf no Alemão, no Rio de Janeiro.
Para acompanhar a programação do North Shore Menehune Surfing Championships, a organização disponibiliza informações no Instagram @menehunesurfcontest_haleiwa. A trajetória de Phil Rajzman pode ser acompanhada em @philrajzman, no canal Phil Good, no YouTube, e no site oficial do atleta.



