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Búzios se prepara para produzir e distribuir cannabis medicinal em menos de um ano

Após decisão da Anvisa e do STJ, município articula cultivo, extração e distribuição gratuita de óleo pelo SUS; Clínica Beija Flor pode ser o eixo local da política
Hamber Carvalho é militante da causa da cannabis medicinal desde 2013_ Foto de Ronald Pantoja
Hamber Carvalho é militante da causa da cannabis medicinal desde 2013_ Foto de Ronald Pantoja

Búzios entrou no radar de uma das mais sensíveis agendas de saúde pública do país: a produção municipal de cannabis medicinal. A possibilidade ganhou corpo após a autorização da Anvisa para o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais e de pesquisa, decisão que cumpre entendimento do STJ e abre caminho para que associações e instituições licenciadas atuem diretamente na cadeia do medicamento.

Na cidade, a articulação passa pela Clínica Beija Flor, espaço municipal especializado no atendimento em saúde mental de crianças e adolescentes, com foco em Transtorno do Espectro Autista (TEA), epilepsia refratária, TDAH e outros transtornos neurológicos. Desde março de 2024, a unidade já utiliza cannabis medicinal como parte do tratamento multidisciplinar.

À Prensa, diretor da clínica e ativista da causa desde 2013, o advogado Hamber Carvalho afirma que a decisão da Anvisa acelera um processo que vinha sendo discutido localmente, inclusive com o prefeito Alexandre Martins. A ideia é estruturar, em Búzios, o plantio, a extração e a produção do óleo, em parceria com uma instituição acadêmica licenciada.

“Produzir diretamente o medicamento é fundamental para ampliar o atendimento e garantir regularidade no tratamento da população”, diz Hamber. “Isso reduz custos, evita descontinuidade e permite adequar o óleo à necessidade de cada paciente, sempre dentro de protocolos rígidos.”

Hoje, os pacientes atendidos na Beija Flor recebem diagnóstico médico, prescrição e acompanhamento. Com o laudo da clínica, estão aptos a adquirir o medicamento. Para viabilizar o acesso, há uma parceria com a associação Acolher Macaé, que fornece o óleo a um custo mais baixo e o deixa disponível na própria clínica, evitando deslocamentos das famílias.

A expectativa é que esse modelo seja superado em menos de um ano. Segundo Hamber, Búzios pode chegar a 2026 plantando, extraindo, produzindo e distribuindo gratuitamente, pelo SUS, medicamentos à base de cannabis para moradores do município. Para isso, falta a sanção de um decreto municipal que autorize formalmente a clínica a avançar no projeto.

A regulamentação nacional estabelece que, para fins medicinais, está liberado o cultivo do cânhamo industrial, com teor de THC inferior a 0,3%. Hamber pondera que, no contexto brasileiro, especialmente em regiões de alta incidência solar, essa margem pode sofrer variações naturais. “O sol interfere diretamente na planta. A diferença é que, aqui, o acompanhamento será feito por agência reguladora. O que vem da Europa segue a margem internacional; no Brasil, o controle será técnico e transparente.”

A norma da Anvisa também autoriza cultivos com THC acima de 0,3% exclusivamente para pesquisa, em ambientes experimentais controlados, com inspeção prévia, vigilância permanente e acesso restrito. Esse ponto interessa diretamente à Beija Flor, que já acumula três anos de atuação e um volume significativo de dados clínicos, embora a regra exija instituições acadêmicas com pelo menos cinco anos para liderar pesquisas.

“O que a regulação permite é que instituições públicas sejam acompanhadas por uma entidade acadêmica. A clínica tem material, experiência e demanda real. A pesquisa nasce da prática”, afirma Hamber.

O impacto local vai além das crianças atendidas hoje. A proposta é ampliar progressivamente o público, alcançando familiares que convivem com a sobrecarga emocional do cuidado — casos de ansiedade e outros transtornos psíquicos — e, em seguida, pacientes com dor crônica, Alzheimer, Parkinson e doenças degenerativas.

Para associações que atuam há anos na defesa do uso medicinal da cannabis, a mudança é estrutural. “Essa decisão é um divisor de águas. Ela tira o tema da informalidade, dá segurança jurídica e permite que políticas públicas locais saiam do papel”, resume Hamber.

Se o decreto municipal for sancionado, Búzios pode se tornar uma das primeiras cidades do país a fechar o ciclo completo — do cultivo à distribuição gratuita — de um medicamento que, até pouco tempo atrás, dependia de importação, judicialização e esforço financeiro das famílias.

Hamber pelo traço de Ykenga

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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