Atualização (23/07) às 15h – O Instituto Albatroz informou nesta quinta-feira (23), data em que é celebrado o Dia Mundial dos Mamíferos, que a fêmea de cachalote-pigmeu permanece clinicamente estável no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD), em Araruama. Segundo a médica-veterinária Daphne Goldberg, o animal passou a noite com estabilização do padrão respiratório e segue responsivo aos estímulos externos. O cetáceo, um exemplar adulto de aproximadamente três metros de comprimento e 350 quilos, chegou à unidade apresentando quadro de hipoglicemia, já corrigido pela equipe veterinária, além de mordidas recentes de tubarão-charuto (Isistius brasiliensis) e lesões no ventre provocadas pelo atrito com a areia durante os sucessivos encalhes. Atualmente, o animal está em tratamento em um tanque com 100 mil litros de água salgada, acompanhado por médicos-veterinários do GEMM-Lagos e dos institutos Albatroz, ORCA e Baleia Jubarte.
Depois de três encalhes consecutivos em menos de 24 horas, um cachalote-mirim foi transferido, na tarde desta quarta-feira (22), para o Instituto BW, em Araruama, onde passará por tratamento e monitoramento especializado. O animal, um cetáceo do gênero Kogia, voltou à faixa de areia da Praia do Forte, em Cabo Frio, mesmo após duas tentativas de devolvê-lo ao mar.
Segundo a Prefeitura de Cabo Frio, a decisão de encaminhar o animal para reabilitação foi tomada após sucessivos resgates e avaliações realizadas por especialistas do GEMM-Lagos, programa vinculado ao Instituto BW.
O primeiro encalhe foi registrado na tarde de terça-feira (21), quando equipes do Corpo de Bombeiros conseguiram devolver o cetáceo ao oceano. Horas depois, durante a noite, ele voltou à praia e permaneceu sob acompanhamento veterinário, recebendo medicamentos e cuidados clínicos. Na manhã desta quarta-feira, uma nova tentativa de soltura foi realizada em águas profundas, além da Ilha dos Papagaios, mas o animal retornou novamente à faixa de areia.
Força-tarefa mobilizou diferentes órgãos
Com a repetição dos encalhes, foi montada uma operação conjunta envolvendo a Prefeitura de Cabo Frio, Corpo de Bombeiros e instituições especializadas em mamíferos marinhos.
Segundo a administração municipal, participaram da força-tarefa equipes da Defesa Civil, Guarda Civil Municipal, Guarda Marítima e Ambiental (GMA), Fiscalização de Posturas, Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Saneamento, Comsercaf, além dos especialistas do GEMM-Lagos/Instituto BW e do Instituto Albatroz.
Durante a operação, a área foi isolada para garantir a segurança do público e permitir o trabalho das equipes técnicas.
Para manter o animal hidratado e reduzir o estresse durante o atendimento, foi construída uma piscina artificial na areia com auxílio de maquinário da Comsercaf. O Corpo de Bombeiros realizou o abastecimento da estrutura com água do mar, enquanto veterinários monitoravam continuamente as condições clínicas do cachalote-mirim.
Na etapa final da operação, uma retroescavadeira auxiliou no içamento do animal até um caminhão, de onde ele foi transferido para o veículo responsável pelo transporte até o Instituto BW.

Moradores acompanharam o resgate
A operação chamou a atenção de moradores e turistas que estavam na Praia do Forte durante o período de férias. Muitas pessoas acompanharam o trabalho das equipes, registraram o momento em vídeos e fotografias e aplaudiram quando o veículo deixou o local levando o animal para atendimento especializado.
O inspetor-adjunto da Guarda Civil Municipal e coordenador da Guarda Marítima e Ambiental, Ricardo Medina, destacou o trabalho integrado das instituições durante os dois dias de operação.
“Foram dois dias de muito trabalho, dedicação e união entre todas as equipes envolvidas. Cada órgão teve um papel importante para que conseguíssemos realizar esse resgate da melhor forma possível. Agora seguimos na torcida pela recuperação dele”, afirmou.
Entre os espectadores estava o turista mineiro Lucas Ferreira, que acompanhou toda a mobilização.
“Todo mundo ficou torcendo para que desse certo. Foi bonito ver tantas equipes trabalhando juntas e as pessoas respeitando o espaço. Agora é torcer para que ele se recupere”, disse.
O cachalote-mirim mede aproximadamente três metros, pesa cerca de 400 quilos e apresenta ferimentos. Segundo o Instituto BW, ele permanecerá em observação e receberá atendimento veterinário especializado durante o processo de reabilitação.



