O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, terá uma nova operadora pelos próximos anos. A empresa espanhola Aena venceu nesta segunda-feira (30) o leilão de venda assistida do terminal e ficará responsável pela administração até 2039.
O certame foi realizado na sede da B3, em São Paulo, e contou com a participação de três concorrentes: a Aena, o Zurich Airport e a atual concessionária RIOgaleão. O lance vencedor foi de R$ 2,9 bilhões, representando um ágio de 210,88% sobre o valor mínimo estipulado em R$ 932,8 milhões.
Com a vitória, a Aena passa a assumir integralmente a operação do Galeão, substituindo a atual gestão da RIOgaleão — formada pela Vinci Airports e pela Changi Airports — e a participação da Infraero, que detinha 49% das ações. Segundo o governo federal, a mudança ocorre dentro do modelo de venda assistida, que permite a relicitação de contratos já existentes com ajustes para atrair novos operadores.
O novo contrato traz mudanças relevantes em relação à concessão anterior. Entre elas, está a substituição da outorga fixa por um pagamento variável correspondente a 20% do faturamento do aeroporto até 2039. Além disso, deixa de existir a obrigação de construção de uma terceira pista, e a Infraero deixa de integrar a sociedade.
Outro ponto previsto é a criação de um mecanismo de compensação relacionado ao Aeroporto Santos Dumont. Caso o governo federal altere restrições operacionais no terminal do Centro do Rio, considerado concorrente direto do Galeão, a nova concessionária poderá solicitar compensações.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, as mudanças buscam tornar a operação mais sustentável e atrativa, após anos de dificuldades enfrentadas pelo Galeão. O terminal passou por queda de movimento após os investimentos realizados para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, cenário agravado pela pandemia de Covid-19.
Apesar disso, os números recentes indicam recuperação. Em 2025, o aeroporto registrou 17,9 milhões de passageiros, crescimento de 23,4% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o volume permanece abaixo da capacidade total do terminal, estimada em 37 milhões de passageiros por ano.
Atualmente, o Galeão opera cerca de 340 voos domésticos e 110 internacionais por dia, entre pousos e decolagens.
Com a incorporação do Galeão, a Aena passa a administrar 18 aeroportos no Brasil, consolidando-se como a maior concessionária aeroportuária do país em número de terminais. Entre os principais ativos da empresa estão o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e os aeroportos de Recife e Maceió.
Segundo o diretor-geral da Aena Internacional, Emilio Rotondo, o Brasil é considerado estratégico para a expansão da companhia. Ele destacou que, com o novo contrato, a empresa passa a movimentar cerca de 62 milhões de passageiros no país.
Já o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o novo modelo representa um avanço para o setor e que os desafios enfrentados pelo Galeão começam a ser superados.



