Os dias entre 31 de dezembro e 4 de janeiro foram marcados por trânsito pesado em Búzios, com congestionamentos prolongados e forte repercussão nas redes sociais. Moradores, visitantes e personagens da política local criticaram a lentidão nas principais vias, em especial no trecho da Avenida José Bento Ribeiro Dantas entre o Centro de Informações Turísticas e o Largo do Ceceu, onde principais retornos foram fechados.
A medida foi considerada negativa por parte da população, que acredita que isso contribuiu para a concentração do fluxo ao longo da via. A Prensa procurou o município para esclarecer o que motivou a decisão, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Dados da Secretaria Municipal de Ordem Pública, por meio da Coordenadoria de Transportes (CTransp), mostram a dimensão da pressão sobre o sistema viário. Apenas nesse intervalo de cinco dias, entraram 95.437 veículos na cidade. O pico ocorreu entre 1º e 3 de janeiro, quando mais de 22 mil carros acessaram o município por dia. No dia 31, foram 12.201 entradas; em 1º de janeiro, 22.028; em 2 de janeiro, 21.412; em 3 de janeiro, 22.522; e em 4 de janeiro, 17.274.
O volume ajuda a explicar os engarrafamentos que se estenderam por horas. Um levantamento feito a partir do contador de veículos por inteligência artificial da Prolagos, instalado na entrada da Região dos Lagos, em São Pedro da Aldeia, indica que cerca de 1,6 milhão de pessoas circularam pela região no período. Em Búzios, o reflexo foi imediato: filas longas, deslocamentos lentos e retorno igualmente congestionado ao fim do dia.
As ações de ordenamento envolveram a Guarda Civil Municipal, que registrou 293 baseamentos, seis acidentes, 55 chamados e oito ocorrências ligadas à Patrulha Maria da Penha. Houve ainda 18 operações do Grupamento de Motopatrulhamento (GMA), oito apoios a socorro médico e seis conduções à delegacia. No trânsito, foram aplicadas 1.116 multas. Dez veículos foram retirados de circulação; dois deles acabaram rebocados para o depósito municipal.
Discussão sobre TPA ou TTS
Apesar da presença ostensiva e do volume de ações, o impacto sobre a fluidez do trânsito foi limitado. Parte das críticas se concentrou na ausência de medidas que restringissem o acesso de veículos sem vínculo com hospedagem no município. A Prensa levantou, ao longo da cobertura, a possibilidade de adoção ou reforço de instrumentos como a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) ou a Taxa de Trânsito Sustentável (TTS).
Essas taxas, quando aplicadas, têm como objetivo desestimular a entrada massiva de veículos de visitantes que não permanecem na cidade, reduzindo a pressão sobre a infraestrutura urbana. O padrão observado no Réveillon — com grande parte dos carros deixando Búzios no fim do dia — sugere que muitos motoristas não estavam hospedados no município, o que reforça o debate sobre o uso desses mecanismos como ferramenta de ordenamento.
Sem posicionamento oficial sobre o fechamento dos retornos e sem medidas adicionais de controle de acesso, o Réveillon de 2026 deixou um retrato conhecido: Búzios cheia, ruas saturadas e uma discussão que se repete a cada alta temporada sobre os limites da cidade e como administrar o seu principal atrativo — o turismo — sem paralisar a vida de quem mora ali.


