Antes de Búzios virar destino global, havia uma vila de pescadores pressionada por um crescimento que ameaçava engolir sua escala, sua paisagem e sua identidade. Foi nesse ponto de inflexão que Octavio Raja Gabaglia entrou em cena — arquiteto e urbanista que não apenas desenhou casas, mas definiu um modo de ocupar o território.
Raja Gabaglia é o criador do chamado estilo Búzios: uma arquitetura de baixa altura, volumes simples, telhados aparentes, integração com a paisagem e respeito rigoroso à escala humana. Não se trata de estética ornamental, mas de um conceito urbano. Casas que não disputam espaço com o céu, vistas preservadas, ventilação natural e continuidade visual entre construído e natureza.

“A identidade de Búzios não está nos prédios, mas no espaço entre eles.”, afirma Gabaglia entre o conhecimento técnico e a filosofia.
Foi ele quem, ainda quando não havia consenso político, defendeu e formulou a diretriz que limitava as edificações a dois pavimentos. À época, uma regra informal, quase um pacto moral. Com o tempo, tornou-se lei municipal. Essa decisão isolou Búzios — no melhor sentido — do padrão verticalizado que marcou cidades vizinhas. Em vez de copiar modelos externos, o balneário construiu uma identidade própria, reconhecível e durável.

Escala baixa, paisagem preservada.
A cidade como extensão da natureza — visão de Octavio Raja Gabaglia.

Quando a arquitetura não disputa o horizonte.
Escala humana, identidade e permanência — Octavio Raja Gabaglia.
A influência de Raja Gabaglia extrapolou seus projetos autorais. Ele passou a orientar parâmetros, inspirar legislações, formar profissionais e estabelecer um entendimento coletivo sobre o que Búzios poderia ser sem deixar de ser Búzios. Sua atuação ajudou a fixar uma noção rara no urbanismo brasileiro: a de que preservar também é planejar.
Esse legado é retomado de forma explícita no Aretê, empreendimento que assume como diretriz central o respeito às normas urbanísticas municipais e à arquitetura buziana. Ali, não há espaço para improviso volumétrico ou soluções que rompam com a escala do lugar. As construções seguem volumes ortogonais, telhados cerâmicos discretos, cores contidas e materiais submetidos à aprovação técnica. Equipamentos são ocultados, afastamentos respeitados e a paisagem tratada como parte do projeto, não como sobra.
“Cada regra construtiva do Aretê existe para proteger algo maior do que o projeto: o território.”, Pedro Bulhões, um dos responsáveis pelo Aretê Búzios.

Mais do que cumprir um regulamento, o Aretê opera dentro de uma ideia: a de que crescer não significa romper. Ao adotar parâmetros inspirados na visão de Raja Gabaglia, o empreendimento reafirma que desenvolvimento e preservação não são opostos, mas escolhas técnicas e políticas.
A homenagem prestada pelo Opportunity Fundo de Investimento Imobiliário, responsável pelo Aretê Búzios, a Octavio Raja Gabaglia, por meio de um ensaio biográfico e artístico sobre sua trajetória, não revisita apenas o passado. Ela ilumina um presente em disputa e aponta um futuro possível. Mas o grupo não parou apenas no reconhecimento do legado. Octavio, que assina a sede praia do empreendimento, segue se envolvendo com o bairro e em breve terá novos projetos assinados no Aretê.

Em tempos de expansão acelerada e soluções genéricas, sua obra lembra que cidades também podem ser construídas com limites — e que, às vezes, é justamente o limite que garante a permanência.


