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	<title>Arquivo de Victor Viana - Prensa de Babel</title>
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	<title>Arquivo de Victor Viana - Prensa de Babel</title>
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		<title>Desatadora de nós #5</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/desatadora-de-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jun 2023 17:09:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A mulher fantástica agora era uma santa de gesso, que só se podia ver seu rosto triste. Mas há um quadro mágico, no pátio de uma igreja como outra qualquer, em uma cidadezinha ensolarada, que, mesmo os homens não gostando, mostra que ela, a mulher, continua a caminhar pelo mundo, espalhando sua aura mágica e desatando os nós da vida das pessoas que encontra pelo caminho. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-4202539150"><a href="https://api.whatsapp.com/send/?phone=558007020195&#038;text&#038;type=phone_number&#038;app_absent=0" target="_blank" aria-label="CAMPANHA DE FRAUDES &#8211; PROLAGOS 150x150px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2024/09/CAMPANHA-DE-FRAUDES-PROLAGOS-150x150px.gif" alt=""  width="150" height="150"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Era uma vez uma mulher fantástica, cuja beleza era tão impressionante que parecia ser de outro mundo. Seus cabelos ficavam expostos ao vento, e sua aura mágica emanava um brilho intenso que envolvia tudo ao seu redor. Ela caminhava com a graça de uma deusa, e ao seu redor, os nós da vida simplesmente se desfaziam, sem que ela precisasse usar as mãos para isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>As pessoas que a viam desatar os nós ficavam maravilhadas com sua habilidade e sua beleza, e sentiam uma paz profunda que tomava conta de seus corações. As mulheres, em particular, eram profundamente afetadas pela presença da mulher fantástica. Ela as fazia sentir fortes e únicas, capazes de enfrentar qualquer desafio e vencer qualquer obstáculo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>As mulheres que encontravam a mulher fantástica descobriam que eram donas de si, e que podiam pensar por si mesmas. Elas aprendiam a valorizar sua própria singularidade, e se tornavam mais confiantes e corajosas. Com a ajuda da mulher fantástica, elas encontravam a força interior para vencer seus medos e seguir seus sonhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Com o tempo, as mulheres que haviam encontrado a mulher fantástica se transformavam completamente. Elas se tornavam líderes, empresárias, artistas, mães e amigas incríveis. Elas inspiravam outras mulheres a serem fortes e independentes, e ajudavam a construir uma sociedade mais justa e igualitária.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-1190279712"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-300x53.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-1024x182.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-768x137.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A mulher fantástica também era dona de seu próprio corpo e de seus desejos. Ela não tinha vergonha de sua sexualidade e era livre para expressá-la como bem entendesse. Ela era mãe, filha e mulher, e sabia que cada uma dessas facetas de sua personalidade era igualmente importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Um grupo de homens não gostava disso, nem um pouco. Armaram um plano. Criaram uma instituição forte e sofisticada, dominada por um poder central, só com homens, para colocar a mulher em um pedestal, cobrir ela de panos. Um sistema sombrio envolvendo crenças, mitos e leis. Escreveram livros sobre o silêncio ser superior à palavra e disseram que o silencio era o dom da mulher. Mentiram que Deus havia colocado a mão sobre um homem que colou a mão sobre outro homem e assim a mágica dele viria de homem em homem até hoje. Inventaram que ela, a mulher, cozinhava sempre bem, que já nascia sabendo cuidar de crianças, e que não se importava de abrir mão de seus desejos e ser levada para lá e para cá, Ah, e ela era sempre virgem, mesmo tendo filhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A mulher fantástica agora era uma santa de gesso, que só se podia ver seu rosto triste. Mas há um quadro mágico, no pátio de uma igreja como outra qualquer, em uma cidadezinha ensolarada, que, mesmo os homens não gostando, mostra que ela, a mulher, continua a caminhar pelo mundo, espalhando sua aura mágica e desatando os nós da vida das pessoas que encontra pelo caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Os homens não conseguem destruir o quadro, ele é protegido pela mágica, então colocaram uma estátua da mulher coberta ao lado, para distrair. Mas quando outras mulheres se demoram por mais tempo com o olhar fixo no quadro que retrata a mulher fantástica, descobrem que ela amou e se machucou como qualquer outra mulher, e que nunca aceitava que os homens lhe dissessem o que fazer ou como agir. Ela é uma força avançando como a aurora e temível como um exército em ordem de batalha, e que Deus manifestou nela o poder de seu braço, que solta cabelos, rompe cadeias. Entende que Deus não cabe dentro de um templo de pedra, está souto no vento e é de quem pegar.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jornal-prensa-de-babel wp-block-embed-jornal-prensa-de-babel"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="tRZLoE7PB3"><a href="https://prensadebabel.com.br/o-amor-pelas-bolas-2/">O amor pelas bolas #4</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O amor pelas bolas #4&#8221; &#8212; Jornal Prensa de Babel" src="https://prensadebabel.com.br/o-amor-pelas-bolas-2/embed/#?secret=aYp5TXPU07#?secret=tRZLoE7PB3" data-secret="tRZLoE7PB3" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<figure class="wp-block-image alignleft size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-3.jpg" alt="" class="wp-image-49982" width="214" height="214" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-3.jpg 400w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-3-300x300.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-3-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 214px) 100vw, 214px" /><figcaption class="wp-element-caption">Victor Viana &#8211; escritor, autor de A Criança Debaixo do Guarda-chuva &#8211; editora Ubook </figcaption></figure>
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		<title>O amor pelas bolas #4</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/o-amor-pelas-bolas-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jun 2023 12:18:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Viana]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Crônica ambientada em Búzios e no Rio de Janeiro sobre Calisto Cascanho,  Jenniffer, que tem um relacionamento com um jogador de futebol. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-1259736303"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Calisto Cascanho é literalmente um “filho da puta”. Sua mãe fazia programas por 10 cobres na Rua Los Catiços, em El Salvador. Calisto contou que veio parar no Brasil por acaso, já era um “hominho”, ou quase isso, ri ao contar. Tinha acabado de sair do xadrez (havia sido preso por porte ilegal de armas e “sodomia”), encontrou um amigo que o convenceu que tinha um belo traseiro e que poderia ganhar um bom dinheiro com ele no Rio de Janeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o codinome “Jenneffer Favo de Mel” (assim mesmo com o n e o f duplicados), foi à luta e quando já estava acostumado a labuta árdua na rua, conheceu um jogador de futebol de renome que lhe prometeu “mundos e fundos”. Na verdade, moveu o mundo para ter os “fundos” de Jenneffer só pra ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se na TV, revistas e jornais o futeboleiro profissional tinha fama e pose de pegador espada, nos bastidores, apaixonado que estava, começava aos poucos a retirar Jenneffer da “vida”, e colocava Calisto bem acomodado em um apê no caríssimo Leblon. Foi nessa época que ele (o futeboleiro craque da bola) comprou a casa de Búzios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Isso foi mais ou menos quando deu o primeiro aceno que poderia a vir se envolver com a política”, contou em tom melancólico Calisto Cascanho, que em seguida revelou que começava ali sua rotina de solidão.<br>O monarca dos campos, amante fogoso de outrora, agora o deixava abandonado na Zona Sul do Rio. Pelas revistas e pelos programas de fofocas Calisto seguia a rotina de noitadas, carrões, amigos e loiras de coxas lisas e quentes, sorrisos artificiais nas fotos ao lado de seu amor. “Está na hora de acabar com essa porra”, decretou em voz alta na sala vazia de uma noite solitária do Leblon. As 7h em ponto, Calisto estava em Búzios. O craque da bola ainda dormia, assim como o bando de amigos, lambe botas, putas profissionais e putas apenas por esporte, também.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-2352908141"><a href="https://prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="Retangulo 10 anos"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864.png 1130w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-300x57.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-1024x196.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-768x147.png 768w" sizes="(max-width: 1130px) 100vw, 1130px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">O cheiro dos fluidos sexuais misturados a bafo de álcool, os corpos desnudos e narizes com resquícios de farinha, provocaram náuseas em Calisto Cascanho que quando conheceu o futeboleiro, era Jenneffer Favo de Mel. O artilheiro se levantou e foi em direção a Calisto tentando se explicar e tomou um tapa, que ficou dias com cinco dedos marcados na cara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amor acabou e no lugar ficou o ódio, mas também uma pensão para que Calisto não abra o bico, tão alta que o ex-affair do futeboleiro não precisa nem pisar no chão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Publicado originalmente no jornal O Perú Molhado &#8211; 2014</p>
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		<title>Pisou no meu rabo #3</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/pisou-no-meu-rabo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jun 2023 11:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Viana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>-Traz água com açúcar! Anda logo, menina! Anda logo! Jaçira desespera-se com aflição de sua filha Cleodete. A menina não consegue falar. Molhada de suor e vermelha de desespero. -Era um homem! Era um homem! Um homem chifrudo! Cleodete repetia. Havia ido, sem permissão dos pais, ao forró do Agastão, no deserto de praia ,areia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-2223918878"><a href="https://www.amazon.com.br/Crian%C3%A7a-Debaixo-Do-Guarda-chuva/dp/6558751399" target="_blank" aria-label="300"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">-Traz água com açúcar! Anda logo, menina! Anda logo! Jaçira desespera-se com aflição de sua filha Cleodete. A menina não consegue falar. Molhada de suor e vermelha de desespero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Era um homem! Era um homem! Um homem chifrudo! Cleodete repetia. Havia ido, sem permissão dos pais, ao forró do Agastão, no deserto de praia ,areia e mato de Tamoios, o canto mais esquecido de Cabo Frio, no litoral fluminense, nos idos de 1980. Era uma noite quente e abafada, e o forró estava animado como de costume.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Um homem alto, de olhos azuis e usando um chapéu, entrou no forró sem ser reconhecido por ninguém. O forasteiro parecia ter muito dinheiro, pois começou a pagar cerveja para todos que estavam no bar. Ele dançou com muitas mulheres, que ficaram encantadas com sua aparência exótica e seu charme.<br>Mas já pelas tantas, uma das mulheres que dançava com ele pediu desculpas por ter pisado em seu pé. Foi então que o homem respondeu de uma forma estranha: &#8220;Não! Pisou no meu rabo&#8221;. A mulher ficou chocada com a resposta e começou a gritar, assustando a todos no salão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>O homem misterioso desapareceu do forró e, para surpresa de todos, o dinheiro do caixa também havia sumido. Ninguém sabia quem era ele ou de onde tinha vindo. Algumas semanas depois, outro forró foi realizado e, para surpresa de todos, o homem misterioso apareceu novamente. Algumas pessoas o reconheceram e ficaram tensas, mas outras estavam animadas com a oportunidade de aproveitar a gastança do tal.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-1190279712"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-300x53.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-1024x182.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-768x137.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A noite seguia animada e o homem dançava com várias mulheres novamente. Mas em um momento, o grande chapéu do homem caiu, revelando algo que deixou todos horrorizados. Ele tinha chifres de cabra. Todos que beberam da cerveja que ele havia comprado passaram muito mal no outro dia. É o que se conta. O chifrudo nunca mais foi visto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-É o demônio! É o demônio! Jaçira tinha certeza, e espalhou rápido a história de casa em casa. Jumarez, seu esposo, que vivia de biscates de cidade em cidade, disse que na vila do Rio das Ostras tinha acontecido o mesmo e que um homem de nome Pirata tinha tentado atirar no cão, mas ele virou fumaça. Um parente de Jaçira que passava por Tamoios afirmou que escutou o mesmo no Arraial. Irmã de Jaçira lembrou que a vó delas contava que quando se faz um sino novo, antes de colocarem ele para badalar na igreja, é preciso espalhar uma mentira macabra. Se a mentira rodar o mundo e voltar para o lugar onde foi inventada está garantido o badalar bonito do sino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Domingo, páscoa, como há muito não se fazia, a família toda e alguns moradores daqueles descampados tristes, foram a missa na matriz, do outro lado do Rio São João. A igreja estava de sino novo, o belém -belém era bonito. Havia o padre velho, que tinha uma mulher e dois filhos muito queridos. Para o rito solene tinha também um padreco novo, de cabelo aloirado, olhos azuizinhos. Jaçira arrepiou. Claeodete disparou a chorar. Jumarez intrigado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Jaçira no final falou com o padre velho sobre o acontecido. O sacerdote cético lembrou a ela que Deus não dava permissão para o diabo se meter assim na vida de seus filhos, mesmo estando em casas de perdição. Jaçira ficou meio satisfeita. Ao sair, atarantada, na porta da sacristia deu de cara com o padreco bonito, sentiu um gelo na barriga, tropeçou já se desculpando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Perdão, padre. Pisei na barra de sua batina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Não! Tropeçou nos meus cascos. O padre novo disse gargalhando e sumindo no meio do enxofre.<br>Nunca mais foi visto, nem ali e nem em outra paroquia vizinha. Quem comungou da mão do padre do inferno diz que sentiu azia e má digestão após o almoço. É o que se conta. E Jaçira repete a história às vizinhas, enquanto troca os panos do bebezinho lindo, com seus olhinhos azuizinhos. Filho de Cleodete, que descansa do parto difícil.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jornal-prensa-de-babel wp-block-embed-jornal-prensa-de-babel"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="mp25b8n9ZQ"><a href="https://prensadebabel.com.br/o-crime-do-lobsomen-da-raza/">O crime do Lobsomen da Raza #2</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O crime do Lobsomen da Raza #2&#8221; &#8212; Jornal Prensa de Babel" src="https://prensadebabel.com.br/o-crime-do-lobsomen-da-raza/embed/#?secret=UT0Y8vmqO9#?secret=mp25b8n9ZQ" data-secret="mp25b8n9ZQ" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">__________________________________________________________________________________________</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1.jpg" alt="" class="wp-image-49985" width="254" height="254" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1.jpg 400w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1-300x300.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 254px) 100vw, 254px" /><figcaption class="wp-element-caption">Victor Viana &#8211; autor de A Criança debaixo do guarda-chuva   https://store.ubook.com/ubook-1190040-pre-venda-a-crianca-debaixo-do-guarda-chuva.html</figcaption></figure>
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		<title>O crime do Lobsomen da Raza #2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 15:31:48 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[Lobson Raza]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de uma mulher que na década de 1960, no interior de Búzios, Rio de Janeiro, conta-se, matou um lobsomen</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-2560504563"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><em>‘Tava dromindo candongueiro me chamô. Tava dromindo candonguero me chamô.<br>Acorda povo, cativero já cabô.<br>Lá no cruzero tem um boi que sabe lê!<br>Ó bota corda nele, traz aqui que eu quero vê</em>. ‘</p>



<p class="wp-block-paragraph">Joquina e sua maninha gostavam tanto daquela cantoria do povo as altas horas da noite quente lá nos <em>mato</em> da <em>Raza</em>. O ano era o de 1960, tinha tumulto acontecendo lá na capital, no Rio de <em>Janero</em>. Era muito longe dali, Joquina e Maninha nem <em>sabia</em> disso. Dava sono em Maninha, e mãe levava ela pra dentro da casinha de barro e cantoria seguia noite à dentro, Joquina não dormia. Joquina tinha destino pra chefiar. A alegria daquela noite outra cantiga explicava.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><em>“Viva a casa de farinha! Viva o homem farinheiro! Mandioca plantada em maio, farinha feita em janero…”</em><br>Começo do ano, verão, mas nem ninguém ligava pra isso. O que sabia era que era época de ir vender farinha pra longe … Lá no Búzios tem quem compra. Tomara vender lá tudo, pra não ter de ir até o Cabo Frio, pai dizia pra mãe. Joquina ouvia e prestava atenção. Igual coruja. Maninha brincava com boneca de sabugo de milho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Casa daquela época não tinha fechadura, confiança nos irmão era grande. O trinco da porta era um prego e barbante, e só fechava por fora. Era pra quando tivesse viagem pra longe e a casa ficava sozinha, coisa que nunca acontecia. Joquina, ao menos, não se lembra de ter passeado pra longe da Raza quando erezinho.<br>Mãe tava preocupada que aquela noite a lua era cheia. Mãe tinha medo de <em>lobisome</em>. Pai disse pra não ir longe enquanto estivesse fora, mas pra não ficar assustando as criança. Mas era melhor fica por ali, perto dos vizinho. O <em>home</em> que virava lobisome morava pra mais afastado, pra depois da praia gorda já quase lá no mangue, pro lados da praia de Seu Pompeu. Contavam histórias de que ele virava bicho medonho, virado num porco peludo e cheio de dente… comia o pescoço das galinha, rolava na lama com <em>os porco</em>.<br>Mas o tal home que virava lobisome, de dia era igual, normal. Era sujeito calado. Não faz mal pra ninguém, pai dizia. Outros home concordavam com pai. As mulé sempre calada.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-659744775"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-300x41.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-1024x139.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-768x104.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1069" height="258"   /></div></div>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Ele da pouca vez que veio pra perto do povo queria fazer troca. Uns home gozavam dele, ele baixava os olho, quieto. Olhava de baixo, igual cachorro que tem medo de apanhar porque mexeu na comida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pai tava ainda pra longe, mãe tava ocupada com a roupa. Joquina tinha que cuidar de vó. Vai Maninha na casa de farinha, mãe pediu com receio. Mas era dia, e todo mundo se conhecia naquele lugar.<br>Maninha foi pelos caminhos, hora tranquila, hora temia barulho. Contornando pela trilha, campeou a praia. Os home já tinham ido cedo pra pegar a pescada que tinha roncado lá no fundo. Tava deserto.<br>Muitas horas depois, mãe tava aflita. Cade Maninha? Só mulé no quilombo, ai meu Deus! Pai mais outros home chegaram em seguida, finalmente. Mas nem deu tempo de sair atrás. Maninha chegou virada em desespero, vestidinho que gostava todo rasgado, chorava muito. Soluçava. Só tinha pavor no olho. Joquina chorou de preocupação com a irmã.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Do pouco que conseguiu contar se entendeu que foi atacada pelo lobisome. Os home se olharam. Mãe gritava de dor, mãe gritava muito. Muito tempo depois Joquina entendeu que era raiva e ódio também que fazia mãe gritar. Lobisome pegou maninha e não era nem de noite ainda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Maninha passou dois dias parou de chorar, mas foi ficando amuada, quase não falava, e quando falava era pra dentro. Não brincava. Maninha tava definhando. Joquina via mãe brigar com pai. Que tinha que fazer alguma coisa. Mãe quer matar lobisome. Mas como se mata? E o perigo da noite? Pai questionava, ninguém mais ligava. Mas o bicho pegou maninha de dia. Mãe se revoltava com pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Foi vó que disse que uma vez mãe dela contou que num lugar longe, muito longe da Raza. Lá pra depois dos morros azuis por de trás da mata, longe mesmo, na fazenda Papucaia, parente deles, ainda cativos, matou um bicho desses com uma foice nova, amolada, daquelas que brilha no sol, aço novo. Pai tinha uma assim. Pegou de troca por feijão no Cabo Frio numa das idas pra lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Mãe não falou com ninguém. Joquina viu quando ela saiu com dia ainda clareando, céu amarelo. Joquina não disse nada, abraçou maninha que era agora pele e osso. Só comia se desse na boca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mãe chegou no buraco onde o bicho morava. Visto por traz era gente ainda. Quando viu mãe cresceu o olho, mexeu nas calças, ficou valente. Diferente de como era perto dos home, que era frouxo. Chegou perto de mãe já virando bicho, queria rasgá roupa dela. Mas levou o golpe de foice de lado, enviesado, no braço, como mãe fazia bem quando cortava alguma touceira pra preparar a terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>O porco começou a guinchar! Mãe foi certeira no meio do peito. O aço novo ficou melado de vermelho. O bicho tava morto. Quando pai e outros home chegaram no rastro de mãe era o sujeito <em>destransformado</em> já. Só um home magro e feio deitado morto na poça de sangue dele. Uma brecha aberta no peito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mãe ficou respeitada porque matou um lobisome, os homens não falavam do assunto mais. Deram sumiço no corpo. As mulé toda pegaram mais estima por mãe. Joquina via tudo, prestava atenção igual curuja. Era o jeito dela. Maninha nunca mais foi igual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos anos de 1990, Raza já morava mais gente, até gente nova vindo de outros lugar. Mas ainda tinha bem bastante mato, rua de chão, barro vermelho. Um ônibus que passava de quando e vez levantava poeira vermelha que fazia as casa da beirada da rua ter sempre meia parede avermelhada. Mãe ainda era viva, mas agora era chamada de vó. Maninha teve vida curta, morreu de tristeza. Pai também morreu, infarto ainda novo, mas já parecia velho que só. Joquina era líder mesmo, destino dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma menina do arredor chegou corrida, botando os bofe pra fora. Vó conhecia aquela cara, Joquina também. Sabia que era coisa de mulé que encontrou com bicho desgraçado. Menina falava em soluço só. Vestido rasgado, muito ranhado no braço. Home foram assuntá, Joquina não deixou ninguém sair. Vó apontou foice nova no quintal e explicou como se matava o bicho. Os home foram. Dois polícia chegou pouco depois no quintal. Chegaram grande, mas Joquina levantou-se da costura e foi falar com eles. Contou a história desde a chegada da menina. Um polícia quis botar banca, cumprir a lei do papel. O outro polícia pousou a mão no ombro do amigo: &#8211; É assim que se trata essas coisas, isso não era homem, é  bicho. Os polícia se foram e não se tocou mais no assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conto #1 </p>



<p class="wp-block-paragraph"> <blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="ysoq3K8n0t"><a href="https://prensadebabel.com.br/a-lenda-do-surfista-empalado-de-geriba/">A lenda do surfista empalado de Geribá #1</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A lenda do surfista empalado de Geribá #1&#8221; &#8212; Jornal Prensa de Babel" src="https://prensadebabel.com.br/a-lenda-do-surfista-empalado-de-geriba/embed/#?secret=QcCDSBbqVq#?secret=ysoq3K8n0t" data-secret="ysoq3K8n0t" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>   </p>



<p class="wp-block-paragraph"> </p>



<p class="wp-block-paragraph">_________________________________________________________________________</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1.jpg" alt="" class="wp-image-49985" width="183" height="183" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1.jpg 400w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1-300x300.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 183px) 100vw, 183px" /><figcaption class="wp-element-caption">Victor Viana &#8211; escritor autor de A Criança Debaixo do Guarda-Chuva, pela editora Ubook </figcaption></figure>
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		<title>A lenda do surfista empalado de Geribá #1</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/a-lenda-do-surfista-empalado-de-geriba/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jun 2023 11:22:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nos idos de 90 havia um surfista chamado Suzy que era apaixonado pelas ondas da praia de Geribá, seu quintal. Ele passava horas e horas no mar, buscando a perfeição em cada manobra e deslizando sobre as águas com destreza. De costas para o avanço imobiliário voraz que tomava seu paraíso, Suzy era conhecido como um dos melhores surfistas da região e sua prancha era sua noiva, companheira inseparável.</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-1259736303"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Nos idos de 90 havia um surfista chamado Suzy que era apaixonado pelas ondas da praia de Geribá, seu quintal. Ele passava horas e horas no mar, buscando a perfeição em cada manobra e deslizando sobre as águas com destreza. De costas para o avanço imobiliário voraz que tomava seu paraíso, Suzy era conhecido como um dos melhores surfistas da região e sua prancha era sua noiva, companheira inseparável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Certo dia, enquanto Suzy surfava uma onda gigantesca, ele acabou tomando um caixote. A onda o jogou com força na praia e a prancha, que estava presa ao seu corpo com a cordinha, se soltou e voou em sua direção. Infelizmente, a ponta afiada da prancha acertou a barriga de Suzy, atravessando seu corpo e causando uma lesão fatal. Suzy morreu ali mesmo, empalado na praia que tanto amava. O mar de água à sua frente e o de casas tomando a orla nas suas costas. O sangue derramado na água era tanto que atraiu diversos tubarões, que estavam próximos da costa devido ao desiquilíbrio ambiental causado pelo boom da pesca irregular naqueles anos, e muitos banhistas foram mutilados. Nos jornais as manchetes eram: Verão do terror em Búzios – Surfista empalado pelo mar jorra sangue e tubarões devoram banhistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos contaram, na época, que antes de morrer, Suzy ainda conseguiu se levantar, mesmo com a prancha atravessada no corpo. O socorro médico não pode chegar a tempo; ruas sem saída, imóveis privados invadindo espaços públicos, e mais gente que a pequena península comportava “Não venham a Búzios”, disseram na TV. Tudo isso deu um nó no trânsito, impedindo o acesso à praia.&nbsp; Alguns banhistas teriam tentado ajudar. Mas sem controle, como uma galinha que tem o pescoço cortado e continua correndo mesmo sem cabeça, ele se virava para todos os lados, derrubando quem se aproximava com as extremidades da prancha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O incidente foi trágico e chocou a comunidade local, que perdeu um grande surfista e um grande amigo, morador daquelas terras desde bem jovem. Mas que, na verdade, antes do incidente era tido pelos locais como mais um maconheiro vindo de fora, mesmo brasileiro era tratado como um gringo. Mas morto todo mundo presta, uma regra não escrita da moral cristã. Os anos passaram e a lenda se perpetuou, sendo contada e recontada pelos moradores da região. Alguns acreditam que a prancha de Suzy foi retirada do seu corpo e enterrada em um local sagrado, enquanto outros afirmam que a partir desse dia, a praia de Geribá ficou marcada pela presença do espírito de Suzy, que assombra aquele lugar. A prancha então ainda estaria cravada em seu corpo, que continua a percorrer a praia e a dizer o que teria sido suas últimas palavras:&nbsp; &#8211; Carai, véi, o point tá ‘crowdeado’.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-4116446610"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1063" height="258"   /></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">E por mais que as igrejas tenham ao longo dos anos berrado orações e afirmado que a praia estava livre de intervenções vindas do além, até um mega show religioso foi feito na faixa de areia, todos têm certeza: a presença de Suzy é sentida até hoje na praia. As pessoas que caem despretensiosamente na praia de Geribá acreditam, até hoje, que são derrubadas pela prancha de Suzy, cravada em seu corpo, que continua a percorrer a praia em busca de novas vítimas, já que foi dada mais atenção aos mutilados pelos tubarões que a ele, que viveu e morreu fazendo o que mais amava no local que tanto amava.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem cai sempre conta que, muitas vezes pela primeira vez, podem observar do chão o desastre da ocupação de casas, pousadas e clubes nas areias lavadas pelo sangue de Suzy. – Carai, véi, o point da “crowdeado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">________________________________________________________________________-</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full is-resized"><a href="https://store.ubook.com/ubook-1190040-pre-venda-a-crianca-debaixo-do-guarda-chuva.html"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1.jpg" alt="" class="wp-image-49985" width="258" height="258" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1.jpg 400w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1-300x300.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Victor-Viana-2-1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 258px) 100vw, 258px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Victor Viana &#8211; autor de A Criança debaixo do guarda-chuva   <br>https://store.ubook.com/ubook-1190040-pre-venda-a-crianca-debaixo-do-guarda-chuva.html<br></figcaption></figure>
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		<title>Anjos em Búzios: a visita da escritora Dorothy Maclean de “Comunicação com Anjos e Devas”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Aug 2021 13:42:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Um anjo protege Búzios e está preparando um novo tempo” &#8211; a mensagem O ano era 1996, o vilarejo de Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, recém emancipado de Cabo Frio, estava em potente ebulição política, assim como o resto do mundo que vivia o colapso da União Soviética e da Guerra [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-1259736303"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>“Um anjo protege Búzios e está preparando um novo tempo” &#8211; a mensagem </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ano era 1996, o vilarejo de Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, recém emancipado de Cabo Frio, estava em potente ebulição política, assim como o resto do mundo que vivia o colapso da União Soviética e da Guerra Fria. Era também um Brasil empolgado com a implantação do Plano Real e a sensação de progresso por meio da economia e do consumo. Búzios também respirava essa utopia capitalista de um frágil conforto imediato. Foi nesse ano que a escritora e educadora canadense, autora do best seller &#8220;Comunicação com Anjos e Devas” e fundadora da Findhorn Foundation, Dorothy Maclean, chegou a Búzios, mais exatamente na Praia das Caravelas, no coração do que viria a ser a APA do Pau Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dorothy, que morreu em 2020, com 100 anos de idade, já estava na casa dos 70 quando chegou e foi recebida por Hugo Iurcovich, naquele momento diretor do hotel que opera no mesmo local desde a década de 1980. É o fundador do Instituto Ecológico Búzios Mata Atlântica (IEBMA) e, posteriormente, idealizador do movimento Búzios Espiritualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Recebi uma ligação da Inglaterra, era o assistente de Dorothy- seu livro estava entre os mais vendidos do momento &#8211; avisando que ela viria até aqui &#8211; Praia das Caravelas, em Búzios, e que tinha uma mensagem. Disse a ela que não tínhamos dinheiro. Ela disse que bastava que dessem a ela um local para dormir e comer. Ela vinha por conta própria”, conta Hugo.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-1190279712"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-300x53.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-1024x182.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-768x137.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Também naquele ano, o biólogo e místico letão Janis Roze e sua esposa, também bióloga, a colombiana Amanda Bernal Calvo, iniciavam um sério trabalho científico de catalogação, que durou 15 anos. Descobriram centenas de árvores Pau Brasil naquela localidade, fundamental para que milhares de hectares de floresta fossem protegidos por decreto estadual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O padre Ricardo Whyte, então pároco local, havia colocado em frente à Igreja Histórica de Sant’Anna, na Praia dos Ossos, a estátua de um anjo com uma urna aos pés gravada nela a palavra SIM, um incentivo positivo da Igreja ao novo tempo destinado à Búzios. Hoje é um atrativo turístico bem conhecido. Búzios é um lugar que, desde sua descoberta como local paradisíaco, recebe pessoas ligadas a práticas espirituais, um movimento natural de pessoas vindas de diferentes partes do mundo e trazendo na bagagem novas filosofias e linguagens. Dorothy Maclean chegava a convite de um anjo. Um anjo especialmente preocupado com Búzios.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2021/05/WhatsApp-Image-2021-05-21-at-13.33.56-800x600.jpeg" alt="" class="wp-image-78736"/><figcaption class="wp-element-caption">Bairro Caravelas. Imagem: Prensa de Babel | Gonzalo Arselli-Prensa de Babel </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Hugo conta que esperavam uma ligação avisando da chegada da escritora, para que fossem buscá-la para então trazê-la para o hotel na Praia das Caravelas, mas ela chegou antes e sem auxílio dos anfitriões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando cheguei ao hotel, vi uma senhora vestida de forma bem clássica, de pé, apoiada em uma bengala, me aguardando na floresta ao lado, no centro de meditação. A reconheci porque já havia visto fotos, era a Dorothy. Surpreso perguntei como ela havia chegado sozinha. Não havia mecanismos como hoje para indicar um local assim, eram outros tempos e Búzios não era uma localidade fácil de acessar. Ela me respondeu que o anjo havia indicado a direção”, conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reuniram-se então cerca de 80 moradores de Búzios, muitos deles ainda morando na cidade, no salão de um dos residenciais da Praia da Caravelas. Era o dia 24 de abril, após um instante de meditação e uma oração, todos tiveram sua experiência pessoal com aquele momento. Dorothy, que ficou 20 dias em Búzios, contou muitas coisas, e deixou um registro escrito:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“Via a Energia faiscando o céu. O anjo está muito ocupado, quase eufórico, e ao mesmo tempo trabalhando pelo futuro agora. Mais uma vez buscando acalmar os planos para a cidade. Não é particularmente um tempo fácil para ele. E está reunindo energias das águas (do mar), agradecendo às águas e agradecendo a nós por nossa atenção”.</em></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5670-800x600.jpg" alt="" class="wp-image-80919"/><figcaption class="wp-element-caption"><em>Texto original escrito por Dorothy, depois foi traduzido e publicado no jornal O Perú Molhado </em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Não era então apenas um anjo que queria se comunicar em Búzios. É um anjo que habita Búzios, mas exatamente, de acordo com a própria Dorothy e outros místicos e espiritualistas, na floresta preservada da região de Caravelas entre a Serra das Emerências e a Praia do Peró, já nos limites de Cabo Frio. Esses acontecimentos ocorreram há 26 anos, no entanto, ao longo dessas quase três décadas, outras personalidades, algumas tão conhecidas quanto o biólogo Rupert Sheldrake, criador da Teoria dos Campos Mórficos, estiveram no mesmo local registrando a mesma presença. Todos unânimes em afirmar que é uma energia de grande presença feminina, amorosa e delicada, uma Deva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Praia das Caravelas continua desde então a receber mestres de diferentes tradições, grandes escritores, meditadores, peregrinos, atraídos pela energia do lugar. Búzios sempre teve essa característica, mas aquele local para exercer um interesse especial. Hugo conta que outras histórias, como a da visita de Dorothy Maclean, farão parte de um livro, que está em fase final para publicação, onde contará sua experiência e encontros surpreendentes há mais de 30 anos vivendo nesta localidade.</p>
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		<title>Parei o rejunte da Rua das Pedras</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/parei-o-rejunte-da-rua-das-pedras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Jul 2021 19:54:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Búzios]]></category>
		<category><![CDATA[BúziosFeed]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Viana]]></category>
		<category><![CDATA[Rua das Pedras]]></category>
		<category><![CDATA[Rua das Pedras Búzios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um repórter no lugar certo e na hora certa enxergou a pauta ao ver a medida esdruxula de rejuntar uma rua Projetada por Octavio Raja Gabaglia, em 1971, a Rua das Pedras está mais uma vez no centro das discussões em Búzios. Cada prefeito que entra sabe que ela estará na pauta. Como hoje, em que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-3559986805"><a href="https://institutodominus.com.br/" target="_blank" aria-label="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg" alt="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg 601w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>Um repórter no lugar certo e na hora certa enxergou a pauta ao ver a medida esdruxula de rejuntar uma rua </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Projetada por <a href="https://octaviorajagabaglia.com.br/">Octavio Raja Gabaglia</a>, em 1971, a Rua das Pedras está mais uma vez no centro das discussões em Búzios. Cada prefeito que entra sabe que ela estará na pauta. Como hoje, em que a <a href="https://prensadebabel.com.br/manutencao-e-realizada-na-rua-das-pedras-e-divide-opinioes/">Prefeitura acabou de realizar a aplicação de uma mistura de pó de pedra e areia para cobrir buracos </a>sem, de acordo com sua equipe técnica, prejudicar a capacidade de absorção da água. A polarização entre favoráveis e contrários já está armada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2013 a gestão da época também se debatia com as críticas e reclamações de acidentes. Então tiveram uma ideia: rejuntar com cimento os blocos de pedra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O serviço começou bem cedo. Mas um repórter estava no lugar certo e na hora certa.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-4116446610"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1063" height="258"   /></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Eu era o repórter. Com três expedientes a cumprir, corria para gravar minhas notas na rádio que tinha estúdio ali. Depois seguiria para outra função em um jornal diário e ao fim do dia fechamento da edição semanal do periódico satírico O Perú Molhado. Enxerguei logo a pauta, e perguntei aos operários sobre o objetivo da empreitada. Me explicaram. Anotei, fotografei e sai correndo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Peru-Rua-das-Pedras-800x600.jpg" alt="" class="wp-image-79987"/><figcaption>Capa da edição de O Perú Molhado em que primeiro saiu a matéria escrita após a notícia ser dada em primeira mão via rádio </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A notícia em primeira mão foi para 15 cidades do interior fluminense via rádio. Com o mesmo áudio encaminhei para emissoras da capital que, via rádio, também ficou informada. Escrevi também a matéria que publiquei com foto no blog que o Perú Molhado tinha na época para publicações mais urgentes e que não poderiam esperar a publicação impressa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela serviu de release para praticamente tudo que saiu na imprensa da época, foi notícia nacional, e as fotos circularam até eu perder o controle da minha autoria. Ali descobri que eu era um bom assessor de imprensa também, sabia movimentar os veículos em torno de uma pauta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, antes do fim do dia, a obra estava parada. E por mais que os responsáveis se explicassem e defendessem aquela inusitada ideia, nunca mais ela foi retomada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O assunto foi à Câmara de vereadores, recebeu atenção das associações. E o Perú Molhado, por meio da minha matéria, chegou a ser citado como o veículo que parou o rejunte da Rua das Pedras.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O arquiteto Otávio Raja Gabaglia ( Otavinho), arquiteto que participou do projeto da Rua das Pedras e ex-secretário municipal do Governo Toninho Branco, disse que seu celular não parou de tocar quando começaram  as obras de rejunte do piso da Rua das Pedras e, em declaração dada ao Perú, classificou a obra de assustadora  O ex secretário de Turismo de Búzios no governo Mirinho Braga, Isaac Tillinger, estranhou o fato de que, segundo ele, ninguém foi consultado. &#8211; trecho da matéria original publicada em O Perú Molhado. </p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.instagram.com/euvictorviana/">Victor Viana</a> é jornalista, assessor de imprensa e escritor &#8211; Autor de<strong> A Criança Debaixo do Guarda-Chuva</strong> pela <a href="https://www.ubook.com/home">editora Ubook </a></p>
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		<title>Cada coisa na sua coisa, já dizia quem falou</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/cada-coisa-na-sua-coisa-ja-dizia-quem-falou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jun 2018 20:39:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Viana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entrevista com o Mago Samir em Búzios</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-1259736303"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p><figure id="attachment_27106" aria-describedby="caption-attachment-27106" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27106 size-full" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Samir-1-1.jpg" alt="" width="300" height="407" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Samir-1-1.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Samir-1-1-221x300.jpg 221w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-27106" class="wp-caption-text">Copia da publicação original</figcaption></figure></p>
<p>Era ainda 18h30 quando o telefone tocou e Marcelo (Lartigue) me pediu que fosse aos Ossos¹ entrevistar um mago argentino que acabava de chegar de Buenos Aires para uns dias de folga em Búzios.</p>
<p>O Samir é um cara rico, podre de rico, e ficou assim, nesse estado de riqueza, enganando as pessoas. Não com sua magia, a magia é verdadeira. Ele ganhou grana enganando as pessoas de que elas tinham alguma doença. Como assim? Simples, ué, não tem nada de mais nisso.  As escolas, igrejas e governos fazem isso a séculos. Enganam as pessoas de que elas precisam serem curadas, salvas, educadas e disciplinadas. E em torno de todas essas <em>privadas</em> há magia, há sacerdócio, mestres e salvadores da pátria. Filhos da puta apenas.</p>
<p>Em agosto aqui em Búzios venta pra caralho, e pensei: “Foda ter de ir aos Ossos a essa hora  pra entrevistar a porra de um charlatão argentino. Filho da puta esse Marcelo.”.</p>
<p>Saí de casa atrasado, acho que já eram umas 20h, me sentei no ponto de ônibus do Colégio Nicomedes e esperei pela van. Na carroça motorizada, onde já me acostumei a ser tratado como um cachorro – assim como já me acostumei também a ser tratado assim por médicos do SUS, advogados, policiais e donos de botecos.  O <em>Motor²</em> disse:  “Essa cidade está com cheiro de sangue, sinto isso no ar; sangue mesmo. Peço todos os dias que Jesus volte logo e resolva esse lodo que a cidade, que o mundo, se tornou. É filho matando pai, e pai matando filho. Certo são aqueles países do Oriente Médio em que se o cara rouba perde a mão. Se mata³ é morto também. ”.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-4116446610"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/11/D043_prensa-de-babel_1069x258-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1063" height="258"   /></div></div>
<p>Concordei de imediato com o motorista e segui firme: “Sim, sim, eu concordo com você. Se fuder com a mulher dos outros tem que ter a rola cortada fora. Se furar fila tem que ter a coxa furada. Se a van parar fora do ponto tem de ter os pneus furados. Se der o troco errado tem de ser estapeado. Se oferecer uma grana pro policial liberar o carro irregular, tem de ser emrabado.  Se&#8230;”.</p>
<p>Eu poderia ter ficado horas listando a minha Lei de Talião particular, mas o motorista, horas atrás tão zeloso com a ordem e a moral, agora estava incomodado com a minha doentia visão de justiça.</p>
<p>Crente falso do caralho! Se ele fosse de Jesus mesmo não teria pena desses marginais que subornam, param fora do ponto, dão troco errado, e furam fila. Não é mesmo?</p>
<p>Desci no ponto do Pinguim³ e fui andando beirando a lagoa de águas cor e odor de merda dos Ossos. Uma vez neste mesmo lugar me lembro de ter visto um homem que puxava uma mula pela corda. A mula seguias obediente, tinha a cabeça baixa.  Tive pena da mula. Não, eu tive foi compaixão da mula. Afinal o que nos separava um do outro? O fato de eu tinha todos os dentes e ela não? Não termos nascido na mesma cidade nos fazia diferentes? Claro que não.</p>
<p>Me lembrei até que já a conhecia. Uma vez na igreja nos sentamos lado a lado, quietos, assistindo a missa.</p>
<p>O padre falava de pecado, coisas que padres e pastores gostam de falar. Magia pra controlar pessoas.</p>
<p>Entre levantadas, sentadas, ajoelhadas e muitos améns, nós nos olhamos rápido. Ela, a mula, não parecia ser mais humana. Tão cheia de crenças que não lhe restava espaço para a fé. Nunca tinha visto Deus, aposto.</p>
<p>Já era por volta das 22h quando finalmente me sentei ao balcão do Sushi Jardin – do Zé Itajaí, e lá fiquei esperando por Samir, onde um russo me disse que lá em sua aldeia, nos confins gelados da Sibéria, conheceu um homem que era garoto querido e que se tornou líder, algo como prefeito do distrito de onde fazia parte sua aldeia, seu bairro. Com o tempo achou que conhecia bem a sua cidade. Só conhecia seu bairro. E governou toda cidade como se fosse seu bairro por mais de 10 anos. Um outro homem havia surgido, essa era do povo, era popular. Havia aprendido a pouco a comer de garfo e faca. Mas de nada adiantou tanto refino, sofria de uma moléstia: só se acalmava com chá de folhas de cheque.</p>
<p>Para redimir aquela aldeia chegou  forasteiro garboso, dado com doutor tamanha estampa. Todos os Macunaíma e caramurus lhe renderam homenagens. Ele, o belo, acreditou que era mesmo um deus, um salvador. Se fudeu de verde e amarelo. Ele e todos ao seu redor já são bem crescidinhos e deveriam saber que não existe salvadores.</p>
<p>Comi de uma só vez a peça de sushi  e tomei o saquê (bebida ruim do caralho) que me foi oferecido, e fiquei aguardando pelo Mago Samir.</p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<h6><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-27107" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2018/06/page_1_thumb_large-1.jpg" alt="" width="320" height="439" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2018/06/page_1_thumb_large-1.jpg 320w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2018/06/page_1_thumb_large-1-219x300.jpg 219w" sizes="(max-width: 320px) 100vw, 320px" />Nota:</strong> <em>Matéria em estilo gonzo publicada originalmente em agosto de 2014 no extinto semanário satírico O Perú Molhado. O fato que me levou a republicar o texto aqui é apenas por ter encontrado este exemplar enquanto procurava alguns documentos em uma caixa velha.  Na capa há uma foto do editor Marcelo Lartigue, o que me levou a ter interesse maior em folhear o jornal velho, aí encontrei esse texto do qual nem mais me lembrava. Achei interessante mais pelo estilo que pelo conteúdo, que hoje considero por demais moralizante ou moralizador.</em></h6>
<h6><em>¹ Ossos &#8211;  bairro de Búzios</em></h6>
<h6><em>² Motor – gíria para motorista</em></h6>
<h6><em>³ Restaurante tradicional de Búzios que serve como referência local</em></h6>
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		<title>Chorar e continuar por Marielle</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/chorar-e-continuar-por-marielle/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Mar 2018 19:51:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Viana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Desde ontem o clima tá pesado, por mais que haja uma espécie de sol que brilha quando a gente vê a rede de solidariedade que vai se formando pra vencermos momentos absurdos como a da execução de Marielle, e junto com ela o motorista Anderson, é doloroso. Vendo uma postagem sobre a dor da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-1259736303"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p>Desde ontem o clima tá pesado, por mais que haja uma espécie de sol que brilha quando a gente vê a rede de solidariedade que vai se formando pra vencermos momentos absurdos como a da execução de Marielle, e junto com ela o motorista Anderson, é doloroso.</p>
<p>Vendo uma postagem sobre a dor da filha dela diante do caixão eu chorei. Por que chorei? Porque a morte de qualquer pessoa é dolorosa. Quando morta na juventude, no auge de seus projetos, e ainda mais de forma violenta, é a<span class="text_exposed_show">inda mais escandalosa essa dor. Mas neste caso, da Marielle, a morte carrega outros símbolos dolorosos, que é triste demais ver alguns não entendendo e ainda fazendo piada. Marielle foi executada. Não foram os bandidos que a intervenção militar do Sr. Michel Temer e Pezão diz vindo combater. Os executores de Marielle são, com certeza, os que esperam se beneficiar com essa intervenção no Rio.</span></p>
<div class="text_exposed_show">
<p>Foi executada porque incomodava. Uma preta, favelada entre as mais votadas do Rio e ainda denunciando abusos e os abusadores.</p>
<p>Sua execução ainda pretendia ser um recado aos que ousam ainda denunciar a barbárie no estado e no país Sinto dor porque de alguma forma me sinto próximo da luta de Marielle, como jornalista e ser humano tentando dar espaço, tentando criar locais de voz e visibilidade, junto com amigos, em um trabalho de formiga aqui no interior através do jornalismo na internet.</p>
<p>Mas sou muito consciente que faço isso de uma posição privilegiada. Sou homem, hétero e branco. O mundo foi feito pra mim, as portas sempre se abriram com mais facilidade pra mim do que para meus irmãos e irmãs mulheres, negros LGBTs. Mesmo eu sendo um filho da classe operária, reconheço meus privilégios.</p>
<p>Não sei se minhas palavras estão fazendo sentido, eu não estou conseguindo organizar bem minhas ideias diante da visão sombria que vejo do futuro. Um futuro de intolerância, ignorância, e violência, onde crescerão meus filhos crescerão.</p>
</div>
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		<title>Marcelo não lia os textos  (Semana Marcelo Lartigue)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Victor P. Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Sep 2017 02:02:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Viana]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios gay]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Lartigue]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Lartigue Japão]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3689031538"><div id="prens-4202539150"><a href="https://api.whatsapp.com/send/?phone=558007020195&#038;text&#038;type=phone_number&#038;app_absent=0" target="_blank" aria-label="CAMPANHA DE FRAUDES &#8211; PROLAGOS 150x150px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2024/09/CAMPANHA-DE-FRAUDES-PROLAGOS-150x150px.gif" alt=""  width="150" height="150"   /></a></div></div><p><em>Quando cheguei à redação do Perú , ainda no final de 2012, como freelancer  na produção da retrospectiva ( que por sinal foi uma das  melhores  que Marcelo já editou ),  escrevi feito um louco diversos textos de conteúdo publicitário (Matérias pagas, né), não assinei nenhuma.  Mas no finalzinho do dia, quando eu já ia meter o pé pra Cabo Frio, onde eu era repórter no Noticiário dos Lagos, e tinha que cumprir plantão, Lartigue me pediu um textinho sobre a Rasa (na pronuncia dele “Rassa”) . Não sabia eu que isso era um traço característico do Marcelo. Sempre te pedir mais um textinho sem nunca ter fim. Sobre a Rasa eu escrevi com gosto e assinei, mesmo sendo apenas mesmo um textinho. </em></p>
<p><em>Terminei e disse na minha ingenuidade de neófito na redação (até então eu era apenas um colaborador à distância): “Terminei. Quer ver o texto, Marcelo?”.  Resposta: </em></p>
<p><em>“Eu nunca leio os textos.”. Pausa dramática com continuação non sense:  “Só os processos” . </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><figure id="attachment_15098" aria-describedby="caption-attachment-15098" style="width: 231px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-15098" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Gays-Búzios-231x300.jpg" alt="A capa onde saiu a matéria anunciando o tal festival LGBT do Marcelo ( obs: Marcelo não era gay) " width="231" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-15098" class="wp-caption-text">A capa onde saiu a matéria anunciando o tal festival LGBT do Marcelo (Obs:Marcelo não era gay)</figcaption></figure></p>
<p>Uma vez, isso já no final de 2013, me pediu um texto sobre o festival LGBT que ele teria criado (há outras pessoas que reivindicam a ideia). Parti pra pesquisa e não achei muita coisa na internet, o evento tinha acontecido em 2008 e ainda não se publicava tanto nesse espaço virtual, como hoje. Só havia uma edição do Perú sobre o assunto, a minha memória sobre algumas coisas (eu era caixa do restaurante Boom em 2008) e a narrativa do Marcelo e do Hamber. Liguei para algumas pessoas que Marcelo me indicou pra saber mais sobre o tema, achei uma publicação de um jornalista que veio para o festival e curtiu tanto que narrou suas aventuras em um blog, e consegui fazer um texto de duas páginas que Marcelo ilustrou com paixão, e sem ler uma linha do que eu escrevi.  Nem viu que preferi pôr a assinatura dele ao invés da minha. Fechamos na sexta à noite, o jornal circulou no sábado, e domingo meu telefone tocou, era Marcelo.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-58217936"><div id="prens-659744775"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-300x41.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-1024x139.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-768x104.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1069" height="258"   /></div></div>
<p>“Maluco, ficou do (du) caralho o texto que você fez sobre os gays. Tá todo mundo me dando os parabéns.”, disse sério e depois continuou rindo: “Não sabia que você entendia tanto de gay”.</p>
<p>Eu ri e disse: “Coloquei sua assinatura no texto”. “Porra (porá), então eu não sabia que eu entendia tanto de gay”, respondeu rápido meu editor. Rimos feito bobos no telefone.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-15097" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2017/09/MaRIO-pOMBO-1.jpg" alt="MaRIO pOMBO" width="559" height="379" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2017/09/MaRIO-pOMBO-1.jpg 559w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2017/09/MaRIO-pOMBO-1-300x203.jpg 300w" sizes="(max-width: 559px) 100vw, 559px" />Ainda em 2013 ligaram pra redação e avisaram que Mario Pombo tinha morrido. Janice, super secretária do Perú, atendeu e me avisou. Fui até Marcelo crendo que deveria ser alguém muito importante pra ele, alguma figura dessas da Búzios do passado que eu talvez não conhecesse. Marcelo riu e disse: “Quem é Mario Pombo?”.  Tudo poderia ter acabado aí, só que  não no mundo de Marcelo Lartigue. Marcelo pegou o celular (seu cachorro fiel) e tascou a ligar pra todo mundo em busca de informações sobre Mario Pombo, não satisfeito, me pôs pra ligar do telefone fixo pra todos os moradores antigos de Búzios.  Descobrimos que ele tinha metido uma bala na cabeça em Friburgo, aos 70 anos, após chegar de uma partida de tênis – o título da  nota, ideia do Marcelo, foi Match Point (o humor irônico e mordaz do Marcelo). Falei com Octavinho, José Itajaí, e  Soledad.</p>
<p>Todos falaram dele com carinho, tinha, junto com uma junta de outros <em>bom vivant</em>s, aproveitado  a vida boa de uma Búzios mítica (queria ter andado por essa Búzios e empurrado a vida com a barriga assim também, queria). Soledad fez questão de explicar que apesar de ser um cara brincalhão, não era um babaca: era bonitão e inteligente, e que soube ganhar dinheiro e tinha família. Octavinho contou que em dado momento ele (Mario Pombo) se apaixonou e então sossegou.</p>
<p>Marcelo ficou de alguma forma encantado por Mario Pombo, publicamos a notinha ilustrada com uma intervenção humorística do Marcelo em uma foto da praia de Geribá cheia, sempre criativo. E mais uma vez não assinei. Por que eu às vezes fazia isso? Porque não assinava e preferia por o nome do Marcelo? Porque eu não sentia o texto como meu. Mesmo as palavras tendo sido escolhidas por mim, a coleta da informação sendo minha, havia o talento do Marcelo em  perceber e indicar a pauta inusitada, e havia os caminhos que ele oferecia pra que a matéria nascesse, e havia detalhes que ele ditava e que davam o toque irreverente e criativo.  Era tão forte que eu escrevia procurando o tom do Marcelo, as palavras que ele talvez usasse se estivesse escrevendo. Por isso assinei tantos textos, foram bastante, como sendo dele. Porque eram. Mario Pombo recebeu uma homenagem, daquele dia em diante passou a fazer parte do lendário e conselho editorial do Perú.  Pegue um exemplar de abril de 2013 em diante e verá o nome dele lá no expediente.</p>
<p><figure id="attachment_15099" aria-describedby="caption-attachment-15099" style="width: 259px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15099" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Jap-1.jpg" alt="j" width="259" height="194" /><figcaption id="caption-attachment-15099" class="wp-caption-text">É claro  foi editado um jornal todo em japonês para ser enviado ao Japão junto com o Marcelo. Nomes como Arthur Veríssimo e Ancelmo Gois colaboraram com textos exclusivos. Tinha charge do Chico Caruso e até publicidade da Patrimovel. Deu muito trabalho pra ser feito, atravessamos madrugadas fazendo com a orientação e tradução da Chikako. Mesmo sendo em japonês também distribuímos ele em Búzios, é claro que foi piada pura, ninguém entendeu nada. Mas Marcelo anos antes já havia distribuído um jornal todo em branco, ninguém, estranhou.</figcaption></figure></p>
<p>Quando viajou pro Japão em 2014, Lartigue disse que foi a maior viagem de sua vida. Marcelo foi meio que pra curtir o país mais longe da Argentina e de Búzios que ele já teria ido, em sua feroz vida, estava prestes a completar 60 anos, também prestes a morrer.  Mas Marcelo, também se entregou com furor à razão oficial que o levou ao Japão: a conferência de Minamata sobre os males do mercúrio. O Perú foi o único veiculo de comunicação do Brasil a estar lá. Marcelo foi aplicado e participou de tudo lá, entrevistou, fotografou. As fotos foram um capitulo a parte. Eram lindas, poéticas, incríveis (alguém guardou?).</p>
<p>Tinha a querida Chikako (japonesa que mora em Búzios com seu marido, o surfista Michel) como intérprete. O problema é que ela (Chikako) falava muito mal o português, e Marcelo não falava inglês, e muito mal falava o português também, e, acreditem , também não falava bem o  espanhol.</p>
<p>Além da conferência, é claro que ele quis contar tudo que viu lá, fazer comparativos com o Brasil e com Búzios (que pra ele era como um pequeno país). Entulhou o e-mail do Perú.  E-mails cheios de áudios e também de textos escritos meio em portunhol meio em <strong><em>Marcelol</em></strong> (Marcelo conseguia falar um idioma mais estranho e muitas vezes mais incompreensível que o portunhol). É claro que me incumbiram de juntar aquilo tudo, de “traduzir” aquilo tudo. Me esforcei muito, gastei horas do dia e da noite trabalhando pra que saísse tudo que ele enviava, busquei formatar os textos de forma fiel ao jeito de Marcelo se expressar e de ver (sempre torto) as coisas.  Tinha que conseguir  mostrar pra quem lesse que Marcelo não estava só animado com o que via, estava assombrado com o abismo que separava a cultura buziana e brasileira (ele separava mesmo Brasil de Búzios) – em nenhum momento citava a Argentina, do Japão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na hora do fechamento de uma das edições em que ele estava no Japão, eu junto com Carol (diagramadora cheia de talento e com quem Marcelo não abria mão de trabalhar, entendia ele como ninguém) e Alessandra (da Cruz) que ali assinava a publicação e era seu braço direito na condução do jornal como empresa, empacamos na capa. O jornal ia rodar e sair no dia 12 de outubro (dia da criança), vinha encartado nessa edição o suplemento infantil o Peruzinho. Na timeline do meu facebook apareceu uma foto da Dilma criancinha ainda. Eu enviei pra Carol e disse: Eis a capa!  Ninguém na redação gostou da minha ideia.  Pensei na chamada, que foi editada por Alessandra (ficou melhor mesmo com edição dela), “Todo Mundo já foi criança. Até a Dilma”. Pronto.</p>
<p>Enviado pra gráfica com cópia pro Marcelo que retornou o e-mail em 10 minutos, estranhamente endereçado a mim: “Victor, Você fez um jornal do cacete – sei que foi você que fez”. Respondi com uma falsa modéstia ridícula: “Que bom que gostou Marcelo, tentamos fazer o máximo pra editar um jornal do jeito que você faria”. Marcelo respondeu: “Para com essa humildade de japonês, Victor. Tomar no cu”.</p>
<p>https://prensadebabel.com.br/index.php/2017/09/19/buzios-com-marcelo-buzios-pos-marcelo-semana-marcelo-lartigue/</p>
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