Búzios atravessou o Réveillon sem registros de crimes graves contra turistas ou moradores e com queda expressiva nos principais indicadores de violência. O saldo positivo, segundo a Polícia Militar, é resultado de planejamento antecipado e da atuação integrada das forças de segurança diante do aumento da população flutuante. O período, no entanto, foi marcado por um homicídio em Geribá, tratado pelas investigações como um crime direcionado, sem relação com roubos ou abordagem a banhistas.
Os dados consolidados entre outubro e dezembro de 2025 mostram que a cidade cumpriu integralmente as metas estabelecidas pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISPGeo). O trabalho foi coordenado pela 5ª Companhia do 25º BPM, comandada pelo capitão Filipe Nuno Gonçalves, em conjunto com a Polícia Civil, Guarda Civil Municipal, Proeis Búzios e as secretarias municipais de Segurança Pública e de Ordem Pública.
“Búzios recebe milhares de pessoas em poucos dias. O desafio é garantir presença policial constante e resposta rápida sem perder o controle da rotina da cidade”, afirmou o capitão Nuno. Segundo ele, o foco foi o policiamento ostensivo em áreas de grande circulação e a integração com os demais órgãos de segurança.
Entre os indicadores estratégicos, o roubo de rua somou sete ocorrências no trimestre, abaixo da meta de dez, uma redução de 30%. O roubo de veículos teve apenas um registro, frente a uma meta de cinco, queda de 80%. O roubo de carga permaneceu zerado durante todo o período.
O indicador de letalidade violenta fechou o trimestre com três registros, número compatível com o planejamento do ISP. Um desses casos ocorreu na tarde de domingo (28), no canto esquerdo da praia de Geribá, em meio à movimentação da orla.
A Polícia Civil identificou a vítima como Alan Moreira Padilha, 34, conhecido como “De Ferro”. Morador de Unamar, no distrito de Tamoios, em Cabo Frio, ele tinha passagens pela polícia por tráfico de drogas e violência doméstica. Levantamentos anteriores o apontam como gerente do tráfico local. Familiares relataram à polícia que tinham conhecimento do envolvimento dele com o crime organizado, informação que consta nos registros oficiais.
Padilha foi atingido por ao menos três disparos após uma correria em um dos acessos laterais da praia e morreu no local. O ataque provocou pânico momentâneo entre banhistas e trabalhadores, que buscaram abrigo ao ouvir os tiros. A apuração em curso indica que o crime não teve relação com roubo ou com o público que estava na praia, mas com um acerto direcionado. A principal hipótese é de que o autor dos disparos seja ligado a uma facção rival, que fugiu logo após o ataque. Até a última atualização, não havia presos.
Para o comando da PM, o episódio não altera o diagnóstico geral do período. “Foi um crime específico, com alvo definido. Não houve reflexo nos indicadores de roubo nem risco generalizado à população”, disse o capitão Nuno, ao comentar a pronta resposta das forças de segurança no caso.
A comparação com o mesmo período de 2024 reforça a tendência de queda. O roubo de rua caiu de 11 para sete ocorrências, redução de 36,4%. O roubo de veículos passou de cinco para um caso, queda de 80%. O furto de celulares despencou de 75 para 17 registros, redução de 77,3%. Já o furto de veículos caiu de 12 para cinco ocorrências, diminuição de 58,3%.
Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISPGeo). A Polícia Civil segue com as diligências para identificar o autor do homicídio em Geribá e esclarecer a dinâmica do crime.


