O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, que será disputado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro. O movimento reúne dois adversários do primeiro turno e ocorre depois de uma campanha em que Caiado fez críticas públicas ao candidato do PL.
Caiado terminou a primeira etapa da eleição na quinta colocação, com 2.605.148 votos, ou 2,18% dos votos válidos. Flávio liderou o primeiro turno com 47,03%, enquanto Lula ficou em segundo, com 45,16%. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou os dois candidatos na disputa final.
A adesão foi articulada após uma conversa entre Caiado, Flávio e o coordenador da campanha do PL, Rogério Marinho. O ex-governador afirmou que apresentaria ao candidato um documento reunindo propostas em áreas nas quais identifica convergência entre os dois programas, entre elas segurança pública, saúde e inteligência artificial.
O anúncio ocorre em Goiânia, onde Flávio se reúne nesta terça-feira (6) com Caiado e com o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que também aderiu à candidatura do PL. A movimentação faz parte da busca de Flávio pelo apoio de candidatos e grupos políticos que ficaram fora do segundo turno.
De adversário a aliado
A aproximação acontece após meses de confronto entre Caiado e Flávio durante a corrida presidencial. Em junho, Caiado afirmou que o então adversário estava “perdendo a capacidade de derrotar Lula no segundo turno” e questionou a competitividade da candidatura do PL.
No mês seguinte, já durante a disputa eleitoral, Caiado voltou a atacar o adversário e afirmou que sua própria candidatura seria a única capaz de derrotar Lula. Na ocasião, também mencionou investigações e controvérsias relacionadas a Flávio para sustentar que o senador teria dificuldades em uma disputa direta contra o presidente.
O resultado das urnas alterou a configuração da disputa. Flávio terminou o primeiro turno na liderança e Caiado, com 2,18%, ficou fora do segundo turno. Ao anunciar a decisão de apoiar o candidato do PL, o ex-governador afirmou que não pretendia adotar uma posição de neutralidade.
O apoio de Caiado, porém, não representa uma adesão nacional do PSD. O partido decidiu não assumir posição única no segundo turno e liberou seus diretórios e lideranças para escolherem entre Flávio e Lula. A decisão permite que integrantes da legenda adotem posições diferentes nos estados.
A campanha de Flávio também recebeu o apoio de Romeu Zema (Novo), outro candidato derrotado no primeiro turno, e busca ampliar as alianças com partidos de direita e centro-direita. Já Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), terceiro e quarto colocados, respectivamente, anunciaram que não apoiariam nenhum dos dois candidatos.
Flávio e Lula voltam às urnas no dia 25 de outubro. O primeiro turno terminou com diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois candidatos.



