A socióloga e cientista política Aspásia Camargo afirmou, nesta quarta-feira (14), que o município do Rio de Janeiro vive há décadas sem uma liderança política capaz de sustentar, de forma contínua, sua agenda no plano estadual e nacional. A avaliação foi feita durante o lançamento do livro Rio, capital do Brasil: ensaios sobre a capitalidade, no Palácio da Cidade, em Botafogo, que debate o papel da cidade do Rio após a perda do status formal de capital.
Ao tratar da trajetória política da cidade, Aspásia disse que, desde Carlos Lacerda, o Rio não conta com um “padrinho político” — alguém disposto a assumir a defesa permanente dos interesses da capital fluminense e a projetá-los para além de seus limites administrativos. A fala foi interpretada como uma referência direta ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do Estado, que participou do evento e também discursou.
Para a socióloga, o debate proposto pelo livro aponta para um momento decisivo. Ela defendeu um aggiornamento do projeto da cidade do Rio, entendido como uma atualização profunda de seu papel político, institucional e simbólico no país. A proposta, segundo ela, não passa por resgatar o passado da antiga capital federal, mas por recolocar o município como centro ativo de formulação política, cultural, diplomática e de inovação.
Aspásia ressaltou que pensar a cidade do Rio de Janeiro de forma isolada é um erro recorrente. A capital, afirmou, só se sustenta quando articulada à região metropolitana, onde se concentram desafios estruturais, e à costa fluminense, que amplia o peso estratégico do município no cenário nacional.

Ao comentar o contexto político atual, a socióloga foi direta: há recursos federais disponíveis e uma janela de oportunidade aberta, mas o tempo é curto. Segundo ela, a chance de reposicionar a cidade do Rio como protagonista passa por decisões imediatas e por liderança política clara. A postergação desse movimento, afirmou, tende a repetir ciclos de perda de relevância.
Eduardo Paes, em sua intervenção, reforçou a ideia de que o desempenho da cidade do Rio influencia diretamente o restante do estado e o país. Disse que, quando a capital funciona, o impacto positivo se espalha, argumento que dialoga com a tese central do livro de que o Rio mantém, na prática, uma condição de capitalidade.


